Posts com Tag ‘Stephen Daldry’

Billy Elliot

Publicado: fevereiro 14, 2015 em Cinema
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Billy ElliotBilly Elliot (2000 – ING) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Voltar ao filme de estreia de Stephen Daldry, que rapidamente o colocou como um nome “oscarizável” em Hollywood, após tantos anos e de ter assistido ao musical, chega a ser cruel com o filme. A possibilidade de notar tantas fragilidades, desde o orçamento reduzido que encontra em soluções honestas (e pobrezinhas) alguns caminhos, até a total necessidade de concentrar, única e exclusivamente, o filme no garoto prodígio (Jamie Bell) destacando, assim, uma incapacidade de desenvolver os demais coadjuvantes.

Panos de fundo sem aprofundamento algum, principalmente a questão da greve dos mineiros, na década de 80, Daldry praticamente faz uma adaptação do mundo Disney na Inglaterra oitentista. O garoto sofre, confronta a família, mas é tudo amansado pelo conto de fadas. A relação com a professora (Julie Walters), o despertar da sexualidade, é tudo tão superficial quanto as sequencias pelo bairro de periferia de casas de tijolinho.

A história do garoto que treinava boxe, mas se encanta pelo ballet, enquanto pai e irmão durões lideram uma greve (no Governo Tatcher) que se estende por meses, é encantadora pela magia com que Jamie Bell sai dançando pelas ruas, por como Daldry conduz a história como numa transição de drama a musical, trazendo leveza e encantamento aos carregados sotaques britânicos.

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tothewonder• Abrindo com a interessante discussão sobre o cinema de Terrence Malick, em sua nova fase. De A Árvore da Vida e Amor Pleno (To The Wonder), que dialogam muito no estilo, mas diferem tanto na preferência do espectador. “Seu novo filme é outra obra-prima ou uma parodia de sua terrível tendência?”  [ThePlaylist]

• Noticia fresquinha é que Wagner Moura, nem lançou seu primeiro filme em Hollywood e já está acertando um segundo. Dizem que ele vai trabalhar com Stephen Daldry [AdoroCinema]

• Enquanto isso, Gus Van Sant roda cena teste com Alex Pettyfer para Cinquenta Tons de Cinza. Será ele a assumir a direção da adaptação do livro mais comentado do ano? [AdoroCinema]

homemdeferro2_2• Ontem estreiou Homem de Ferro 3 abrindo a temporada de Blockbusters de 2013. Marvel e cinema são uma parceria de sucesso. Bilheteria concorrida, basta ter filme de super-heróis da Marvel. Aproveitando o momento, bem legal esse especial Marvel 15 Anos – Super-heróis dos quadrinhos no cinema. [AdoroCinema]

• Esse link sobre a Paleta de Cores dos Filmes também é bem interessante, filmes de Scorsese, Hitchcock, Kubrick, Paul Thomas Anderson, Irmão Coen e Tarantino estão lá. [lol, hehehe]

Extremely Cloud & Incredible Close (2011 – EUA)

Por que alguns filmes são extremamente melodramáticos e voce detesta, e outros voce gosta? Qual é o segredo, dentro desse universo sentimentalóide, que diverge ao ponto de causar satisfação ou ódio eterno. Afinal, a trilha sonora está lá para intensificar o drama, as emoções são lançadas à-flor-da-pele, a sensação de que o mundo parou para assistir aquele momento inigualável, e voce simplesmente acha aquilo um porre, ou vê lágrimas surgirem em seu rosto. Quem terá explicação para este dilema? Eu, essencialmente, detesto melodrama, posso sentir o açucar escorrer pelos cantos da tela. E por que, mesmo sentindo os momentos melodramáticos, me vi, literalmente, dentro do drama desse garoto e me emocionando com tudo aquilo? Não sei, mas o cineasta Stephen Daldry tem alguma coisa que me mantém conectado.

 Seu quarto filme, todos emplacando indicações ao Oscar. E, ele é um contador de histórias, seus filmes não possuem nada de “autoral”, são adaptações eficientes de livros, sempre causando comoção, sempre expondo o intrínseco de seus personagens. Aqui temos um garoto (o excelente Thomas Horn) lidando com a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center. Daldry, busca total aprofundamento das características do garoto, sua inquietação, a criatividade, persistencia e dificil relação social. Obcecado pelo pai, sai numa busca desenfreada pela fechadura de uma chave (que ele encontrou nas coisas dele, num armário). Essa busca de uma agulha num palheiro, invade casas de desconhecidos para trazer um pouco da relação da cidade com as “vítimas” do atentado de 11 de Setembro.

