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The Post (2017 – EUA) 

Da janela da Casa Branca a figura do presidente Nixon, de costas, esbravejando ao telefone contra tudo que o incomoda. O filme repete essa cena, algumas vezes, sempre vilanizando o já vilão. O momento para rediscutir liberdade de expressão nos EUA não é mais oportuno nesses anos de governo Trump. Steven Spielberg se aproveita sim do momento para trazer à tona o embate judicial entre governo e dois dos principais jornais dos EUA (The New York Times e Washington Post) durante a Guerra do Vietna. Em jogo, documentos secretos que provam a irresponsabilidade dos presidentes em seguir com a guerra.

Spielberg transforma em thriller político a dramatização desses dias na redação do Post. O cineasta se mostra um apaixonado em homenagear a arte de fazer jornal, um fetiche repetitivo com cenas das máquinas imprimindo jornais, enquanto as discussões e dúvidas enlouquecem a dona do jornal (Meryl Streep), seu editor-chefe (Tom Hanks) e outros de seus líderes. É uma daquelas histórias fascinantes, mas narrada de forma linda demais, quase datada, e que Spielberg tenta rejuvenescer, via firulas narrativas típicas de Joe Wright.

Sobra edição acelerada no dinamismo das conferências telefônicas que decidiu o que publicar, ou nos planos-sequencias pela redação, assim como excessivamente resta o tom melodramático com que os dramas da toda-poderosa (inclusive o de se impor como mulher e grande chefe) e de se sobrepor aos homens anteriores que ocuparam sua posição (seu pai, seu falecido marido). Spielberg tenta se renovar, mas seu lado nacionalista e antiquada bandeira pela honra e bons costumes ainda aparece quando ele menos espera.

CAROLCarol (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

E Todd Haynes não erra novamente. Um dos grandes, e mais inventivos, cineastas americanos contemporâneos. Dessa vez traz, um romance, ao charme da Nova York dos anos cinquenta. Filme de emoções contidas, porém vividas intensamente nos olhares. De amores reprimidos pelas convenções sociais, e Haynes conduz a narrativa com primor cinematográfico, o todo é de encher os olhos e causar angústia pelos obstáculos impostos.

A atração entre a jovem vendedora Therese (Rooney Mara) e a elegante madame Carol (Cate Blanchett) é imediata, uma conexão inexplicável dentro da loja onde Therese trabalha. Dai em diante, Haynes não desperdiça um fotograma enquanto adapta o romance escrito por Patricia Highsmith. O romance se constitui lentamente, o jogo da conquista ocorre em movimentos tímidos, com naturalidade e preocupação comedidas. O diretor já havia realizado Longe do Paraíso, mas se aquele lembrava os melodramas de Douglas Sirk, seu novo filme é puro requinte e sofisticação. Os diálogos, a atmosfera, a trilha sonora, ou a fotografia, o conjunto gerenciado pelo diretor Todd Haynes resulta num dos mais belos filmes do ano.