Posts com Tag ‘Russel Crowe’

oinformanteThe Insider (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um filme sobre grandes corporações e seu poder além das leis, o lobby das grandes indústrias de tabaco, a falta de lisura da imprensa quando atingem seus interesses comerciais. Tenho essa impressão, de que você não entendeu nada do filme, se acredita que são estes seus temas. Uma impressão ofensiva, a bem da verdade, mas o filme de Michael Mann se apresenta tão rico em camadas que tornar as subtramas complementares seria como torná-lo um drama moral e quadradinho.

Há um embate forte entre dois personagens complexos: o executivo (Russel Crowe) e o jornalista (Al Pacino). Cada um deles carrega sua carga ética, e seus interesses próprios. Por isso que, mesmo jogando do mesmo lado (se é que se pode dizer isso), há tantas cenas de embate entre eles. Discussões, acusações e argumentações. No fundo eles querem a mesma coisa, a entrevista bombástica que traria a tona verdades da saúde pública. Porém, há meandros, interesses e desconfianças, A relação de confiança parece prestes a ser quebrada, e o jogo é este, mantê-la inquebrável.

O jogo de tribunais entre corporações envolve tabagistas e jornalistas, Mann tem esse poder de manter as coisas grandes como subtramas imprescindíveis, mas de dar valor as pequenas relações (afinal, são elas que perfazem os acontecimentos). Seja as discussões entre jornalistas (nisso, afigura de Christopher Plummer é essencial), seja no peso da situação financeira confortável ruir frente as verdades que o executivo demitido estaria prestes a expor. Mann cria o clima exasperante, o suspense em sua forma mais acolhedora e claustrofóbica, pelo âmbito psicológico. Tudo tão imperfeito quanto real, tão eloquente quanto assustador. Nos planos fechados na casa do jornalista, ou nos planos abertos que amplificam o poder da dúvida do executivo, tudo tão pensando, quanto milimetricamente realizado para ser esse filme que te sufoca a ponto de não ser mais tão importante a tal verdade, e sim os mecanismos que marcam os bastidores de uma matéria polêmica.

Noé

Publicado: abril 18, 2014 em Cinema
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noeNoah (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Darren Aronofsky vai provando que não se dá bem com grandes orçamentos. A coisa sai de controle, se torna faraônica, imensa. Fonte da Vida era seu filme mais fraco, e o maior orçamento que Aronofsky havia trabalhado. Agora adaptando parte do Velho Testamento da Bíblia, revivendo a figura de Noé e sua Arca, o orçamento enorme resultou num monstrengo oco.

A força religiosa da história está presente, porém, além da mensagem de Deus que Noé (Russel Crowe) interpreta e leva adiante, o filme foca muito mais nos dilemas de um homem integro em sua fé. E, também, se torna, talvez, o primeiro defensor do ambientalismo da história. Os animais quase não aparecem no filme, e quando aparecem são apenas efeitos especiais. Por outro lado, em dado momento, a história vira um grande filme de ação, com lutas e gente correndo por todos os lados.

Aronofsky deixou tudo grandioso demais, por mais que a história seja realmente definitiva (afinal, o planeta foi inundado e só sobrou quem estava na Arca), há sempre essa necessidade pela emoção, pela disputa, o vilão está presente até o último minuto. Por outro lado, há o drama familiar, que coloca a prova tantos questionamentos de Noé, seria o melhor do filme se não ficasse quando chamuscado por essa necessidade de ação a todo custo.

homemdeacoMan of Steel (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O povo que veio de Krypton gosta de quebrar uma vidraça. É um empurra-empurra frenético, com vidros dos prédios quebrando por toda Metrópolis (Manhattan, não?). Senti falta mesmo foi da kryptonita, do romance acontecendo naturalmente, dos segredos e do Clark Kent (Henry Cavill) de óculos no dia-a-dia jornalístico. Até da cabine telefônica senti falta. Para algumas dessas questões, o roteiro encontra novas soluções, porém a essência é realmente outra.

A história do homem de aço dirigida por Zack Snyder, como no trailer dava sinais, ganha os contornos definitivos da última fase dos filmes de Terrence Malick. Como se cada momento fosse único, o foco em detalhes que tornam a vida do Super-homem suprema, magnífica, um deus. A trilha sonora vai além até, busca algo épico no melhor estilo Senhor dos Anéis, é tudo grandioso, definitivo, estamos diante do filme dos filmes, do herói dos heróis.

Sobra muita coisa patética, principalmente nas aparições dos dois pais de Clark (Russel Crowe e Kevin Costner). Porém, não é exclusividade deles, só olhá-lo de capa na sala de interrogatório, ou gritando contra o vilão (Michael Shannon) por ter atacado sua mãe, momentos constrangedoras não faltam. E os jornalistas do Planeta Diário então, Laurence Fishburne até relembra seus momentos de Matrix.

