Posts com Tag ‘Sharon Stone’

King Solomon’s Mines (1985 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando o assunto é cinema, dei sorte já na primeira sessão, e comecei com o pé direito. Aos sete anos de didade, a professora pediu uma redação, nas férias de julho, sobre o desenho do He-man, que estava em cartaz no cinema. Minha mãe me levou ao falecido Penharama, e havia uma sessão-dupla que consistia no desenho, e antes dele a aventura com Sharon Stone e Richard Chamberlain, na adaptação de J. Lee Thompson para o livro de aventuras.

Portanto, foi com esse sub-Indiana Jones, a aventura da loira indefesa, e Allan Quatermain, pela África, que se dava minha iniciação nas salas de cinema. O filme é uma tola diversão, com canibais, aventuras carregadas de humor, e um tesouro perdido que Nazistas e Turcos procuram incessantemente. Mas, o que ficou mesmo, foi o gostinho da primeira sessão, da pipoca, das poltronas e daquela tela enorme. Entre tribos hostis e medalhas de ouro, os sonhos de uma criança descobrindo um novo mundo.

lovelaceLovelace (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Incrível como uma cinebiografia de uma estrela pornô, com altas doses de violência familiar, consegue ser tão careta. Afinal, a caretice está na forma como um tema é contado, e não no tema em si. Os diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman narram a história da protagonista do mais famoso e lucrativo filme da história do mundo pornográfico (garganta Profunda), e o fazem de maneira caoticamente pouco desenvolvida.

Da tranqueira de marido (Peter Sarsgaard), passando pelos pais ultraconservadores (Sharon Stone e Robert Patrick), Linda Lovelace (Amanda Seyfried) é apresentada como a ingenuidade em pessoa, que cai de paraquedas no mundo do cinema adulto. O filme não consegue traçar um perfil melhor da personagem, não vai além do raso na indústria do cinema desse gênero, e nem dá dimensão das coisas na vida de Linda. Os fatos marcantes como o casamento destrambelhado e os abusos, seu trabalho como atriz pornô, a bandeira que levantou por tantos anos contra a violência doméstica, fica tudo jogado num balaio de gato.

Total Recall (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Clássico cultuado dos anos 90, o filme de Paul Verhoeven (baseado em livro de Philip K. Dick) alia as características dos filmes de ação dos anos 80 (diálogos e interpretações pobres camufladas por sequencias de ação intensas, grandes ícones do cinema do gênero – no caso Arnold Schwarzenegger – e a intenção de salvar o mundo) com aspectos próprios do cinema de Verhoeven (na mesma linha de Cronenberg) onde o bizarro, o feio, não só ocupam espaço, como monopolizam a história.

Viagens interplanetárias, complôs políticos, interesses escusos, rebeldes querendo o poder em Marte, o mundo marginal e cheio de mutantes, ambiente perfeito para um agente secreto (ou um trabalhador braçal sonhando sob efeito de lembranças implantadas) e belas garotas, dividirem a tela com vilões asquerosos, socos e tiros.

O filme é basicamente isso, um roteiro de ideias mirabolantes e um grupo de personagens desagradáveis (e alguns vilões clichê), mas o ritmo frenético e a capacidade de Verhoeven em criar cenas emblemáticas (que ficaram marcadas, como o scanner identificador de metais ou a face que se abre desmascarando Schwarzenegger), dá força e material capaz de garantir seu status cult.

instintoselvagemInstinto Selvagem (Basic Instint, 1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O grande momento em que Sharon Stone despontou para o mundo, por suas curvas vibrantes, mas, principalmente, pelo voraz apetite sexual da personagem que ela traduz tão perfeitamente nesse suspense de requinte libidinoso. Catherine Trammel é uma devoradora de homens, ou para ser mais exato, uma mulher que busca seu prazer sem limites, sem tabus, dona de uma ativa e desregrada vida sexual que encontra no detetive Nick Curran (Michael Douglas) um par perfeito para mais um de seus jogos sexuais.

Um ex-roqueiro morre apunhalado por um picador de gelo durante o ato sexual, ele mantinha caso com uma escritora especializada em psicologia. Seu livro anterior narrava a morte de um roqueiro com detalhes idênticos aos fatos que o levaram à morte. Teria ela cometido o crime e o livro seria seu álibi? Algum fã da escritora decidiu dar vida às páginas do livro?

Quanto mais o problemático investigador mergulha no caso (problemas com alcoolismo, drogas e etc), mais se aproxima da investigada, numa rede de desejo, tensão sexual e desconfiança que nenhum dos dois consegue evitar. Paul Verhoeven mostra-se aqui um discípulo incontestável de Alfred Hitchcock, são inúmeras as cenas em que há impressão de se tratar de um filme do mestre do suspense. Os enquadramentos, o posicionamento dos atores diante das câmeras, algumas das externas, há muito Hitchcock espalhado por todo o canto, porém há essa visão de dominação sexual que é tão marcante e decisiva na carreira do cineasta holandês.

Falar de todo o filme e não citar a famosa cena da cruzada de pernas é quase uma heresia, não só pelo que se vê, mas principalmente pela seqüência completa que é totalmente dominada por Sharon Stone e seu sex appeal enfeitiçando o ambiente. Ela controla todas as ações, deixa aquele bando de homens constrangido com sua verborragia, com sua segurança. A cena é toda de Stone, e Verhoeven sabe extrair o melhor do melhor, os cortes rápidos, o plano contra-plano entre ela e os policiais. Um momento espetacular, de tirar o fôlego.

 

 

instintoselvagem2Instinto Selvagem 2 (Basic Instint 2, 2006 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quem não foi preparado para o pior? De tão negativa a expectativa o filme até consegue surpreender, ele é só ruim demais. Para começar o argumento que sustenta a continuação não tem cabimento algum, a não ser o apelo de caça-níquel, uma mudança aqui e ali, e praticamente repetiram o roteiro do filme anterior. O diretor Michael Caton Jones, não consegue nem de longe repetir o estilo empregado por Paul Verhoeven, sua condução não consegue dar a trama aquele clima de suspense, aquele ar de algo prestes a acontecer, a tensão.

Os atores são péssimos, com destaque pior para David Morrissey, que interpreta o psiquiatra. É irritante notar a mesma feição em seu rosto em todos os momentos, pior que em nenhuma cena aquela feição mostra-se minimamente adequada. Um ator patético, fazendo algumas cenas tão patéticas quanto. A seqüência final é ridícula, no mínimo desnecessária para não dizer coisas bem piores, mas há uma outra cena, num julgamento, em que o psiquiatra confirma uma pergunta de uma advogada de acusação sobre a ré ser um perigo para si, simplesmente medonho.

Nesse mar de incompetência e babaquice há Sharon Stone no que sabe fazer melhor. Ninguém, repito ninguém, transmite essa tensão sexual como ela faz, esse desejo a flor da pele, a vontade de transar o tempo todo, com todo mundo, em qualquer lugar, o apetite sexual mais voraz do cinema. Mesmo com a picotada edição que corta tudo de maneira rápida e não deixa nenhuma cena ser mais apurada pelo público, ainda assim Stone resgata o banho de sensualidade de sempre. Esbanja seu corpo escultural fervilhando de prazer e faz de Catherine Trammell uma personagem memorável. Não, Sharon Stone não é uma atriz espetacular, mesmo nesse filme ela dá suas rateadas, mas nesse tipo de personagem, esse vulcão em forma de mulher, é espetacular.