Posts com Tag ‘Sam Rockwell’

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (EUA – 2017) 

E já temos o primeiro grande filme sobre a Era Trump. Porque essa conjunção de roteiro dramático com comédia de humor negro (à la irmãos Coen) remete a características socialmente marcantes no mandato do atual presidente dos EUA. De um filme sobre uma mulher (Frances McDormand) revoltada por a policia não ter conseguido desvendar o mistério do assassinato de sua filha, o diretor Martin McDonagh tece esse estudo social dos rincões desse país cuja liderança dá passos para trás e traz a intolerância como palavra de ordem.

Do inconformismo vem a ideia do anúncio provocativo nos três outdoors da cidade. A policia se revolta, e a cidade se divide apoiando ou revidando ao inconformismo dessa mãe. Surgem reações, reviravoltas, e atitudes inconsequentes e irracionais, onde o desrespeito pelo outro é presença central nas relações humanas. McDonaugh realmente se aproxima muito dos primeiros filmes do Coen, o humor e a violência são muito parecidos, mas essa carga dramática que tanto McDormand, como Woody Harrelson carregando em suas histórias é um elemento novo nesse cinema provocativo e ácido.

A trama leva alguns atos às últimas consequências, mas é um retrato tão vibrante de uma nação que está mais desunidada a cada dia, onde cada um pessoa exclusivamente em si mesmo, e troca o discordar (ou não aceitar) por brigar até aniquilar o que tenha visão de mundo contrária a sua. Trump e seu governo agressivo e intolerante são a linha mestra para um povo que perde sua unidade e só se deteriora em aspectos humanos. E nisso tudo, o novo filme de McDonaugh é feroz, elevando seu cinema a um patamar bem superior ao que realizou em seus dois trabalhos anteriores. Devemos vê-lo, com protagonismo, na corrida do Oscar, no Festival de Veneza já foi destacado com prêmio de Melhor Roteiro.

pixar-logo• The Pixar Theory: alguém lançado uma tese de que todos os personagens dos filmes da Pixar estão conectados e fazem parte de uma grande história [Jon Negroni]

• Cinemateca Brasileira: estou com o Inácio Araujo, será que vamos ter que ir as ruas para acabar com a paralisia absurda da Cinemateca? [Blog do Inácio Araujo]

• James Bond: após o sucesso de Skyfall, era de se esperar que fosse confirmado Sam Mendes como diretor do Bond 24, o próximo filme do 007 [AdoroCinema]

• Oldboy: finalmente sai do trailer da refilmagem da obra-prima coreana [Youtube]

• Selton Mello e Wagner Moura: no elenco do próximo filme de Stephen Daldry [AdoroCinema]

• Sam Rockwell: em entrevista sobre seu novo filme [Slant Magazine]

• Johnny Deep: e todas as suas interpretações excêntricas [AdoroCinema]

• Os Imperdoáveis: trailer do remake japonês com Ken Watanabe [Collider]

SetePsicopataseumShihTzuSeven Psycopaths (2012 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin McDonaugh foi bem alardeado com seu filme anterior (Na Mira do Chefe), acabei não vendo, mas este aqui caiu de paraquedas na minha frente. E ele não passa de um sub-Tarantino, acreditando que tem um roteiro muito inteligente e genial. Primeiro aviso é que ele não tem esse roteiro, e sim uma salada de personagens psicopatas que, acredita, juntos, formar um conjunto capaz de divertir.

Não consegue seguir além de um início interessante, até que cada personagem seja colocado em seu lugar, e começa o banho de sangue. Aviso dois, McDonaugh não passa nem perto do talento de Tarantino para criar cenas inesquecíveis, ele apenas filma o sanguinário, sem excelência, sem alma. Aviso três, chega um momento em que o frankenstein que o filme se tornou ganha vida e foge totalmente do controle, hora de matar todo mundo para “recuperar” as rédeas da situação.

Lunar

Publicado: fevereiro 19, 2013 em Cinema
Tags:, ,

lunarMoon (2009 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Dá para não citar que o diretor Duncan Jones é filho de David Bowie? Não, não dá, principalmente se o cara resolveu fazer uma ficção científica, já que seu pai se destacou pelo visual futurista. Semelhanças à parte, Sam Rockwell é o astronauta solitário numa base lunar, por três anos. Vai delirando, enlouquecendo, o filme ainda brinca com clones, e da segunda metade em diante vira todo seu foco a esse tema. Mas não passa de instrumento para Rockwell mostrar caras e bocas, sofrimento psicológico e temperamentos diferentes enquanto um computador conversa com ele (Kevin Spacey, mas voce já viu essa idéia em algum outro filme, não?).

 

aesperadeummilagreThe Green Mile (1999 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro livro de Stephen King adaptado aos cinemas, suas famigeradas tramas de suspense ficam de lado, mesmo que haja algo de sobrenatural, em detrimento ao melodrama puro, pragmático em temas cuja moral e os bons costumes são elevados a enésima potência. Humano, tem na bondade o alicerce para desenvolver temas como racismo, sentimentos puros, e a derrota da maldade e egoísmo frente o “bem” maior. Sim, é piegas ao extremo, mas o filme de Frank Darabont acerta em cheio a parte do público carente por questões universais e tão humanas.

O palco é uma penitenciária, e a narração, em flashback, feita por Paul Edgecomb (Tom Hanks), que bem velhinho já mora num asilo enquanto narra a incrível história que presenciou a uma amiga. Paul era o chefe da Milha Verde, setor de uma penitenciária onde ficavam os presos julgados, e condenados à cadeira elétrica. Paul sofria com suas infecções urinárias, até que um novo preso grandalhão chega, John Coffey (Michael Duncan) era acusado (injustamente) de estupro e assassinato de duas meninas brancas. Seu tamanho impõe respeita a todos, e a surpresa ficava ainda maior pelo grau de ternura e ingenuidade que conquistava a qualquer um. Com um dom sobrenatural, ele tinha o dom da cura, e num dos ataques infecciosos de Paul o detento oferece-lhe a cura.

A rotina da Milha era pacata, clima amistoso entre presos e agentes carcerários, exceto o agressivo e prepotente Percy Wetmore (Doug Hutchison). Até que começa a mudar com as visitas do ratinho Mr Jingles, que se torna bichinho de estimação de um detento. E também com as loucuras do perigoso bandido William “Wild Bill” Wharton (Sam Rockwell). Tanta passividade se torna uma panela de pressão prestes a explodir, e todos aqueles presos estão na reta final da cadeira elétrica.

aspanterasCharlie’s Angels (2000 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Sabe desgosto? Mas, desgosto mesmo? Quando sentei para assistir foi sintomática a lembrança série antiga, que fez tanto sucesso nos anos setenta, e eu pude descobrir nas reprises dos oitenta. Como era gostoso ver as três detetives solucionando os casos, com charme absurdo. Eu ainda tinha esperanças que o filme trouxesse um pouco do glamour da série, mesmo já esperando cenas de ação (estilo Matrix). Só que o estreante McG, diretor de videoclipes do Offspring, Smash Mouth e Sugar Ray, conseguiu transformá-las nas Meninas Super-Poderosas. Uma espécie de versão feminina de Missão Impossível. Coitadas de Kelly, Gil e Sabrina.

O roteiro é composto daquelas ideias mirabolantes, sequestro, recuperar software. Bill Murray empresta seu humor fino, enquanto as garotas tentam se dividir entre a mais sexy, a apaixonada e a mais violenta. É quase um filme de humor B, muito trash, marcando a total descaracterização do original. É uma pena!