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osmiseraveisLes Misérables (2012 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O poder da visão crítica de Victor Hugo sobre a diferença entre classes sociais, na França do século XIX, passou longe, mas muito longe. A direção de Tom Hooper apenas se apodera da fama do musical que fez sucesso estrondoso no teatro, mundo afora. De forma irregular, alongada, melodramática e cansativa. A primeira hora só não é totalmente entediante por duas cenas, a da fábrica e a apresentação da população miserável, de resto apenas a ladainha do início da caça, de uma vida.

O inspetor de Russel Crowe (pior cantor do planeta?) passa anos na captura do assaltante faminto (Hugh Jackman), Hooper desperdiça a miséria, privilegia a richa. Por essa disputa passam outros personagens, da vida execrável à novos vultos da Revolução Francesa, o amor jovem e pueril e aproveitadores baratos. São duas horas desperdiçadas entre canções pouco empolgantes (destaque para o solo de Anne Hathaway que lhe valerá o Oscar), até a chegada da questão política, os rebeldes civis lutando contra o governo.

Nesse ponto se apresenta , mesmo que timidamente, o conteúdo que Victor Hugo trouxe ao mundo, o desfile de coadjuvantes doando sua vida à uma causa, lutar por ideais. Mas o sofrimento é tão árduo para chegar nessa parte (tão regular), que o esforço nem vale a pena.

Hugo (2011 – EUA)

Se pensarmos no que Martin Scorsese representa para o cinema, financiando a recuperação de filmes antigos, dirigindo documentários sobre cinema italiano, além é claro de seu trabalho autoral, a representatividade desse filme se torna ainda maior. Afinal, o grande mote é a bela homenagem ao cinema, principalmente ao mágico Georges Méliès e ao cinema mudo. É Scorsese reafirmando sua vocação de resgatar o que está escondido, e dividir com seu grande público. Tudo começa com aquela imagem cortando uma estação de trem, de forma acelerada, apenas o abre-alas para a longa introdução antes dos créditos iniciais.

É verdade que dali em diante, o filme cai assustadoramente, é a fase mais infanto-juvenil da história, Hugo e sua relação com o pai, sua vida como orfão e etc. O garoto vive no mundo dos sonhos, sua própria história é uma bela fábula da subsistência. Quando surge a segunda metade com o resgate do cinema de Méliès e a história mistura realidade e ficção da biografia do cineasta, o filme dá um salto fabuloso, torna-se encantador, charmoso. A obra de Méliès se encaixa perfeitamente à história e ao 3D, o garoto (Asa Butterfield) é ótimo e descobrimos Sacha Baron Cohen como um ato dando vida ao inspetor cruel da estação de trem, e por fim, temos um golaço de Scorsese.