Posts com Tag ‘Stellan Skarsgard’

vingadores2aeradeultronAvengers: Age of Ultron (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Passada a novidade do encontro dos heróis da Marvel, num mesmo filme, e das sequencias dos filmes individuais, chega a hora do novo encontro dos Vingadores, e surge uma pergunta: Até quando os filmes permanecerão tão iguais? Porque, se teremos uns três filmes por ano, dessa turma, há que se apresentar algo além, ou o público-pipoca se contenta com o humor característico e as expressões de efeito dos heróis diante dos vilões?

Criou-se um ciclo vicioso. O humor de Tony Stark (Robert Downey Jr) precisa estar presente nos demais heróis. O timing humorístico já não é o mesmo porque a fonte seca. Por isso, exceto as brincadeiras com o martelo do Thor (Chris Hemsworth), o rsto não funciona, mas passa batido dentro da farofada que Joss Whedon segue comandando.

O tema inteligência artificial parece a bola da vez em Hollywood. Primeiro foi o esquecível Chappie que retoma a ideia, e agora os Vingadores sofrem também com este advento (em breve teremos o novo Exterminador do Futuro). Ultron (James Spader) e Visão (Paul Bettany) são inserções interessantes ao mundo Marvel, porém ficam de escanteio, em detrimento as farpas trocadas entre Homem de Ferro e Cap. America (Chris Hemsworth), o romance complicado entre Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlet Johansson), ou a tentativa de dar protagonismo ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). A franquia parece mais preocupada em dar suporte aos próximos filmes, do que se estabelecer como um filme interessante. Prefere ser pura farofa.

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umalongaviagemThe Railway Man (2013 – AUS) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Surgiu como postulante ao Oscar, do ano passado, ate suas primeiras exibições. O naufrágio o levou ao ostracismo, e agora estreia, quase sem repercussão. O peso do passado para ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, o fantasma das torturas desumanas. Tantos e tantos filmes assumiram este como tema. Dessa vez, baseado no livro autobiográfico de Eric Lomax (Colin Firth), sob direção pasteurizada de Jonathan Teplitzky, temos um ex-soldado britânico aficionado por trens. Ao invés de desenvolver melhor o personagem, o filme traz um romance (Nicole Kidman), e o peso do mundo sob as costas desse sujeito metódico.

Por meio de flashbacks, a captura e trabalho na construção da estrada de ferro (aquela da ponte do Rio Kwai). O filme não consegue nada além de uma fotografia embacada, cenas de tortura e melodramas carregados de uma emoção nada comovente. A mesmice de histórias dolorosas que se repetem, sem que o cinema esteja ganhando algo além de lagrimas e lamentações.

ninfomaniaca2Nymphomaniac: Volume 2 (2013 – DIN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Interessante como a segunda parte da saga de Joe (Charlotte Gainsbourg) consegue não se parecer com um soft porn, à lá Emanuelle, mesmo que mantida a estrutura anterior. Trata-se de um filme muito mais denso, e ainda mais pesado, que seu antecessor. A pervertida Joe cruza qualquer limite em prol do saciar da sua sexualidade, vive sua vida através de uma imensurável necessidade por sexo, ainda mais incessante por só ter vivido um único orgasmo verdadeiro (ainda criança, numa cena sobrenatural).

Lars Von Trier, esse provocador. De um lado essa mulher que usa o poder de seu órgão sexual de forma deliberada, de outro um sujeito (Stellan Skarsgard) culto, religioso, assexuado, que ouve com uma curiosidade imensa e comenta com uma sapiência divina (faz metáforas religiosas ou literárias que chegam ao irritante do pertinente). Aliás, ponto fraco notório é essa necessidade de Trier em tentar o culto com simbologias didáticas (aquela da arma numa mancha de líquido da parede é um absurdo). Este é um filme do cineasta mais manipulador do cinema, nunca seria apenas um conto sobre o sofrimento de uma mulher em busca de sua liberdade e autonecessidade (Joe mergulha no sadomasoquismo, em orgias, cenas explícitas e desavergonhadas, como nunca se viu).

Por trás de toda essa provocação diabólica, um cérebro astuto que novamente entrega um trabalho abstrato, contestador e cínico, principalmente nas questões ligadas ao relacionamento humano. Trier revisita temas anteriores (como na questão da maternidade de Anticristo ou a maldade humana de Dogville e Manderlay), despreza o amor, mas abusa de coisas como transformar Joe numa cobradora de dívidas de um agiota (Willem Dafoe). Filma nos mínimos detalhes os cuidados para momentos de violência perversa, sua mente ensandecida traz à tona o que mais se senta jogar pelo tapete, mas por trás de todo esse de sexo explícito e fora dos padrões do “aceito pela sociedade”, estão críticas ferozes a temas que vão desde religião até provocações que devem ter tiro certo (e que nunca saberemos).

