Posts com Tag ‘Shia LaBeouf’

docinhodamericaAmerican Honey (2016 – RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Em seu novo filme, a britânica Andrea Arnold, queridinha do festival de Cannes, mira seus holofotes a juventude nos EUA. De cara, cenas de impacto de miséria e fragelo humano, duas crianças e uma jovem buscando no lixão comida para levarem para casa. A mais velha é Star (Sasha Lane), rebelde e desiludida, que num misto de interesse e curiosidade se aproxima de Jake (Shia LaBeouf) que a integra ao grupo que viaja os EUA vendendo assinaturas de revistas, de porta em porta.

No grupo, abandonando a família em fragelos, a garota demonstra a rebeldia, aliada a curiosidade da juventude em experimentar, descobrir, e também se impor dentro do grupo. Arnold filma imagens de maneira pulsante, mas sua direção é frouxa em conduzir tais personagens para além da rasa critica de uma juventude perdida dentro de uma América tão poderosa, mas que ainda assim deixa seus filhos tão órfãos.

Corações de Ferro

Publicado: fevereiro 1, 2015 em Cinema
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Brad Pitt;Logan LermanFury (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

De maneira tímida, lá embaixo na lista de apostas, mas ainda constava nas listas dos possíveis indicados ao Oscar 2015. Ufa, ficou pelo caminho, afinal sob direção e roteiro de David Ayer, todo o nacionalismo e clichê de heroísmo pontuam essa nova abordagem da Segunda Guerra Mundial.

Brad Pitt comanda um pequeno pelotão de 5 militares num tanque de guerra, dentro da Alemanha. Aniquilam Nazistas, o filme esboça a loucura da guerra, mas não vai além de muitos tiros com as metralhadoras do tanque de guerra (destaque apenas para a utilização do som). O elenco ainda carrega Shia LaBeouf, mas o verdadeiro condutor da trama é o jovem datilógrafo (Logan Lerman) que acaba no meio das “cobras” do corpo-a-corpo da Guerra. Viva o idealismo do cinema americano que transforma em heróis sádicos que preternsamente doam suas vidas pela pátria. O resultado beira o constrangedor.

ninfomaniaca2Nymphomaniac: Volume 2 (2013 – DIN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Interessante como a segunda parte da saga de Joe (Charlotte Gainsbourg) consegue não se parecer com um soft porn, à lá Emanuelle, mesmo que mantida a estrutura anterior. Trata-se de um filme muito mais denso, e ainda mais pesado, que seu antecessor. A pervertida Joe cruza qualquer limite em prol do saciar da sua sexualidade, vive sua vida através de uma imensurável necessidade por sexo, ainda mais incessante por só ter vivido um único orgasmo verdadeiro (ainda criança, numa cena sobrenatural).

Lars Von Trier, esse provocador. De um lado essa mulher que usa o poder de seu órgão sexual de forma deliberada, de outro um sujeito (Stellan Skarsgard) culto, religioso, assexuado, que ouve com uma curiosidade imensa e comenta com uma sapiência divina (faz metáforas religiosas ou literárias que chegam ao irritante do pertinente). Aliás, ponto fraco notório é essa necessidade de Trier em tentar o culto com simbologias didáticas (aquela da arma numa mancha de líquido da parede é um absurdo). Este é um filme do cineasta mais manipulador do cinema, nunca seria apenas um conto sobre o sofrimento de uma mulher em busca de sua liberdade e autonecessidade (Joe mergulha no sadomasoquismo, em orgias, cenas explícitas e desavergonhadas, como nunca se viu).

Por trás de toda essa provocação diabólica, um cérebro astuto que novamente entrega um trabalho abstrato, contestador e cínico, principalmente nas questões ligadas ao relacionamento humano. Trier revisita temas anteriores (como na questão da maternidade de Anticristo ou a maldade humana de Dogville e Manderlay), despreza o amor, mas abusa de coisas como transformar Joe numa cobradora de dívidas de um agiota (Willem Dafoe). Filma nos mínimos detalhes os cuidados para momentos de violência perversa, sua mente ensandecida traz à tona o que mais se senta jogar pelo tapete, mas por trás de todo esse de sexo explícito e fora dos padrões do “aceito pela sociedade”, estão críticas ferozes a temas que vão desde religião até provocações que devem ter tiro certo (e que nunca saberemos).

Ninfomaníaca01Nymphomaniac: Volume 1 (2013 – DIN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Resumiria o primeiro volume da saga sexual de Joe (Charlotte Gainsbourg) em uma única palavra: estéril. Narrado como mais um capítulo da série de filme de soft Porn, Emanuelle (com Sylvia Kristel), apimentado com comparações filosóficas de um eterno arrogante (Lars Von Trier) que vão desde pescaria até a música de Bach.

O estilo manipulador de Von Trier está ali, suas pretensões faraônicas e a crueldade com que enxerga as relações pessoais também. Mas, ele já parte de uma faísca fraca (não cola aquele papo de narrar as aventuras sexuais ao sujeito religioso que a acudiu no meio da rua), o conjunto de clipes de apelo erótico leve que servem para as tais comparações entre desejo sexual irreprimível e a visão do tal observador (Stellan Skarsgard) são deturpados e nem tão provocativos quanto Lars pretendia.

E ele ainda insiste em cenas de constrangimento particular, especialmente com Uma Thurman em cena. Não que reações enciumadas como aquela não possam acontecer, o inimaginável é a própria Joe se sujeitar, afinal, dona de joguinhos sexuais tão apurados. Mas, é verdade que mais que qualquer outro filme, este carece da segunda parte, onde se espera que o todo faça sentido, e tenha um propósito maior do que parecer uma homenagem prepotente a sagas como as de Emanuelle.

Lawless (2012 – EUA)

A adaptação do livro The Wettest County in the World (de Matt Bondurant), dirigida por John Hillcoat vem cheia de violência e sangue escorrendo. Pode parecer antagônico, mas peca no classicismo narrativo dos filmes da época de Al Capone e a Lei Seca. A violência crua, ao invés de romântica de alguns filmes do gênero, é pouco para dissociá-lo de mais uma história de gangsteres, policiais corruptos e disputas de poder. Além da presença de mulheres passivas e algum herói em atos heroicos inesperados.

Hillcoat não consegue ir além da máxima de mocinhos e vilões, por mais que todos sigam e vivam sob suas próprias leis. Emprega ritmo arrastado, o filme se arrasta na disputa entre o corrupto (Guy Pearce) e os irmãos durões (Tom Hardy, Shia LaBeouf e Jason Clarke), enquanto a elogiada fotografia parece limpinha demais, e as relações amorosas-pessoais variam entre o passivo e o bobinho.

E quando chegam os momentos mais eloquentes, as grandes disputas entre mocinhos (vilões) e vilões, sobra exagero e ressurreição. No começo a história se apresenta como baseada em fatos reais, o que não precisava era parecerem tão super-heróis assim.