Posts com Tag ‘Sidney Lumet’

O Homem do Prego

Publicado: setembro 13, 2021 em Cinema
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The Pawnbroker (1964 – EUA)

Tem sido mais lembrando por algumas curiosidades como a interpretação destacada de Rod Steiger, que ganhou prêmio de melhor ator em Berlim e foi indicado ao Oscar. E também pela polêmica que atrasou por meses o lançamento do filme, nos EUA. Pode parecer bobagem hoje, mas foi o primeiro filme em Hollywood com mulheres exibidos seus seios.

Mas o filme é muito mais do que essas curiosidades, Sidney Lumet usa de edição rápida, com flashes de memória, para intensificar a mente perturbada do judeu sobrevivente do holocausto que agora vive trancafiado, em outro local, em sua loja de penhores. Entre grades e sua vida sem graça, se passa a história desse homem atormendado por suas lembranças e completamente indiferente a qualquer sentimentalismo que seus clientes usam para tentar dar valor às mercadorias que tenta penhorar. Gangster no Harlem, trilha sonora elegante de jazz, a sequencia que compara como 2 personagens encaram o sexo, me parece um filme que tem destaque bem menor do que merecia.

Um Dia de Cão

Publicado: março 1, 2012 em Uncategorized
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Dog Day Afternoon (1975 – EUA)

Colocando de maneira muito rala, é a história de um assalto a banco frustrado. O que desencadeia esse fato é o que Sidney Lumet estava verdadeiramente filmando. Seu filme é vibrante, pungente, excêntrico e até desafiador. Al Pacino é o estopim, a chama que acende e mantém viva a alma do filme, e de maneira visceral, empolgante, anárquica. Primeiro que aos olhos da atualidade, os fatos reais parecem amadores, não é possível imaginar um assalto a banco administrado daquela forma, os tempos são outros, os assaltantes são outros. Porém, o que acontece ali é a transformação do bandido em herói, Sonny (Al Pacino) conquista a opinião pública, atrás da polícia uma multidão grita seu nome, torce a favor, o assalto se transforma numa grande manifestação contra repressão, as autoridades e a polícia.

E, nesse ponto, os gritos inflamados de Sonny contagiam a torcida, sua vibração vai além das motivações que o levaram a tal ato violento e “injustificável”. Sob as lentes da tv, nasce um mártir, dentro dele se misturam tantos sentimentos, que o controle da situação acaba perdido pelas proporções. Os coadjuvantes estão espalhados pelo banco ou na rua, mas o filme é Pacino e Lumet, um colocando lenha e o outro ardendo numa fogueira de sentimentos e frustrações, de conflitos (que envolvem até sua sexualidade) e decisões. Sonny pulsa e com ele todo o público que pode presenciar a verborragia triunfal dos gritos de “Attica, Attica, vocês se lembram”.