Posts com Tag ‘Samuel L. Jackson’

Chi-Raq (2015 – EUA) 

Em mais um de seus delírios provocativos, Spike Lee volta com outra proposta critica e contundente contra um tema crucial nos EUA: a violência. Passado em Chicago, o título já faz uma provocação comparando a violência dos subúrbios da cidade com o Iraque (em guerra civil). Duas gangues, de cores vibrantes e líderes macho-alfa, encontram na união pela paz, de suas mulheres/namoradas, uma arma perigosa. Longe de pegar em armas, as garotas decidem organizar uma greve de sexo pelo cessar-fogo, capaz de causar o desmoronamento das gangues, levantar a bandeira da justiça e do feminismos. No tom verborrágico e provocativo de Spike Lee, o filme passou batido pelo Brasil, mas merecia atenção por sua poderosa capacidade de tratar de pequenas ações do cotidiano que podem fazer a diferença.

osoitoodiadosThe Hateful Eight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Após tantas polêmicas quanto ao roteiro que vazou, a ponto de Quentin Tarantino quase abdicar do filme, estamos novamente com outro western spaghetti, quase um exploitation, do cineasta americano que não se cansa de suas referências. Quase um conto remetendo a história americana desse passado escravagista e racista, enquanto Tarantino não deixa de elencar que é seu oitavo filme, com seus planos cheios de estilo e outras marcas registradas, Outra repetição marcante é o ritmo pacato dos diálogos, que vão explicando os meandros do roteiro super-elaborado, e até as idas e vindas da mesma cena, sempre trazendo novos significados.

Circustancias colocam oito sujeitos dentro de uma cabana, escapando da nevasca. Caçadores de recompensa, enforcadores, um xerife e um general. O clima de insegurança se confunde com a aspereza no trato entre eles. Enquanto isso, o cinema de Tarantino segue com os sinais de cansaço da dependência de sacadas muito além do genial, que nem sempre se realizam. E a falta delas dá lugar a repetição, seus filmes persistem com narrativa palatável, com esse amor cinéfilo levado as últimas consequências. Não que isso tudo resulte no frescor de seu início de carreira.

 

Robocop

Publicado: fevereiro 24, 2014 em Cinema
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robocop_2014Robocop (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O remake dirigido por José Padilha mais parece um ponto de encontro de Tropa de Elite com o clássico de Paul Verhoeven. Pouca coisa restou para comparar os filmes, e nessa comparação o cineasta brasileiro sai perdendo. Estão lá desde o apresentador de tv influenciável e manipulador (Samuel L. Jackson), os políticos inescrupulosos e corruptos no topo da pirâmide do crime, e até o espírito do invencível e incorruptível que era representado pelo Cel nascimento e agora surge na figura do Robocop (Joel Kinnaman).

Gary Oldman resgata o médico louco e fascinado pela criação de seu Frankenstein, enquanto o policial robô é transformado numa espécie de justiceiro vingador de sua própria história. Dessa forma, toda a carga humana e o embate homem x máquina (que pareciam temas mais fortes da versão de Padilha) são diluídos por essa obsessão em rapidamente culpar e prender aqueles que causaram o atentado que o transformaram no policial cibernético.

Há vilões por todos os lados, alguns deles por razões pouco explicáveis, é a forma de José Padilha tratar a questão da violência onde, exceto o herói e o povo, os demais são todos os que discordam de seus métidos. E finalmente chegamos às cenas de ação, onde o excesso de câmera tremida e o aspecto visual que mais se preocupa com a “jogabilidade” de um videogame dão a perfeita sensação de sermos coadjuvantes num jogo de Counter Strike. Padilha é hábil nesse processo de invasão da favela (no caso galpões cheios de bandidos armados), filma de todos os ângulos, de maneira ágil e alucinante. Pena que o difícil seja distinguir o que se está vendo. Antes o inimigo era outro, agora está em outro lugar.

osvingadoresThe Avengers (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Que grande farofa cozinhada pelo diretor Joss Whedon. Mas, como nas propagandas das Facas e da meias resistentes: “não é só isso”. A farofa é bem encorpada, tem tomate, linguiça especial, ovo, e outras iguarias pouco comuns. O plano da Marvel foi claro, lançar filmes, independentes de seus heróis, e depois uma franquia que os uma. O futuro promete que os filmes independentes também dialoguem com a franquia principal, garantindo assim mais bilheteria. Se alguns filmes deram certo (Homem de Ferro), outros fracassaram (Hulk, por exemplo foram duas tentativas e nada, só que dessa vez, Mark Rufallo foi quem roubou a cena e pode trazer nova vida ao Hulk).

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E nesse foi momento de unir os Vingadores através da S.H.I.E.L.D, prevalece, acima de tudo, o humor de Tony Stark, multiplicando aos demais. Deixando que as explosões ocupem o resto da história. Sinto falta de uma preocupação mais forte com vilão (Loki), e com uma história que não fosse plausível apenas com extraterrestres (porque desse modo ficou fácil). Mas, se o cinema é capaz de criar um produto para se saborear com pipoca e diversão, os Vingadores é o exemplo máximo.

