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L’Ombre des Femmes / In the Shadow of Women (2015 – FRA) 

Dentro da elegância do seu cinema pós Nouvelle Vague, o cineasta Philippe Garrel promove um interessante estudo da alma masculina, ou melhor da alma masculina ferida. No centro da trama temos o documentarista Pierre (Stanislas Merhar) e Manon (Clotilde Courau), esposa e companheira profissional. Juntos mal conseguem pagar o aluguel. Garrel parte para o desenvolvimento dos personagens, naquela fotografia branco e preto, e aquele charme narrativo que seu cinema nos convém.

A trama realmente se instala quando Pierre se apaixona por Elisabeth (Lena Paugam), e descobre que Manon também vive um caso. O orgulho ferido se torna um tormento para Pierre, consumido pela insegurança, apresenta suas fragilidades, perde o autocontrole. A partir dai, Garrel filme a descontrução de um homem, à sombra delas (como diz o título em português), num saboroso estudo do masculino fragilizado. Garrel é cinema para se acompanhar sempre.


Festival: Cannes 2015

Mostra: Quinzena dos Realizadores

aloucuradealmayerLa Folie Almayer (2011 – BEL/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Adaptação livre do primeiro conto de Joseph Conrad traz um mergulho da cineasta Chantal Akerman à Malásia rural, contextualizando a história nos anos 50. Enquanto Akerman se delicia com uma natureza primitiva, num olhar entre o selvagem e um curioso desbravar, ela traz à tona a disputa de raças. São europeus latifundiários, enquanto um país vive dividido entre chineses e malaios.

Outra questão forte é do isolamento, Almayer (Stanislas Merhar) veio da Europa, vive numa fazenda deficitária e sua unica paixão é sua filha. Enquanto Almayer se isola, cada vez mais distante da Europa, de amigos e de sua esposa (malaia), ele trabalha, sem resultados frutíferos. A filha vai para um colégio interno, a busca é por educação européia, sem que se questione a possibilidade da garota se adaptar, ou não à cultura.

A solidão enlouquece, e Chantal encontra uma forma leve de criar claustrofobia, câmera levemente distante e o verde das árvores que não permite ver o céu, a pequena abertura da visão está onde os pequenos barcos param para os tripulantes descerem. Uma vida que parece sem escolhas, apertada pela natureza, pela condição imposta, e pela inércia pessoal. Almayer enlouquece, porque as coisas fogem ao seu controle, e não há estrutura psicológica para reviravoltas.