Posts com Tag ‘Sebastian Lelio’

Desobediência

Publicado: julho 7, 2018 em Cinema
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Disobedience (2017 – RU) 

Sebastián Lelio segue firme clamando pela liberdade em sua filmografia. Pela primeira vez filmando no exterior, o cineasta chileno opta, dessa vez, por uma abordagem mais contida, ainda que sse mantenha entre temas e personagens que persistem como tabus da sociedade moderna.

Começa apresentando Ronit (Rachel Weisz), fotógrafa nos EUA, e que numa rápida montagem o filme deixa claro que preza por sua liberdade. Se sente obriga a voltar à Inglaterra e enfrentar o luto pela morte de seu pai, um importante líder religioso de uma pequena e ortodoxa comunidade judaica. Lelio é muito cuidadoso com as informações ao público, a verdade da relação de Ronit com seu pai e aquela comunidade só vai clareando com o passr do filme,  o reencontro com parentes e amigos é doloroso e cheio de dedos, ou até mesmo de preconceito, uma persona non grata.

A fotografia acizentada, aquela imagem com aspecto de “lavada”, Lelio tenta fazer com que tudo ao redor represente o vulcão de emoções veladas. Ronit se reencontra com Enit (Rachel McAdams) e todo o desprezo dessa pequena sociedade faz sentido quando a chama daquele relacionamento reaparece. Amor, desejo, e também hipocrisia, dogmas religiosos, aversão, o mesmo passado vem à tona. E Lelio mantém a imagem em planos fechados nos rostos das duas atrizes, o que era luto se torna um misto de infelicidade e esperança. A trama segue seus caminhos, sempre contida, ainda que guarde momentos bem sentimentais nos minutos finais (com direito a discurso clichê e tudo mais), ainda que à moda antiga, o chileno tenha coragem de realizar um filme feminino, mergulhado numa sociedade tão machista e capte essa odiosidade geral exposta acima da liberdade.

La Sagrada Familia

Publicado: julho 2, 2018 em Cinema
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La Sagrada Familia (2005 – CHL) 

Agora bem reconhecido mundialmente após o sucesso de Gloria e Uma Mulher Fantástica, o diretor chileno Sebastián Lelio estreava como diretor de longa-metragem com esse ardente e provocativo drama familiar. Filmado quase como uma fita caseira, que oferece um tom meio documental e meio confessional, o diretor explora os limites entre relacionamentos familiares e sexo. Feriado de Páscoa, família chilena tradicionalmente católica recebe a visita da nova namorada do filho.

Atirada, rebelde e provocadora, a jovem causa um rebuliço sexual na casa de praia, e esse tom confessional adotado por Lelio oferece proximidade e a tendência de uma sexualidade menos idealizada. O efeito é a sensação realista, além da provocação de instituições tão sólidas e conservadoras como religião e família. O resultado é irregular, ainda que corajoso e demonstra a tendência de personagens femininas fortes que seu cinema se caracterizou.

Una Mujer Fantastica (2017 – CHL) 

Depois do sucesso de seu filme anterior, Glória, o chileno Sebatián Lelio volta a ganhar destaque internacional com seu premio de melhor roteiro no festival de Berlim. Novamente tem uma personagem feminina como protagonista, só que dessa vez, prefere discutir outras questões que ainda parecem tabu na socidade moderna.

Marina (Daniela Veja) é uma mulher transexual namorando um homem mais velho que tem uma morte repentina. De mero aposto para a familia, Marina se vê como cerne da perseguição de todo o preconceito, amargura e desprezo que a escolha anterior do patriarca causou a sua ex-mulher e filhos. Violência, desrespeito, invasão de privacidade, o filme de Lelio oferece toda essa perspectiva evasiva (pscicológica, social ou física). O constrangimento como forma de extrapolar julgamentos. E nesse momento de dor, e de comportamentos tão caótica, Marina frágil, insegura, se vê numa sociedade incapaz de acolher e que lhe cobra uma dose de coerência social que ninguém sequer rascunha ter para com ela. É um belo filme de recolhimento sentimental, de imposição de gênero, e de sobrevivência urgente.

Gloria

Publicado: janeiro 31, 2014 em Cinema
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gloriaGloria (2013 – CHL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Divorciada, cinquenta anos, Glória (Paulina Garcia) vive sua vida. Em bailes dança, flerta, sai em busca de um relacionamento, sem pudores. É uma mulher moderna, madura, um pouco desequilibrada (como quase todas as mães são). O diretor Sebastian Lelio desenvolve essa fotografia de uma mulher cheia de vida, que não deixou seus fracassos a abaterem. Longe de um tradução definitiva da mulher contemporânea, o filme se coloca apenas como um recorte, bem-humorada ou dramático, da mulher e os tempos de hoje.

O estado civil que nunca é definitivo, o estado de espírito que pode variar da felicidade plena a decepção profunda, e as relações pessoais tão complexas e intempestivas. Lelio demonstra que não importa a idade, homens e mulheres se dividem entre atos infantis, alegrias absolutas, redescobrem o sexo a cada nova relação. Que a arte de se relacionar é de um eterno aprendizado. Paulina Garcia oferece uma cara de espírito livre a sua personagem, uma mulher aberta para o amor, cheia de fragilidades, mas ainda assim capaz de encarar de frente desafios e aventuras, ou de colocar pontos finais mesmo que a carência fale alto.