Posts com Tag ‘Sally Field’

lincolnLincoln (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O problema do filme é Steven Spielberg. Há Spielberg demais no filme, e isso inflama tanto o roteiro, a trilha sonora, a distancia narrativa entre dois nucleos (Casa Branca pacata, Congresso inflamado), que essa busca pelo filme “sério” cria um frankenstein da história americana.

Primeiramente, o filme é sobre a 13ª Emenda, não sobre Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis). Ele é o protagonista por colocar seu prestigio, e força política, na aprovação dessa emenda, que resultava na abolição dos escravos (na verdade ia além disso). O intuito era colocar fim na Guerra Civil que assolava o país. Não há participação dos negros nesse processo (da forma como está no filme). Há um congressista (Tommy Lee Jones) que insiste nessa emenda há décadas, e Spielberg consegue estragar tudo quando entra na casa dele. Fora isso, todo o poder do governo em negociar com congressistas para obter sua aprovação.

É um filme sobre os mecanismos políticos da época, permeado com a figura de Lincoln entre suas relações familiares, e sua pausa para narrar “causos”, a quem quer que fosse. Se a dose dramática está distante do roteiro, Spielberg abusa de John Williams preenchendo qualquer espaço que encontre – chega a causar náuseas. Dessa forma temos um Lincoln apresentando à maneira de Spielberg, um momento crucial da história mundial transformado em filme de tribunal, e dezenas de cenas cansativas e nada inspiradas que alongam, desnecessariamente, toda essa ode aos meandros políticos do século XIX.

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Places in the Heart (1984 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há pouco além da conexão familiar nas duas histórias paralelas que o filme aborda. Robert Benton carrega bem nas tintas do melodrama da trama de Edna (Sally Field), a mulher de fibra que na década de 30 assume o controle da fazenda após a morte do marido. Sem nem saber como assinar um cheque, ela entra de cabeça na plantação de algodão e na administração da fazenda. Garra e coragem são suas bandeiras, mas o filme não deixa de abordar o racismo e a inocência como temas importantes.

De outro lado, há a trama de Margarete (Lindsay Crouse), irmã de Edna, a cabeleira que sofre com a infidelidade do marido (Ed Harris) com sua melhor amiga (Amy Madigan). Essa parte do filme não  vai além de repetir clichês de outros filmes, sem nenhum atrativo ou diferencial. E facilmente poderia ter sido preterida, frente a poderosa presença de Sally Field e sua relação com Moze (Danny Glover) que diz ser especialista no plantio de algodão. É a atuação sofrida e contundente de Sally Field que carrega o filme, e mantém ainda mais distanciada a banalidade da trama sobre infidelidade. O resultado final é essa irregularidade onde as atuações se sobressaem ao todo.