Ninfomaníaca01Nymphomaniac: Volume 1 (2013 – DIN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Resumiria o primeiro volume da saga sexual de Joe (Charlotte Gainsbourg) em uma única palavra: estéril. Narrado como mais um capítulo da série de filme de soft Porn, Emanuelle (com Sylvia Kristel), apimentado com comparações filosóficas de um eterno arrogante (Lars Von Trier) que vão desde pescaria até a música de Bach.

O estilo manipulador de Von Trier está ali, suas pretensões faraônicas e a crueldade com que enxerga as relações pessoais também. Mas, ele já parte de uma faísca fraca (não cola aquele papo de narrar as aventuras sexuais ao sujeito religioso que a acudiu no meio da rua), o conjunto de clipes de apelo erótico leve que servem para as tais comparações entre desejo sexual irreprimível e a visão do tal observador (Stellan Skarsgard) são deturpados e nem tão provocativos quanto Lars pretendia.

E ele ainda insiste em cenas de constrangimento particular, especialmente com Uma Thurman em cena. Não que reações enciumadas como aquela não possam acontecer, o inimaginável é a própria Joe se sujeitar, afinal, dona de joguinhos sexuais tão apurados. Mas, é verdade que mais que qualquer outro filme, este carece da segunda parte, onde se espera que o todo faça sentido, e tenha um propósito maior do que parecer uma homenagem prepotente a sagas como as de Emanuelle.

osvingadoresThe Avengers (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Que grande farofa cozinhada pelo diretor Joss Whedon. Mas, como nas propagandas das Facas e da meias resistentes: “não é só isso”. A farofa é bem encorpada, tem tomate, linguiça especial, ovo, e outras iguarias pouco comuns. O plano da Marvel foi claro, lançar filmes, independentes de seus heróis, e depois uma franquia que os uma. O futuro promete que os filmes independentes também dialoguem com a franquia principal, garantindo assim mais bilheteria. Se alguns filmes deram certo (Homem de Ferro), outros fracassaram (Hulk, por exemplo foram duas tentativas e nada, só que dessa vez, Mark Rufallo foi quem roubou a cena e pode trazer nova vida ao Hulk).

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E nesse foi momento de unir os Vingadores através da S.H.I.E.L.D, prevalece, acima de tudo, o humor de Tony Stark, multiplicando aos demais. Deixando que as explosões ocupem o resto da história. Sinto falta de uma preocupação mais forte com vilão (Loki), e com uma história que não fosse plausível apenas com extraterrestres (porque desse modo ficou fácil). Mas, se o cinema é capaz de criar um produto para se saborear com pipoca e diversão, os Vingadores é o exemplo máximo.

Breaking the Waves (1996 – DIN)

A pequena comunidade de protestantes ortodoxos vive uma situação recorrente, as mulheres da comunidade se apaixonando pelos estrangeiros que vieram trabalhar nas plataformas de petróleo. Bess (Emily Watson) parecia um caso perdido, de comportamento mental “mais lento” que a maioria, parecia fadada a uma vida mundana com seus pais, mas o filme se abre com o casamento dela com um desses estrangeiros (Stellan Skarsgard). Dona de uma ingenuidade tão grande quanto sua bondade, ela descobre o sexo ali, na festa de casamento, no banheiro, numa experiência mecânica. Lars Von Trier obcecado por casamentos, dessa vez a cerimônia só demonstra acidez na primeira experiência sexual da protagonista desse conto de fadas às avessas.

Conhecendo o que veio a seguir na carreira de Von Trier, percebe-se facilmente as relações desse roteiro com Dançando no Escuro e Dogville, este filme parece ter criado duas estradas onde o cineasta dinamarquês desenvolveu temas como o perverso ante a maldade e o sofrimento elevado aos limites físicos e psicológicos. Desde Bess que Von Trier não demonstra nenhuma compaixão com sua “heroína”, transformando sua bondade num joguete nas mãos perversas de seu marido libidinoso. Porém, diferente de seus trabalhos mais recentes, o poder de manipulação nato do cineasta utiliza-se aqui do esconder fatos do público, do mentir, causando falsos artifícios manipulativos, para, no final, fechar de forma lírica um calvário que parecia demoníaco.