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Hojoom / Invasion (2017 – IRA) 

O iraniano Shahram Mokri já surpreendeu os festivais de cinema há alguns anos com Peixe e Gato, um thriller filmado num único plano-sequencia com serial killers atacando um acampamento de jovens. O cineasta retorna e repete a fórmula do plano-sequencia único e personagens envoltos em um crime. Só que, dessa vez, tempera com ingredientes apocalípticos, um longo eclipse do sol, uma doença desconhecida, alguém acusado de ser vampiro.

A história já começa com a policia tentando fazer a reconstituição de um crime, no ginásio onde um grupo pratica um esporte (jamais explicado), usam roupas estranhas e tatuagens. Duas pessoas do grupo foram assassinadas, o líder está desaparecido e é o suspeito. A narrativa de idas e vindas no tempo brinca com a reconstituição do crime, e a indecisão do protagonista enquanto tramas de um novo assassinato são planejadas e detalhes reveladores dos personagens são explícitos. É mais confuso e não tem bem resolvido do que o trabalho anterior, mas novamente interessante pela proposta fora dos padrões e as possibilidades com que Mokri filma esse teatro sem pausas.


Festival: Berlim 2018

Mostra: Panorama

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

peixeegatoMahi Va Gorbeh (2013 – IRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O estômago se remexe levemente desde os primeiros instantes, quando o jovem deixa os amigos no carro para pedir informação de como chegar ao endereço pretendido, e é recebido por dois senhores, pouco simpáticos e mal encarados, que quase lhe confiscam sua carteira de motorista, apenas para dar as direções certas. Trata-se de um único plano-sequencia de 134 minutos, um trabalho de ensaio e sincronismo fabulosos, capitaneados pelo diretor Shahram Mokri.

Ele e sua equipe caminham por um acampamento, os jovens ali se alojam para um festival de pipas, nas redondezas homens que trabalham num restaurante, há citações sobre o restaurante utilizando carne humana, sinistro. A cada novo personagem focalizado, um novo ballet minucioso capaz de integrar todos os personagens, revivendo diálogos já vistos, seguindo um a um dos que aparecem em cena.

peixeegato2Enquanto o suspense é pontuado de forma contínua e presente, Mokri consegue desenvolver grande parte dos personagens e suas interrelações. De antigas paixões a novos namoros, pais superprotetores e aparições fantásticas, o filme segue o estilo narrativo de Elefante (de Gus Van Sant), tornando toda a experiência ainda mais rica e instigante. O vai e vem cronológico, o cuidado para que a câmera esteja sempre em movimento, e que faça sentido, e ainda uma trama envolvente (sem pressa), como um bom vinho que é melhor saboreado aos poucos.