Max Von Sydow, aparece na segunda metade, e ajuda esse garoto na busca incessante, seu velhinho misterioso (que perdeu a fala) traz nova luz ao filme, e na grande cena o garoto “alucinadamente” descreve sua saga até aquele ponto, é de tirar o folego. É claro, que todos os elementos, convergem para os momentos de melodrama elevados à enésima potência, basta voce ter comprado o drama daquele garoto, ou achar aquilo tudo um porre. O segredo de Daldry talvez seja esse, aos que ele consegue aproximar dos seus personagens, fará emocionar em um momento ou outro. Afinal, o problema desse garoto não é o Terrorismo, mas, simplesmente, a perda do pai.

O Leitor

Publicado: fevereiro 11, 2009 em Uncategorized
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The Reader (2008 – EUA/ALE)

Stephen Daldry posiciona-se como um cineasta de estilo acadêmico, com convicções formadas e de coesão reluzente. Em algum momento seus personagens, impreterivelmente, enfrentarão a culpa (e provavelmente dela não se libertarão). O Leitor inicia-se sob um romance polêmico, uma mulher vivendo um romance com um adolescente de quinze anos. Ela é prática, direta, coloca-se rigorosamente no papel de amante, e principalmente de tutora sexual do garoto que apenas derrama-se de paixão pela mulher madura de belos traços. Antes ou depois do sexo ele lê, desde romances a Odisséia de Homero, e a mera “cobradora” de bonde sorri, chora, emociona-se com as interpretações de Michael (David Kross). Até que Hanna (Kate Winslet) desapareça misteriosamente da vida do garoto, mas aí já mergulhamos nos personagens e compreendemos a rebeldia familiar de Michael e os limites da vida suburbana de Hanna.

Se a primeira parte apontava para esse romance polêmico, calcada nas fortes cenas de sexo e no aprofundamento literário, o roteiro baseado no livro de Bernhard Schlink traz o reencontro após oito anos da ruptura. E a vida magoada do garoto de coração partido parece o menor dos temas, a discussão parte para os crimes nazistas, para a participação e culpa de soldados nas atrocidades xenófobas, para sequencias de um julgamento marcada pela sinceridade, pela ingenuidade, e principalmente pela inocência de quem escolhia mulheres que seriam executadas como ovos para fazer a massa de um bolo. O ponto forte do filme é exatamente a complexa relação que o público responderá após toda a bagagem de conhecimento dos personagens quando da fase mais romântica. O filme humaniza vilões, sem redimir pecados, apenas mostra maneiras diferentes de se olhar fatos, e nos coloca numa discussão que pode nos levar a uma análise no futuro de atos que cometemos no presente e podem ser graves no futuro (claro que no filme trata-se de um esfera muito mais eclipsada, incomparável).

Daldry peca em detalhes, alguns reclamam da falta de cuidado no envelhecimento de Kate Winslet, quando os problemas maiores são outros como a equivocada escolha de Ralph Fienes para atuar como um alemão gastando um inglês com tom tão fortemente britânico. Aliás, uma história tão alemã falada em inglês é praticamente um sacrilégio. E não é só isso, a necessidade de oferecer respostas, de trazer um pré-julgamento dos personagens, esconda a profundidade da discussão, só que quando resume toda essa história num simples segredo que revelado mudaria o rumo de tantas coisas, o filme recupera seu brilho e novamente nos oferece discussão, análise e boa dose de polêmica.

Os meus 10 Melhores Filmes que entraram em cartaz , no Brasil, em 2003.

arcarussa

  1. Arca Russa, de Aleksandr Sokurov
  2. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
  3. Dolls, de Takeshi Kitano
  4. Segunda-Feira ao Sol, de Fernando León de Aranoa
  5. As Horas, de Stephen Daldry
  6. Embrigado de Amor, de Paul Thomas Anderson
  7. Femme Fatale, de Brian de Palma
  8. Longe do Paraíso, de Todd Haynes
  9. Dez, de Abbas Kiarostami
  10. O Filho, de Jean-Pierre e Luc Dardenne