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Iron Man 2 (2010 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Bastaram dois filmes para que o Homem de Ferro se tornasse um fenômeno, colocado no primeiro plano dos super-heróis, tomando o posto do Superman. Mas o diretor Jon Favreau (que faz ponta divertida nos filmes) não é o grande responsável, foi Robert Downey Jr quem criou o mito. Tony Stark é Downey Jr, excêntrico, carismático, debochado. Os grandes momentos são quando Stark assume sua vida, sem armadura, sem heroísmos.

Quando surge o Homem de Ferro não passa de mais um jogo de bons efeitos especiais e vilões caricatos (dessa vez Mickey Rourke), felizmente sempre há Stark com suas piadas e provocações, o filme está impregnado desse humor de Downey Jr, não importando quais loiras estão ao seu lado (Gwyneth Paltrow ou Scarlett Johansson).

djangolivreDjango Unchained (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A tentativa de Quentin Tarantino em resgatar o western spaghetti, prova que mesmo o gênero feito mal e porcamente, não é para qualquer um. O insucesso é todo de Tarantino, sua presença maior do que seus próprios filmes, ganha aqui contornos de exagero, de quem passa a linha. Primeiro porque a presença de Bastardos Inglórios é tão forte, que Django é praticamente  o mesmo filme, tamanha a quantidade de recortes, cópia de cenas e personagens. O cumulo da preguiça, Tarantino refilma mudando atores e figurinos.

Depois porque é muito possível imaginar um filme sem Django (Jamie Foxx), tão apagada é a figura daquele que deveria ser o personagem central. O filme poderia muito bem ser encerrado no embate entre Christopher Waltz e Leonardo DiCaprio, do que dar voo solo ao Django que passou duas horas como coadjuvante. As forças de Tarantino parecem fraquezas, diálogos tolos, inventividade trocado pelo repetitivo, aquela fonte ambulante de inspiração vivendo de reciclar seu próprio cinema. Alemanha Nazista, EUA escravagista, poderia levar sua saga de vingaça atéo Butão, fazer o mesmo filme é enganar o público, Tarantino faz muito melhor.

jogadaderiscojpgHard Eight (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A câmera segue num plano-seqüência, o plano vai fechando na porta de uma lanchonete, onde focaliza John (John C. Reilly) sentando à porta, no chão, desolado. A imagem representava o olhar, ao caminhar, de Sydney (Philip Baker Hall). Eles trocam uma breve conversa, até sentarem-se numa mesa. Estão em Las Vegas, John perdeu o pouco dinheiro que tinha, sua idéia era conseguir a quantia necessária para o funeral da avó. Sydney promete ajudá-lo com um pequeno truque no cassino.

Surge uma grande amizade. A narrativa pula para dois anos adiante, John é praticamente um seguidor do amigo, porém Paul Thomas Anderson guarda o segredo que os uniu nessa amizade. E este segredo é revelado pelas relações dos dois com a garçonete/prostituta Clementine (Gwyneth Paltrow) e o leão-de-chácara Jimmy (Samuel L. Jackson). Anderson estreava na direção de forma surpreendente, com roteiro enxuto, algumas tomadas lindas, e as primeiras mostras de todo o virtuosismo que estaria presente em seus próximos filmes. Uma história de paternalismo forçado, por um passado obscuro, acontecendo num ambiente onde tudo fede a dinheiro e interesses escusos.

pulp-fictionPulp Fiction (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” A seqüência é longa, mas do detalhe do milk shake até a caminhada ao banheiro, há um quê de genial em cada detalhe. A câmera pegando os atores em perfil, o jogo de plano contra-plano, os cortes entre um Vincent (John Travolta) incomodado, e Mia (Uma Thurman) com olhar penetrante, a música compassada ao ritmo do diálogo, o ambiente anos 50, o tom de voz, o uso do canudo, tudo. Quentin Tarantino me ganhou, aliás, já havia me ganhado momentos antes, na primeira aparição de Mia, ou melhor, apenas seus lábios vermelhos ao microfone.

A esta altura do campeonato, falar de Pulp Fiction é chegar atrasado na festa, quando já comeram os brigadeiros. Tarantino teceu uma fascinante homenagem a literatura Pulp, criou um filme cult, inaugurou um estilo próprio e pop. Agradou q a quase todos Gregos e Troianos, ganhou da Palma de Ouro a um público cativo. Tudo isso com essa violência sanguinária, com a forte influência do Exploitation, e com essa pega tarantinesca de humor e fascínio. São inúmeras cenas inesquecíveis, que mereceriam ser detalhadas, revistas. o diálogo pré-assalto de Tim Roth, os dois gangsteres com paletós ensanguentados, os acontecimentos na loja de som, toda as sequencias com Harvey Keitel.

