Posts com Tag ‘Sam Shepard’

coldinjulyCold in July (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A grande atração é ver Michael C. Hall (Dexter) no cinema. O diretor Jim Mickle vai ao Texas, aquele lugar onde os homens andam de chapéu e bota, e carregam armas o tempo todo. É assim que Mickle trabalha com o clichê do lugar. Lembra um pouco do universo de David Gordon Green, mas a lembrança termina rapidamente.

Seu filme é um suspense típico, pais protetores, armas e honra. A câmera tenta algum suspiro fora do básico, mas é só.A história começa com legítima defesa, vai para caminhos quase inimagináveis, mas mantém-se sólido ao tripé que lhe servia de alicerce. Essa visão de um Texas tão bruto e árido oferece esse tipo de histórias, que já se tornaram mero passatempo.

albumdefamiliaAugust: Osage County (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Até tento não comparar, tratar apenas como mais um filme, mais uma história, mas quando surgem os comentários sobre a “veracidade” do drama familiar, como as famílias são tão cheias de problemas, mágoas e segredos. Como um filme onde a única pessoa “decente” é a índia que trabalha como doméstica, fico me questionando se é só a minha família que tem uma relação mais light, com seus problemas, mas muito longe desse mundo perverso onde ninguém presta.

O filme dirigido por John Wells, adaptação de uma peça de teatro escrita por Tracy Letts, segue esse caminho das imperfeições. O patriarca (Sam Shepard) desapareceu, as três filhas voltam com seus maridos, filhos, e problemas a conviver com a mãe (Meryl Streep com a mesma peruca de Cate Blanchett interpretava Bob Dylan) que sofre de câncer na boca. A reunião familiar é estopim, Wells filma guerras verbais em cada cômodo, basta transpassar outra porta para dar de cara com outro quebra pau.

Nesse mar de discussões e humilhações surgem alguns momentos engraçados, aquele humor provocativo costumeiro, mas a proposta é mesmo de jogar para baixo qualquer ser vivo que aparece por aquela casa. Não questiono nenhum dos dramas, mas o conjunto parece tão diabolicamente perpetuado para o propósito de desestruturar a instituição falida (família) que fica difícil dar crédito ao peso de interpretações tão carregadas (ok, Julia Roberts convence, Chris Cooper também, Streep dá outro show), ainda assim, parecem andorinhas isoladas que juntas não fazem nem um veranico sequer.

mudMud (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Jeff Nichols não esconde sua inspiração em Mark Twain, dois jovens (Tye Sheridan e Jacob Lafland) navegando pelos afluentes do Rio Mississipi, com o pequeno barco a motor eles desbravam uma ilha, que acreditam ser deserta, um território só deles, pronto a ser explorado. Diferente do que o título nacional sugere, o filme é muito mais sobre dois garotos embarcando numa aventura, perigosa, do que a sugerida história de amor que move o sujeito misterioso (Matthew McConaughey).

Garotos aventureiros, corajosos, mas, acima de tudo, movidos por uma fé em alguns valores que os deixam mais fortes do que aparentam. Amizade e amor são fundamentais, mesmo que sejam apenas adolescentes e desconheçam os verdadeiros meandros de um relacionamento, como se o amor justificasse qualquer coisa. O encontro com o Mud, o estranho e faminto escondido na ilha deserta, cria laços de amizade, ouvem e acreditam piamente nas histórias do desconhecido, viajam pela própria imaginação atiçada por esse cara meio repugnante, meio sedutor.

mud2Essa mescla de amor marginal e personagens tão delinquentes (vide Reese Witherspoon, e até mesmo Sam Shepard), com a inocência de adolescentes que colocam a coragem (o amor, ou desejo por bens materiais) acima de riscos que eles nem sabem medir, oferecem um pouco dessa possibilidade de se enfeitiçar por entre arbustos e histórias que quase se materializam em contos de fada marginais.

ohomemdamafiaKilling Them Softly (2012 – EUA) 

O falatório e as quase crises existenciais dos gangsteres, alinhadas com a crise financeira nos EUA em 2008, e a mudança da presidência de Bush para Obama, não funcionam como argumento miseravelmente cativante no filme dirigido por Andrew Dominik. As conversas moles, a falta de punch nas cenas, e essa relação máfia x governo, não conseguem defender o que o filme essencialmente é: um bandido buscando os bandidos que roubaram outros bandidos.

É bem por aí, um assalto a um jogo de pôquer que estava sendo patrocinado pela máfia. Vem Brad Pitt descobrir quem foram os assaltantes. Fora isso, muita conversa fora e quase nenhuma ação. Dominik tenta filmar com pose, inventar conexões onde não há, e brincar de metáfora com a situação financeira americana.

