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amarbeberecantarAimer, Boire et Chanter (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Os últimos dias de Alain Resnais já tinham na morte um de seus cernes. E, foi poucas semanas após esse presente que o cineasta francês nos deixou. Jamais deixou de lado sua inventidade, a capacidade de adaptar outros tipos de arte ao cinema (em especial o teatro), sempre com o charme sedutor de seu cinema complexo e simples (em alguns aspectos).

Lembra muito a estética de Smoking/No Smoking (os cenários que se repetem e fazem alusão ao palco de teatro, a simplicidade artificial do ambiente, os tipos de diálogo dos personagens), mas sem as vindas da história. Trata-se de três casais, ligados por George (citado em todos os segmentos, nunca aparecerá em cena) que sofre de uma doença terminal. Os amigos decidem ensaiar o peça e o convidá-lo a participar. Desse mote surgem saborosos desencontros amorosos, confidencias íntimas, disputas pelo mesmo homem. Alegria, decepções, e Resnais utilizando outra peça de teatro de Alan Ayckbourn para divagar sobre a vida.

A falsa ingenuidade nos diálogos, a doçura com que emoções (e confusões) são expostas, Resnais segue encantando sua plateia com o tempero e a jovialidade de sempre, genial como outrora mostrando como se faz uma comédia, com sofisticação e bom gosto. Um típico Resnais para coroar uma carreira irretocável de um dos grandes.

Uma Juíza Sem Juizo

Publicado: abril 16, 2014 em Cinema
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umajuizasemjuizo9 Mois Ferme (2013 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O título nacional já dá as coordenadas. Trata-se de um filme para não se levar a sério. Uma daquelas comédias cujos acontecimentos só poderiam se passar na cabeça do autor. Uma juíza workaholic (Sandrine Kiberlain) que acredita ser inteligente por manter-se solteira e distante de relacionamentos, uma festa de Reveillon, um bandido acusado de um crime tenebroso (Albert Dupontel). E, um diretor, Albert Dupontel, acreditando que as leves confusões podem soar engraçadas. Até o grand-finale, no meio do tribunal, com um quê de emoção, o filme pega emprestado do que de pior as comédias se utilizam.

Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

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Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

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A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados