Posts com Tag ‘Sissy Spacek’

Carrie, A Estranha

Publicado: maio 20, 2011 em Cinema
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Carrie (1976 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Queria abrir citando três destaques. Começo pelo grau de tensão sexual, comandada por Brian de Palma. Ele traz o pornográfico para dentro do terror psicológico de forma lúdica. A sequencia inicial é o melhor exemplo, no vestiário feminino, e é só o abre-alas, já que a tensão está nas relações entre as estudantes, entre filha e mãe (religiosa mais que fervorosa), e nos desejos reprimidos de uma jovem isolada do mundo. Disso falemos de Carrie (Sissy Spacek), seu rosto de boneca, e sua inocência tardia, que fazem da garota um encanto. E, de Palma consegue trazer doçura nas cenas de flerte, acreditamos naquele início de amor puro, ingenuidade latente.

E, sem esquecer, o mais óbvio, o fantástico domínio do cineasta, em nos fazer mergulhar nas transformações de Carrie White, na fúria reclusa, no universo adolescente. De Palma praticamente se coloca dentro do filme, quase dá pitacos nos comportamentos, é a mão que conduz, que aponta os caminhos, e o faz de maneira aterrorizante. O público agoniza petrificado com esse misto de libido, espiritualidade, amor, desejo, violência, inocência, e fúria. Carrie movimenta os objetos, e nos enlouquece nesse misto de terror e pureza.

Terra de Ninguém

Publicado: fevereiro 7, 2011 em Cinema
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Muita gente aguarda o novo filme de Terrence Malick, aliás alguns já consideram o filme do ano. Isso que o filme já está sendo adiado há mais de um ano, aproveitando a ocasião inicio hoje uma série com 3 posts de filme desse homem que trata como poucos a relação natureza x alma.

Badlands (1973 – EUA) 

 

Lá pelo fim da década de cinqüenta, Kit (Michael Sheen) ganhava a vida como lixeiro, mais bisbilhotando os lixos dos outros do que qualquer outra coisa, enquanto fazia o estilo James Dean, com sua jaqueta jeans e cabelo estiloso. Caminhando pela rua conhece a adolescente, dez anos mais jovem, Holly (Sissy Spacek). Eles simplesmente conversam, dividem momentos junto. Ele não é um ás intelectual, e ela, naquela idade, de apaixonar-se por homens atraentes, suspirando sem enxergar além. O pai conservador não gosta da aproximação, tudo isso seria clichê se Terrence Malick não estivesse baseado numa história verídica de um assassino inconseqüente.

Como Bonnie e Clyde, os dois fogem após Kit atirar no pai de Holly. Estranho como a jovem simplesmente aceita partir com o assassino do seu pai? Veja o filme para entender, eles não são maníacos, porém não são pessoas normais. Entre momentos românticos, no melhor estilo Lagoa Azul (com toda a presença obsessiva da natureza que Malick tanto impõe em seus filmes), cineasta e atores captam a estranheza do comportamento de ambos, a praticidade e imediatismo de Kit. E, principalmente, o aceite de que sempre um homem está ali para regular seu destino, por parte de Holly.

Eles buscavam apenas a tranqüilidade, tal qual quando caminhavam pelas ruas conversando, antes do pai conter a relação dos dois, só que as conseqüências do enfrentamento sempre levavam a outras ainda maiores e eles apenas lidavam com as ferramentas (armas) que estavam nas mãos. Kit, quando preso, é simpático e atencioso, ele não planejava, não desejava o mal, mas o fazia quando se sentia ameaçado como um animal, e Malick expõe esse instinto de forma livre e constante, guardamos assim o grande trunfo de sua estréia.

entrequatroparedesIn The Bedroom (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dr. Matt Fowler (o competente Tom Wilkinson) é casado com a professora de canto Ruth (Sissy Spacek). O filho do casal, Frank (Nick Stahl) está na faculdade, e vem passar as férias de verão com a família. No meio das férias, ele inicia relacionamento com Natalia Strout (Marisa Tomei), mais velha e com dois filhos, e está em processo de separação do marido violento, Richard Strout (William Mapother). A panela de pressão começa a ferver quando Richard passa a estragar a paz do casal, por exemplo agredindo Frank, e todos preferem abafar o caso para não assustar as crianças. A pressão prossegue, até o inevitável e fatídico assassinato de Frank, por Richard, na casa de Natalie.

Começa o sofrimento do casal Fowler, que perde seu único filho, e cada um deles enclausura-se em seus sentimentos e culpas. Eles sofrem calados ,passem apenas a tolerar-se, a culpar pela perda é dolorosa, não consegue olhar para frente e nem enxergar seus próprios erros. A situação chega ao insustentável com a proximidade do julgamento, e os encontros, pela cidade, com o assassino que saiu sob fiança. Estreia precisa na direção de Todd Field, os momentos mais emblemáticos não são mostrados ao público, que apenas subentende o que está ocorrendo, como no momento da agressão ou no da morte de Frank.

Tom Wilkinson é quem mais brilha no filme, sua atuação é contundente, Sissy Spacek trabalha bem, mas sua atuação não mereceu todo o alarde que alcançou. Enquanto que Marisa Tomei está muito bem, na primeira parte do filme, depois é esquecida desaparece da história (o que é um erro, poderia ter sido melhor explorada). O desfecho é surpreendente sob a ótica da vulnerabilidade humana em momentos de fúria.