A Árvore da Vida é o tão aguardado novo filme de Terrence Malick, os festivais disputam a tapa seu filme, já fora prometido para Cannes em 2010, parece que dessa vez entra na seleção oficial. Sean Penn e Brad Pitt estão no elenco.

Days of Heaven (1978 – EUA) 

Você fica olhando aqueles campos de trigo, eles quase hipnotizam. A relação de Terrence Malick com a natureza, tão presente em seus filmes. A força que ela surge como personagem, como uma voz ativa dentro de sua obra. E a trilha de Ennio Morricone, e a fotografia de Nestor Almendros, captando tudo, em raios de luz do sol, que quase atingem nossos olhos, parece que podem nos cegar. Realmente o cinema contemplativo tem tudo para atrair fãs incondicionais.

Aqui, a história resgata um triângulo amoroso, uma discussão moral, um casal de trabalhadores braçais fingindo serem irmãos até caírem na tentação da paixão do fazendeiro. Sob a ótica de uma adolescente, a história transcorre trágica, suntuosa. Faltam sorrisos, e sobra a beleza da natureza presente a cada fotograma, num filme que encanta muito mais os olhos que a mente. Mesmo o embate entre Richard Gere e Sam Shepard fica no contemplativo, fugindo do melodramático, assim como do crucial.

estrelasolitariaDon’t Come Knocking (2005 – EUA/ALE) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A certa altura da trama, o protagonista senta-se num sofá, que havia sido arremessado pela janela, e está no meio da rua com outras quinquilharias. Fica ali naquela rua deserta e a câmera fazendo movimentos de 360º contínuos, ora horários, e ora anti-horários. O dedilhar de um violão ao fundo, aquela visão de construções, e de uma poeira seca que o vento traz. O protagonista passa o dia sentado ali, sem proferir uma única palavra, sem alterar suas feições. Está perdido, mas não desesperado, vendo apenas o sol no caminho de se pôr, é a própria estrela solitária. Cena antológica.

Um decadente ator de faroestes (Sam Shepard), no meio de mais um set de filmagens, simplesmente desiste do filme e desaparece sem deixar vestígios. Larga na mão diretor, atores e toda a equipe de produção, partindo numa jornada existencial. Seu primeiro destino é visitar a mãe após trinta anos. Através dela descobre ter um filho, numa pequena cidade onde filmou um de seus sucessos do passado.

A nova parceria da dupla Wim Wenders e Sam Shepard, traz a repetição de muitas coisa vistas no clássico Paris, Texas. Mas, Wenders filma como gente grande, e por mais que não tenha agrado tanto a crítica assim, me parece um filme maduro, de quem sabe onde está pisando. O cineasta alemão trata de uma geração que agora percebe que sua fase já passou, e tenta aprender a lidar com o ostracismo. A câmera disseca o vazio que Howard carrega, por ter tido tanto e não ter construído nada. E agora no fim da vida percebe a solidão que os caminhos que escolheu o levaram.

Busca então se agarrar em resquícios do que deixou, a garçonete por quem fora apaixonado, o filho que ele nunca soube existir. E essa estranha garota loira que o persegue carregando as cinzas da mãe. Quem curtiu cada momento da vida regado a festanças, álcool e drogas, agora percebe que pouco valeu a pena, perto do que deixou de lado. É um drama existencial sim, personagens que tentam expurgar seus fantasmas.

Sam Shepard conduz esse caubói, no rosto e na suas expressões a dose certa para caracterizar o personagem, mas Shepard que me desculpe, Jéssica Lange roubou-lhe o filme, com aparições carregadas de emoção, com destaque para a cena em frente a academia.

falcaonegroemperigoBlack Hawk Down (2001 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Ridley Scott parte para o cinema verdade. O exército americano intervindo durante a Guerra Civil na Somália. Uma operação preparada para prender dois líderes da guerrilha, toda a operação não deveria durar mais que uma hora. A resistência acaba sendo mais eficiente do que se esperava, dois helicópteros são abatidos e a luta para salvar os soldados dura mais de quinze horas pelas ruas da cidade. Saldo de dezenove americanos e centenas de somalis mortos. Scott gravou seu filme como um documentário in loco, acompanhando a guerra real. As cenas são duras e sangrentas, a fotografia escura e os uniformes confundem um pouco os soldados, o ritmo alucinante vem da câmera na mão, tremendo sem parar. Pequenos becos, o medo do ataque inimigo.

Há os toques de sentimentalismo e patriotismo americano, afinal é um filme de Ridley Scott. O elenco, uma constelação de promissores astros (Eric Bana, Josh Hartnett, Ewan McGregor, Orlando Bloom). Soldados encurralados enquanto os somalis lutam por um pouco de comida, pela situação tão precária de seu país. Os três soldados perdidos até trazem um ar cômico, mas o ritmo é mesmo de metralhadoras disparando, e ferimentos que doem no público de tão “reais”.