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gravidadeGravity (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A solidão e a luta pela sobrevivência no espaço. Talvez, desde 2001: Uma Odisséia no Espaço, não se via sequencias, no espaço, tão magníficas. O Planeta Terra, pelos olhos dos astronautas (Sandra Bullock e George Clooney) é de uma imensidão azul fabulosa, hipnótica. Alfonso Cuarón se preparou para realizar um filme para marcar época, se tornar referência em tecnologia, e realmente o fez. Para isso, foram desenvolvidas técnicas de filmagens específicas, um aparato técnico que ajudará o desenvolvimento do cinema.

Numa das cenas, o público vê o espaço, estações espaciais, e tudo mais, por dentro do capacete de astronauta. Essa não é a única forma de simular imersão que Cuarón e se equipe conseguiram desenvolver, a sensação de presença no espaço é forte, como se saíssemos flutuando a qualquer instante. Um fato inesperado, a luta (ou escolha) pela sobrevivência, Cuarón não escapa da tentação de dramatizar, uma pena.

Ao transformar o espaço sideral num terapeuta infinito, onde, alguém desequilibrado emocionante, busca luz, uma válvula de escape, ou, simplesmente sobreviver longe da realidade, dá espaço ao roteiro para cenas melodramáticas, trilha sonora típica e a polarização do suspense nesse drama apostilado (made in Hollywood). Segue visualmente lindo, mas, a superação – não pela situação em si, mas por um bem maior, ligado ao drama pessoal da personagem de Sandra Bullock, é artifício barato capaz de desperdiçar o acontecimento cinematográfico que o filme parecia construir.

Extremely Cloud & Incredible Close (2011 – EUA)

Por que alguns filmes são extremamente melodramáticos e voce detesta, e outros voce gosta? Qual é o segredo, dentro desse universo sentimentalóide, que diverge ao ponto de causar satisfação ou ódio eterno. Afinal, a trilha sonora está lá para intensificar o drama, as emoções são lançadas à-flor-da-pele, a sensação de que o mundo parou para assistir aquele momento inigualável, e voce simplesmente acha aquilo um porre, ou vê lágrimas surgirem em seu rosto. Quem terá explicação para este dilema? Eu, essencialmente, detesto melodrama, posso sentir o açucar escorrer pelos cantos da tela. E por que, mesmo sentindo os momentos melodramáticos, me vi, literalmente, dentro do drama desse garoto e me emocionando com tudo aquilo? Não sei, mas o cineasta Stephen Daldry tem alguma coisa que me mantém conectado.

 Seu quarto filme, todos emplacando indicações ao Oscar. E, ele é um contador de histórias, seus filmes não possuem nada de “autoral”, são adaptações eficientes de livros, sempre causando comoção, sempre expondo o intrínseco de seus personagens. Aqui temos um garoto (o excelente Thomas Horn) lidando com a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center. Daldry, busca total aprofundamento das características do garoto, sua inquietação, a criatividade, persistencia e dificil relação social. Obcecado pelo pai, sai numa busca desenfreada pela fechadura de uma chave (que ele encontrou nas coisas dele, num armário). Essa busca de uma agulha num palheiro, invade casas de desconhecidos para trazer um pouco da relação da cidade com as “vítimas” do atentado de 11 de Setembro.

Max Von Sydow, aparece na segunda metade, e ajuda esse garoto na busca incessante, seu velhinho misterioso (que perdeu a fala) traz nova luz ao filme, e na grande cena o garoto “alucinadamente” descreve sua saga até aquele ponto, é de tirar o folego. É claro, que todos os elementos, convergem para os momentos de melodrama elevados à enésima potência, basta voce ter comprado o drama daquele garoto, ou achar aquilo tudo um porre. O segredo de Daldry talvez seja esse, aos que ele consegue aproximar dos seus personagens, fará emocionar em um momento ou outro. Afinal, o problema desse garoto não é o Terrorismo, mas, simplesmente, a perda do pai.