Posts com Tag ‘Ryô Kase’

nossairmamaisnovaUmimachi Diary (2015 – JAP) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Quem acompanha a carreira de Hirokazu Kore-eda já sabe o que esperar de seus filmes. Melodramas adocicados e sensíveis, sempre com cunho familiar (como Ninguém Pode Saber, Pais e Filhos, O que Eu Mais Desejo, Hana), ou acrescento a relação das memórias (Depois da Vida, Tão Distante) com a vida das pessoas. Habitué da competição principal de Cannes, o cineasta virou sinônimo desse cinema moderno japonês que tanto lembra os filmes de Ozu.

Na trama, o pai de três irmãs adultas morre, e elas descobrem uma irmã mais jovem (que já perdeu a mãe), que acaba se mudando para morar com as irmãs. E o filme é isso, as recordações familiares, o dia-a-dia de convívio entre elas, seus problemas e angústias. Além, é claro, dessa possibilidade de integração com a irmã mais jovem, a adaptação. Como nos demais filmes, é tudo singelo, muito gracioso, e bem repetitivo dentro de sua filmografia. Kore-eda chegou num ponto em que é difícil desagradar, mas já não consegue emocionar como em seu grande filme (Ninguém Pode Saber).

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Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, 2006 – EUA/JAP) 

Fazer um filme sobre a ótica do outro é uma coisa, fazer um filme com a sua visão sobre a ótica do outro, é completamente diferente. Clint Eastwood almejava a primeira, porém só entregou a segunda. Também um caubói americano resolve fazer um filme falado em japonês, com atores locais, e ainda pretende tratar do patriotismo local. Eu ainda acreditava que ele iria conseguir resgatar um pouco da cultura e aproximar-se das emoções e sensações que os soldados viveram ao defender Iwo Jima.

Os soldados e demais militares escrevem cartas a seus familiares, planos fechados com atores fazendo cara de melancolia, tudo tão melodrama americano (acentuado por uma trilha sonora teimosa), ou minha visão do povo oriental é deturpada ou Eastwood não entendeu bem. Pelas cartas resgatamos um pouco da vida de cada um, os filhos e esposas que ficaram. E o que o cineasta deseja transmitir é algo como olhem-os-japoneses-também-são-gente. Quando um dos militares lê uma das cartas, escrita pela mãe de um soldado inimigo, e, entre uma explosão e outra, os soldados japoneses comovem-se com aquelas palavras, chega-se ao limite do ultrajante.

Felizmente o filme não é só isso, a fotografia monocromática praticamente iguala os ambientes causando um espetáculo único. O destaque dado ao conhecimento de que a derrota são favas contadas e ainda assim todos (ou quase todos) lutam e morrem com fervor pela pátria, consegue finalmente trazer um pouco de veracidade àqueles personagens. E os suicídios em grupo oferece momentos fortes, aos nossos olhos e para nossa reflexão. A história é baseada em relatos do general Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe), que tinha uma posição diferente da maioria, ordenando o recuo das tropas aos suicídios. Sabia muito bem ele, que cada vida de um soldado valia muito, principalmente a inferioridade numérica e tecnológica que enfrentavam os japoneses.

E Clint Eastwood desperdiçou momentos de tensão que poderiam nos deixar boquiabertos, em A Conquista da Honra. Quando a tropa desembarca na praia e começa a adentrar em Iwo Jima temos a visão de dentro das cavernas, os japoneses aguardando o momento exato de pegar o máximo de soldados desprevenidos. Aguardei muito por esse momento no filme-irmão, e as cenas estão lá, poucas e rápidas, muito mais preocupado estava Eastwood em se concentrar no general e no momento exato em que ele daria a ordem para atirar. Perdeu a tensão, perdeu a sensação de armadilha, Eastwood perdeu a chance de tentar entender um pouco mais ao invés de colocar sua visão ocidental dos fatos.