Posts com Tag ‘Satyajit Ray’

O Estrangeiro

Publicado: fevereiro 8, 2022 em Cinema
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The Stranger (1991 – IND)

Último filme de Satyajit Ray, já bem debilitado, e cujo roteiro parte de uma história que ele mesmo tinha escrito, anos antes. Relativamente irregular, sempre interessante, como nesse diálogo entre o marido desconfiado e o “suposto” tio-avô da esposa que retornou após 35 anos no ocidente e que pode significar melhor o filme do que qualquer outra coisa que eu pudesse escrever.

“E sobre canibalismo? Já comeu carne humana? Essa não é a prática mais bárbare, selvagem e não civilizada?”

“Não, nunca comi carne humana, mas eu ouvi que o gosto é interessante. Sim, canibalismo é bárbaro, mas sabe o que é mais bárbaro e não civilizado? – A quantidade de moradores de rua e viciados numa cidade como New York. A capacidade de uma civilização derrotar a outra com o simples toque de um botão. Isso é cem vezes mais bárbaro!”

A Casa e o Mundo

Publicado: dezembro 1, 2021 em Cinema
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Ghare-Baire / The Home and the World (1984 – IND)

Sei lá porque tanto adiamento, o fato é que chego tarde, e pelo fim, mas já impressionado pelo cinema do celebrado diretor indiano Satyajit Ray no primeiro filme que finalmente vejo. O título do filme já é curioso ao retratar a dualidade entre tradição e modernidade, o marido com inclinação à cultura ocidental incentiva a esposa a aprender idioma, música e costumes, a sair de casa e se abrir para o mundo. O ano é 1905, o país ainda sob domínio britânico é dividido (a outra parte se tornaria Bangladesh), a burguesia é contra e lança um movimento de boicote a produtos importados (ingleses). Um dos pontos chave é a amizade com um dos líderes do movimento, o marido empurra sua esposa ao movimento político e a situação das ruas se mistura com a tensão sexual entre a esposa e esse líder revolucionário. Dessa forma, Ray retrata a história política e religiosa, os interesses pessoais e ainda permite espaço a questão feminista. É um cinema falsamente simples, de muitos diálogos dentro de casa, de discursos de convencimento e pontos de vista distintos. Um cinema rico que usa da simplicidade narrativa, e dela transborda complexidade.