Posts com Tag ‘Sienna Miller’

The Lost City of Z (2016 – EUA) 

O novo trabalho, de um dos queridinhos da cinefilia mundial, é o mais eloquente de seus filmes. Por mais que seja vendido como aventura para os públicos do multiplexes, é quase inclassificável pela conjunção de fatos históricos, grau de fascínio pelo novo, e diferente, mas também pelos arcas dramáticos que envolvem o protagonistas (Charlie Hunnan).

O explorador britânico sai numa expedição em busca de informações, novas descobertas, pela inexplorada região Amazônica (inexplorado pela Europa, já que os índios sempre estiveram por lá). Seu interesse real é outro, conquistar o prestígio e renome que até então não conseguira em sua profissão. A viagem pela selva se torna uma obsessão, principalmente em encontrar, e provar a existência, de uma cidade perdida, com sinais de uma civilização com avanços tecnológicos.

O filme de James Gray guarda semelhanças com sua filmografia, principalmente na manutenção do núcleo familiar ativo. Idas e vindas da América do Sul, e a cada retorno, um novo degrau dramático dentro do quadro familiar, seja com a esposa (Sienna Miller), ou com os filhos. A família segue importante no cinema de Gray, por outro lado, sua atenção aos detalhes é substituída pela grandiosidade das paisagens, das possibilidades que a floresta lhe permite. E seu filme se torna mais frio do que costumeiramente, talvez pela interpretação pouco inspirada de Hunnan, talvez pelas inúmeras possibilidades com que o estilo elegante de Fray podia retratar aquele espaço idíliaco.

O resultado final é de um filme saboroso de se admirar visualmente, porém incapaz de fazer o público penetrar em suas subtramas, em seus contextos mais íntimos. Sabemos que filmes na selva são difíceis, mas a opção de ter a ânsia do reconhecimento pelo homem comum, diminui a experiência que poderia ser hipinótica do explorador, e seu desconsolo com o mundo que vive.

Sniper Americano

Publicado: fevereiro 19, 2015 em Cinema
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americansniperAmerican Sniper (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O novo american way of life do americano médio é defender seu país contra o terrorismo, enquanto em casa uma bela família aguarda o retorno do pai herói contra os inimigos islâmicos. São conceitos enraizados após os governos de Bus pai e filho, onde o nacionalismo e a defesa nacional estão acima de tudo. É outro típico trabalho do bom e velho Clint (Eastwood), sereno e republicano, porém antenado as coisas mais íntimas da “sua gente”.

A partir da biografia de Chris Kyle (Bradley Cooper), um atirador de elite americano, que se tornou lenda, pela quantidade de mortes de combatentes inimigos durante batalhas no Iraque, Clint traz a guerra para dentro da cidade, da vida rotineira, para perto de nós. Falando ao celular com a família, disparos por todos os lados, a rua vira um campo de batalha e a esposa ouve tudo do outro lado, frágil, louca, incapaz de fazer nada, os tempos mudaram, tudo está ao alcance de nossas mãos.

Chris é o herói americano típico, se alista depois de ver na tv americanos mortos num ataque terrorista. De caráter integro, de nacionalismo puro, de virtudes únicas. Esposa (Sienna Miller), filhos, o respeito dos colegas, a precisão militar. Clint legitima a decisão dos governantes de interceder militarmente em outros países, enquanto traça o drama particular de Chris, como a dificuldade de adaptação quando longe do campo de batalha.

A posição antagônica de Clint frente a guerra-ao-terror, legitimar e ainda assim realizar um filme tão antiguerra, tem causado discussões homéricas, polêmica por todos os lados. Encontro na visão do velho Clint, o dissecar desse sonho americano: puro e ingênuo, carregado de austeridade e dramaticidade que foge ao melodrama. Por outro lado, o heroísmo exacerbado, o exagero da rivalidade entre antiradores inimigos, Clint não é perfeito, como ninguém é. Homens duros que choram por dentro, mas agem em prol de sua integridade, de suas convicções, de sua nação. É o sonho americano desmistificado, personificado pela incomunicabilidade de um herói cristalino traído por sua própria solidariedade.

FOXCATCHERFoxcatcher (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A polêmica corre solta pela internet, o lutador Mark Schultz (Channing Tatum) dispara tweets bipolares sobre o filme. Sua reação vai do ódio eterno, por sutis conotações homossexuais na história, até elogios rasgados após as indicações ao Oscar. Schultz não se controla, explode, demonstra ser o personagem que o filme expõe.

O diretor Bennett Miller vai ser tornando o homem das biografias do cinema americano moderno. Depois de Capote e Moneyball, ele volta ao mundo do esporte, dessa vez o foco na luta greco-romana. A história beira o fascinante por conta do multimilionário John du Pont (Steve Carell) e seu fascínio pelo esporte. Egocêntrico, carente, frágil, poderoso economicamente, Du Pont se torna patrocinador e líder da equipe olímpica americana. Por mais que o filme tenha predileção por Schultz, é no contido Du Pont que encontra os ingredientes do desequilíbrio emocional, da loucura, da total falta de controle.

Oposto está o irmão de Schultz, David (Mark Ruffalo) com sua personalidade sociável e amável. Os três formam os pilares do comportamento competitivo que o filme tenta preservar enquanto desenvolve a trágica história de declínio de um campeão olímpico. A força do capital, a incapacidade de se desvincilar de uma armadilha não-planejada, algo como cair na areia movediça. Porém, Miller perde tempo, gasta cenas, tem esses personagens poderosos (como era Capote), e resgardo-os excessivamente em cenas contidas. Acelera a história, demora tempo demais construindo o alicerce para ter que terminar a casa de qualquer jeito. Resta um hiato, dose sacal de distanciamento, que o próprio roteiro não dá conta de preencher.

simplesmente umamulherJust Like a Woman (2012 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rachid Bouchareb é mais um daqueles cineastas estrangeiros que se destaca e vai parar nos EUA. E, sabe-se lá porque, realiza um filme onde a sensação é de ter desaprendido a filmar. Uma mistura de Thelma e Louis com algo do gênero tragédia-pouca-é-bobagem. Típico filme feminista, de mulheres sofridas que buscam independência como forma de se reencontrar.

Só que, tudo é tosco, ruim mesmo. Começando pela trama, o desenrolar, passando pelo road movie das mulheres que largam tudo para dançar em restaurantes. É realmente deplorável não há traços do Bouchareb que o levou até aqui. A imigração sempre foi um de seus temas, é verdade, mas aqui está mais relacionado com os aspectos culturais do que a imigração em si. Fiasco retumbante.