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As Good As it Gets (1997 – EUA) 

Tem um quê de comédia romântica que define o gênero em sua década. A cada nova revisão, nova paixão, pela forma, como o diretor James L. Brooks, conduz a transformação de um personagem tão solitário, egocêntrico e ranzinza, incapaz de ser gentil ou fazer um elogio, num homem apaixonado, claro que a sua maneira. Esse é Melvin (Jack Nicholson), o escritor de sucesso, e uma personalidade das mais problemáticas. Cheio de manias, como travar e destravar cinco vezes a porta, ou almoçar, todo dia, na mesma cadeira, do mesmo restaurante, e ser atendido pela mesma garçonete, Carol (Helen Hunt). Exemplos de alguns excentricidades, de alguém, com conforto financeiro, e a arrogância como arma de defesa, contra o convício social. Quando alguma situação foge de sua rotina, impera nele o descontrole, como a de um garoto mimado.

O contraponto a todo o alívio cômico do personagem central é mesmo a garçonete. Explosiva, carente que alguém que lhe dê alguma atenção es especial, e repleta de problemas pessoais. Desse caos que, naturalmente, ela é capaz de descongelar o coração espinhoso do escritor rabugento, até por ter a coragem de falar não e impor limites às extravagâncias sociais del. É Helen Hunt quem dá as deixas para Jack Nicholson ser engraçado, cativante, irritante ou, até mesmo doce. E também que permite a Greg Kinnear (o vizinho gay) a surgir como essa revelação inesquecível. O público ri do rude, mas é cativado pelas possibilidades de transformações, pela quebra de limites pessoais, e pelo esforço de transgredir essas barreiras psicológicas, em prol de uma mudança, que possa resultar no dar e receber amor. Sensível e divertido, é James L. Brooks na dose certa.

suandofrioChill Factor (1999 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A estréia na direção de Hugh Johnson, que cuidou da fotografia de alguns filmes como Tormenta e Até o Limite da Honra (os dois de Ridley Scott), não poderia ter sido pior. Um extenso clichê do gênero. Óbvio, hermeticamente impossível não adivinhar o que está por vir. Acontecimentos que abusam da capacidade de quem está assistindo, desde vilão que ressuscitando, até um diálogo medonho e repetido à exaustão: “Ele é perigoso”.

A trama trata do Dr Richard Long (David Paymer) que faz pesquisas com armas químicas (Elvis), numa ilha deserta. Num dos testes ocorre um acidente e morrem 18 militares. O Capitão Andrew Brynner (Peter Firth), um dos responsáveis pelo grupo, leva a culpa e é preso por 10 anos. Brynner decide vingar-se após sair da cadeia e ficar rico. Planeja roubar a Elvis e fazer um leilão entre terroristas pela poderosa arma. Invade o complexo militar onde Dr Long trabalha, mas Long mesmo ferido, consegue escapar e pára numa lanchonete onde encontra o balconista Tim Mason (Skeet Ulrich) e o entregador de sorvetes Arlo (Cuba Gooding Jr).

Dr Long entrega Elvis, aos heróis-de-plantão, e os convence, a levar a poderosa arma às autoridades militares. Elvis deve ser mantida abaixo de 10ºC e o caminhão de sorvetes seria o ideal para transportar. Começa então a corrida dos dois em um velho caminhão, contra uma equipe militar treinada e aparelhada. Atuações precárias são a cereja desse bolo indigesto que mais parece uma bomba radioativa.