O sangue e a violência estão por toda a parte, a narrativa, com cronologia bagunçada é somente mais uma peça chave desse quebra-cabeças. Referências espalhada por todos os frames (espada, moto, twist), é a maneira como Tarantino orquestra tudo que gera o fascínio. Violência romântica, quase deliramos com um apertar de gatilho, o sangue jorrando, o humor sarcástico dos assassinos. Num filme sem mocinhos, os bandidos ficam mais fascinantes. Pulp Fiction é puro deleite, e delírio, cinéfilo.

starwars_epsisode3Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que meio torto, por “n” motivos, nada tira o mérito de encerrar com dignidade, a mais bem sucedida saga cinematográfica de Hollywood. George Lucas usou como desculpa a tecnologia precária à época (anos 70) para filmar a história do meio para o fim, e só duas décadas depois, retomar ao início a saga. A estratégia não cronológica rendeu um dos maiores segredos do cinema, finalmente revelados: a origem de Darth Vader, Luke Skywalker e Princesa Leia. Com esse artifício, Lucas cultivou segredos, construiu a imagem de seu temível vilão, e levou Star Wars a esse fenômeno avassalador.

As seqüências de ação não nos deixam respirar. Os poucos momentos de descanso ao público são nas cenas, a sós, entre Anakin (Hayden Christensen) e Amidala (Natalie Portman). De resto são lutas nos mais longínquos planetas, batalhas espaciais e duelos com sabre de luz com os mais diversos participantes. Adrenalina pura. Todo o foco voltado na transformação de Anakin em Darth Vader. Se na interpretação, até consegue ser convincente, os motivos não chegam ao indiscutível. O desejo de poder colabora, mas Lucas escolheu o amor como forma de levar o jovem Jedi ao lado negro da força, simples e eficaz. Encontrar pequenos defeitos não é tarefa das mais difíceis, o desenvolvimento comprometido de Amidala, a pressa atropelante em fechar algumas arestas, a forçada de barra em algumas cenas, são inúmeros casos.

Enquanto Obi-Wan (Ewan McGregor) e Darth Vader duelam num planeta imerso em lava vulcânica, Yoda enfrenta Lorde Sidious numa batalha eletrizante, eram momentos como esses que os fãs da saga esperavam ansiosamente, nada daquela coisa mecânica de lutas coreografadas. George Lucas, enfim, resgatou um pouco do espírito dos filmes anteriores, o romantismo dos combates, a emoção dos confrontos entre espaçonaves, os duelos esgrimistas “com a faca entre os dentes”, e importânicia da disputa política e a sedução pelo poder.

Ao final, toda a história passa rapidamente pela cabeça, os seis episódios formam um compêndio altamente apaixonante. Ver a máscara preta sendo usada pela primeira vez causa emoção. Darth Vader talvez seja o grande vilão do cinema, comovido pelo amor, pela relação familiar, e ainda assim tão temível a ponto de descartar qualquer um.

starwars_episode2Star Wars: Episode II – Attack of the Clones (2002 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E a saga intergaláctica continua. Dez anos se passaram, o jedi Obi-Wan (Ewan McGregor) é o mestre responsável pelo aprendiz Anakin Skywalker (Hayden Christensen), Padmé Amidala (Natalie Portman) agora é senadora da República. No enredo político, intrigas, exércitos secretos de clones e uma forte movimentação separatista contra a República dão a tônica que desemboca em Amidala sofrendo constantes atentados, ao ponto de Anakin e Obi-Wan serem designados a protegê-la.

Aparentemente o diretor George Lucas não tem a menor preocupação com o lado dramaturgico de seu filme, impressão é de tamanho fascinio pelo apuro técnico. Com isso, as cenas transcorrem mal elaboradas, preguiçosamente filmadas, como se Lucas quisesse chegar rapidamente ao que interessa.

O lado romântico lembra as novelas brasileiras, são cenas de planos curtos, falas rápidas e finalização apressada, completamente ausentes de emoção. Não que os atores sejam muito culpados, Hayden Christensen bem que tenta alternar doçura e maquiavelismo, Natalie Portman é uma menina de talento. Só que Lucas filma suas cenas, que não são poucas, como filma os embates com sabres de luz.

E o filme insiste, Anakin vai atrás da mãe, o roteiro tenta explicar o comportamento que será firmado no derradeiro filme, porém, de tão mal acabadas, as seqüências não causam espanto, fúria, não causam nada. E pior ainda, os momentos que deveriam ser empolgantes, com os grandes embates, estão escondidos pela pomposa utilização dos recursos técnicos. Sequencias coreografadas e pouco apaixonantes, ficou fácil matar um jedi.

Quase no final do filme aparece alguma luz acalentadora, Yoda demonstra sua agilidade com o sabre de luz, finalmente o esperado momento glorioso aparece. Talvez falte ao filme humor, Jar Jar é mero coadjuvante, os robôs pouco espaço têm. São esses detalhes que fizeram da saga, algo fora dos padrões, se tornando a maior franquia do cinema. A dúvida entre ser Jedi, e se apaixonar. Os sonhos que perturbam a cabeça de Anakin. A tristeza pelos ocorridos com a mãe são pouco até aqui para Darth Vader. Os dois primeiros episódios dessa nova trilogia não fazem jus à saga.