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La Cordillera / The Summit (2017 – ARG) 

A todo custo Santiago Mitre tenta dar peso a seu novo filme. Começa escalando Ricardo Darín como um presidente da Argentina, passa pela trilha sonora, excessivamente presente, que busca o tom de Thriller, os dramas familiares do chefe de Estado que se sobrepõe a vital cúpula de países Sul-americanos que ocorre num hotel nas Cordilheiras Chilenas. Intrigas politicas ocorrendo, dentro e fora de seu país.

A cada nova carga dramática, a cada novo movimento no tabuleiro de xadrez, o filme só aparenta ainda mais equivocado. Culpa do peso de cada cena, do ar complacente do personagem, do uso das tramas políticas apenas como preenchimento dos hiatos das questões particulares. A Cordilheira não convence com nem pelos problemas pessoais, e muito menos pelas artimanhas políticas e Mitre cria um abismo onde seu filme só tende a mergulhar, cada vez mais.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Un Certain Regard

paulinaLa Patota (2015 – ARG/BRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que já com alguns trabalhos no currículo, o diretor Santiago Mitre era mais conhecido por roteiros de três filmes de Pablo Trapero. Provalvemente, após sua premiação na Semana da Crítica em Cannes, seu nome possa levantar voo-solo maiores. E é facilmente perceptível a semelhança deste filme com os trabalhos de roteirista de Mitre. Via uma protagonista (Dolores Fonzi) de decisões sempre questionáveis, e louca por discutir com o pai, juiz (Oscar Martínez), o roteiro parte em busca de uma luta entre Paulina e o próprio público.

Na primeira sequencia, pai e filha discutem, ela pretende largar tudo por um projeto social, em região pobre e rural. As tantas discussões a seguir provam que Paulina tem essa necessidade de se autoafirmar frente ao pai, tomando decisões até pouco racionais, mas que sejam próprias (desde que contrárias às dele). Essa disputa familiar é o ponto mais interessante do filme. Para chegar às discussões, Mitre vai da violência sexual à tortura policial. Antes disso, tenta criar clima e justificar a ação do grupo (a tal patota) que caua os atos violentos do filme. Esse sadismo em manter a relação pai-filha tão questionadora, capaz de manter a personagem distanciando da justiça, por uma justiça própria quem nem ela crê, reduzem o resultado a um mero brinquedo provocador.