Posts com Tag ‘Stephane Brizé’

Une Vie (2016 – FRA/BEL) 

Os filmes de Stéphane Brizé tem sido prestigiados pelas seleções dos principais festivais de cinema, este trabalho mais recente esteve presente na competição principal do festival de Veneza. O mais curioso é compará-lo com o trabalho anterior (O Valor de um Homem, prêmio de melhor ator em Cannes), os títulos em português deixam ainda mais evidente essa mudança antagônica de protagonismo, e de tentativa de capitar algo da essência de homem (no anterior) e mulher (no atual).

É uma história de época, Judith Chemla vive a represetanção da vida de uma mulher burguesa durante o século XIX. O casamento, as dificuldades de relacionamento, a decadência financeira, as fragilidades. É uma protagonista sofrida, passiva, sempre dominada por homens (marido ou o filho). Brizé opta por uma janela quadrada, que dá a sensação mais claustrofóbica de seus dramas, é uma escolha acertada, dentro de uma narrativa quase modorrenta de tão batida.

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La Loi du Marché (2015 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Escolhido como melhor ator no Festival de Cannes de 2015, o ator Vincent Lindon é o cerne da trama, que tenta provocar o capitalismo, por meio da constatação da falência do perfeito mecanismo do sistema na manutenção do emprego. O desemprego desestabiliza o sistema econômico, desestrutura famílias, e causa rachaduras na integridade humana.

Lindon já vem trabalhando nos últimos filmes dirigidos por Stéphane Brizé, sempre com sua figura sóbria e presença dominante em cena. Aqui a câmera assume função voyeur, está sempre a espreita com distância, seja nas seções de entrevista por emprego, ou  as conversas com a gerente do banco, ou ainda quando ele assume seu emprego num supermercado.

Essa posição de observador oculto, aliada a nova função de segurança do protagonista, facilita a veia de visão crítica da sociedade. A imagem fixa e incomoda sob os que cometeram pequenos delitos, roubando do supermercado, são sempre momentos questionadores à sociedade. O filme trabalha forte em justificar os valores morais do personagem, é uma proposta justa com seu contexto, mas não deixa de ser um desperdício de cartucho em focar todo o peso do mundo sob os ombros de um homem, enquanto uma infinidade de possibilidades surgia bem diante daquela câmera. Brizé está tão obcecado por realizar o final que planejou, que não enxerga as inúmeras possibilidades que estava construindo.