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Ela

Publicado: fevereiro 3, 2014 em Cinema
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elaHer (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Spike Jonze começa com uma premonição do futuro. As relações humanas tão complicadas e a proximidade com a tecnologia tão acelerada, em qual futuro estaremos nos relacionando com as máquinas? O plot é lindo, solitário (Joaquin Phoenix) se apaixona por um software que fala com ele (Scarlett Johansson). Espaço aberto para a ternura e a melancolia.

Spike Jonze usa de tons de laranja (vermelho também, mas em menor escala) de uma forma que, provavelmente, jamais se fez (só quem teve uma persiana laranja na sala, como eu, sabe do que estou falando). A opção estética traz cores vivas, iluminação brilhante, um confronto oposto a melancólica exacerbada que o protagonista carrega. É lindo vê-lo em estado de graça, apaixonado por aquela voz que parece corresponder a tudo que ele gostaria de ouvir/sentir/viver.

Por outro lado, esse tom melancólico parece uns dois tons acima do que deveria ser, tudo está impregnado dele. Tanto que, aliado a outras características, o que se pergunta é: o quanto esse filme é uma resposta a Encontros e Desencontros (de Sofia Coppola). Jonze e Coppola viveram juntos e após a separação ela gravou o filme.

ela2A teoria é de que Rooney Mara seria a representação de Sofia, e Phoenix e a tradução da própria melancolia de Jonze. Faz sentido, e sabemos bem que é dessa fase de magoas que muitos artistas transcendem a maior de suas inspirações. Mas, falta ao filme de Jonze sentimento. Afinal, ele está apaixonado (mesmo que por um software), a melancolia é tão grande e poderosa que engole tudo, até o final espertinho. E Amy Adams? Fazendo o que ali? Jonze começa bem com sua premonição até morrer envaidecido por sua própria ideia, afinal não encontrou uma forma de fluir.

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queroserjohnmalkovichBeing John Malkovich (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Por que as pessoas têm tanta curiosidade em saber da vida dos outros? O que há de tão fascinante em não ser você mesmo? Até que ponto nossa privacidade deve ser respeitada, qual o conceito de privacidade hoje? Se é que ele existe este conceito ainda. Num mundo tomado por “reality shows”, ter a possibilidade de entrar na cabeça de um famoso ator é algo surreal, porém instigante.

Craig Schwartz (John Cusack) é um marionetista, apaixonado por sua arte, porém enfrentando graves problemas financeiros. Sua esposa, Lotte (Cameron Diaz), adora animais, e os dois vivem numa espécie de mini-zoológico. Obrigado a buscar um emprego “normal”, e auxiliado pela agilidade com as mãos, Craig arruma um emprego de arquivista. O inusitado começa a aparecer aqui, a empresa está localizada no andar 7 ½. Todos andam meio envergados, porque o andar tem realmente metade da altura.

Rapidamente, Craig se apaixona, no trabalho, por Maxine (Catherine Keener), quem não lhe dá nenhuma atenção. O surreal entra de vez na trama quando Craig encontra uma estranha porta na parede, e descobre que se trata de um portal que vai direto ao cérebro do ator John Malkovich. Bizarro, não? Você entra pelo portal e consegue ficar quinze minutos lá dentro, até ser arremessado à beira de uma rodovia. Obviamente que Craig fica fascinado, e conta tudo a Maxine, que vê a possibilidade de ganhar muito dinheiro.

Os dois abrem uma empresa clandestina, e nas madrugadas cobram dos interessados a passar alguns minutos na cabeça do astro. Maxine vai à procura de Malkovich, e o encontra quando Lotte estava dentro da mente do ator. O resultado é que Lotte se apaixona por Maxime. Craig descobre o amor das duas, “executado” através do corpo de Malkovich, e enciumado descobre uma maneira de controlar o ator, como controla suas marionetes. Sob o comando de Craig, a vida de Malkovich muda completamente e esse roteiro segue por caminhos inimagináveis.

Spike Jonze dirigiu inúmeros clips musicais de sucesso, e também trabalhou como ator no filme Três Reis. Em sua estreia na direção surge um talento inventivo, que flerta com humor leve e agradável, enquanto busca na criatividade e em temas atuais, a vasão para suas ideias completamente malucas. Algumas cenas inteligentes como a perseguição no subconsciente de Malkovich, ou a dança imitando uma marionete, provam que nasce um diretor para se ficar bem atentos.