A trama tenta se concentrar no conflito de ser alguém tão diferente do restante dos humanos, a busca pelo autoconhecimento, pelo controle de seus poderes, e o se encontrar na vida. Por isso, Clark na adolescência vive as mesmas rebeldias que nós, prefere ser nômade, até a chegada dos visitantes indesejados, até ser descoberto por Lois Lane (Amy Adams) e se tornar o herói mundial. Enquanto trilha esse caminho, desperdiça a chance de conquistar o público, dando lugar ao perfeccionismo impressionante dos efeitos especiais, e um ego inflado do tamanho da força do homem de aço que segura uma estação perfuradora de petróleo, mas não quer matar uma mosca.

osmiseraveisLes Misérables (2012 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O poder da visão crítica de Victor Hugo sobre a diferença entre classes sociais, na França do século XIX, passou longe, mas muito longe. A direção de Tom Hooper apenas se apodera da fama do musical que fez sucesso estrondoso no teatro, mundo afora. De forma irregular, alongada, melodramática e cansativa. A primeira hora só não é totalmente entediante por duas cenas, a da fábrica e a apresentação da população miserável, de resto apenas a ladainha do início da caça, de uma vida.

O inspetor de Russel Crowe (pior cantor do planeta?) passa anos na captura do assaltante faminto (Hugh Jackman), Hooper desperdiça a miséria, privilegia a richa. Por essa disputa passam outros personagens, da vida execrável à novos vultos da Revolução Francesa, o amor jovem e pueril e aproveitadores baratos. São duas horas desperdiçadas entre canções pouco empolgantes (destaque para o solo de Anne Hathaway que lhe valerá o Oscar), até a chegada da questão política, os rebeldes civis lutando contra o governo.

Nesse ponto se apresenta , mesmo que timidamente, o conteúdo que Victor Hugo trouxe ao mundo, o desfile de coadjuvantes doando sua vida à uma causa, lutar por ideais. Mas o sofrimento é tão árduo para chegar nessa parte (tão regular), que o esforço nem vale a pena.

lacidadeproibidaLA Confidential (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Encantador esse filme policial, à moda antiga, dirigido por Curtis Hanson. Seu resgate ao cinema noir, com roteiro brilhante (baseando em romance de James Ellroy) e elenco competente são a fórmula infalível para a trama ambientada na década de cinqüenta nos EUA. Com direito a corrupção da polícia, prostituição de luxo, contrabando de drogas e disputas de gângsteres.

Bud White (Russel Crowe) é o policial durão e truculento que coloca medo em todo mundo. O jovem, e ambicioso, Ed Exley (Guy Pearce) faz o estilo inteligente e que segue as leis à risca, mesmo que seja necessário dedurar  companheiros que não seguem as leis. Há ainda o policial popstar, Jack Vincennes (Kevin Spacey), que adora as manchetes de jornal e o jornalista Sid Hudgens (Danny DeVito) que vende a alma por um furo. Na noite de Natal, os policiais fazem uma festinha na delegacia, e após beber um pouco, decidem tirar satisfações com alguns presos suspeitos de terem agredido companheiros da corporação.

O resultado da bebedeira é um massacre aos presos, que acaba sendo flagrado pela imprensa. A noticia cai como uma bomba, a reviravolta no departamento é inevitável. Um dos bodes expiatórios é o parceiro de White, que dias depois morre numa chacina. Toda a força policia volta-se para o caso, que será liderado por Exley e White, e juntos ajudam a ruir um castelo de cartas de esquemas descobertos, policias corruptos desmascarados, forte esquema de prostituição (destaque para prostituta interpretada por Kim Bassinger, que se veste como Veronika Lake) e assassinatos para queima de testemunhas. Hanson é sagaz, e o roteiro também, em construir os protagonistas e coloca-los sob pressão, em obrigá-los a ir além de sua “ética” pelos fins necessários. Enquanto isso o filme hipnotiza com charme e elegância, seja pela direção de arte precisa, seja pelo clima esfumaçante entre tantas intrigas e reviravoltas, na cidade onde o glamour esconde as verdades podres.

umamentebrilhanteA Beautiful Mind (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Foi o primeiro filme a qual escrevi um texto que gerou post na internet, por isso, de minha parte, talvez haja uma dose além de generosidade, ao analisá-lo. O filme retrata a história do brilhante matemático John Forbes Nash Jr (Russel Crowe), desde sua entrada na Universidade até o reconhecimento com o prêmio Nobel. Um homem atormentado por sua inteligência, e por uma incessante busca por um trabalho relevante que se torna ainda mais obsessiva ao assistir seus colegas criando teses e publicando artigos. O matemático ciumento passa dias fazendo contas no vidro da janela, observando pombos, coisas de maluco. Não lhe faltam esquisitices, trejeitos e comportamentos antissociais, e graves problemas esquizofrênicos.

De formando a professor, e depois trabalhando para o serviço secreto do Pentágono decifrando códigos comunistas em todos os tipos de meio de comunicação escritos. O ritmo frenético de seu cérebro, a personalidade complexa, pouco a pouco os comportamentos estranhos assustam sua esposa (Jennifer Connelly). Daí em diante, o que vemos é um homem incapaz de controlar seu intelecto, um prisioneiro de sua própria, e privilegiada, mente. Russel Crowe, em atuação exemplar, carregado de emoção e com um quê de coitado, consegue nos passar a ideia de uma pessoa perturbada, esquizofrênica, que vive alheia à sociedade.

Mitos criticam o filme por omitir fatos importantes, como uma possível bissexualidade de Nash. O diretor Ron Howard preferiu um enfoque maior da perda do controle de seu personagem, a doença mental deflagrada e sua destruição completa, mantendo a linha sentimental o que facilita o diálogo com um público maior.