Posts com Tag ‘Steve Buscemi’

caesdealuguelReservoir Dogs (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Numa manhã qualquer, um bando de homens engravatados (com cara de mafiosos) tomam tranquilamente um café da manha, discutem sobre a música da Madona, brigam por causa de uma gorjeta, tudo parece calmo. Quentin Tarantino acompanha aquela mesa-redonda matinal com uma câmera espreita, eram os primeiros passos de um cineasta que chegara para imprimir seu ritmo e causar frisson, reinventar a união do pop e do cinema autoral.

De um assalto “frustrado” a uma joalheria, e uma diversidade de flashbacks, somos apresentados a cada um daqueles figurões do crime. A narrativa é cuidadosa em traçar seus perfis, nos deliciando com humor áspero permeado pelo vermelho sangue que anda espalhado pelos poucos cenários. Dentro de suas excentricidades, cada personagem é charmosamente estudado, e Tarantino ousa nos fazer apaixonar por cada um daqueles brutamontes cruéis e fascinantes, num filme simples, direto e assumidamente cool que encontra a perfeição da violência gráfica e os primeiros passos desse cineasta cheio de tendências e paixões que fariam de Cães de Aluguel um clássico cult imediato.

contosdenyNew York Stories (1989 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Três grandes diretores unidos, num filme coletivo, para contar pequenas histórias em Nova York. Histórias não conectadas, a não ser por serem passadas dentro da cidade homenageada, e tão filmada por todos eles. Pequenos contos, variando entre a comédia e o drama profundo, abordando temas como relacionamentos, amor, arte, mães e até misticismo.

O primeiro conto é dirigido por Martin Scorsese. Lição de Vida é o melhor dos três segmentos, e é fácil notar o dedo do diretor através de suas obsessões estilísticas. Em cada cena, em cada close, há muito de Scorsese por ali, talvez seja um de seus melhores momentos. Lionel Dobie (Nick Nolte) é um artista plástico completamente apaixonado por sua assistente e amante, Paulette (Rosanna Arquette). A jovem o troca por um comediante, e ele faz de tudo para reconquistá-la. Lionel não consegue viver sem a presença da amada, sofre profundamente, sai de si, e transpassa suas emoções para as telas, embalado na deliciosa trilha sonora (Rolling Stones e outros). Como todo artista, Lionel é excêntrico e difícil de lidar e tenta jogar com a inocência, e fragilidade de Paulette, a fim de confundir e domar a jovem. Nick Nolte em estado de graça.

A Vida Sem Zoe é dirigido por Francis Ford Coppola, e infelizmente parece bem menos inspirado que os demais contos. Narra a história de Zoe (Heather McComb), uma garota de doze anos, que mora num hotel de luxo, enquanto seus pais viajam o mundo trabalhando separados. Muito superficial, tenta mostrar a dificuldade com as relações pais e filha, e do próprio relacionamento sempre distante do casal.

Édipo Arrasado é leve e despretensioso, mas com um roteiro inteligente e inusitado. Dirigido e protagonizado por Woody Allen, consegue fechar muito bem o filme, de maneira agradável e menos densa que os anteriores. Sheldon é um advogado que não consegue conviver com sua mãe, mesmo com cinqüenta anos, sente-se superprotegido por ela, e envergonhado quando ela fala sobre sua infância. Namorando com Lisa (Mia Farrow), que tem três filhos pequenos, e sob desaprovação da mãe dominadora. Sheldon adoraria a idéia de sua mãe sumir (quem não em alguns momentos?). Num domingo, ele leva todos a um show de mágica, e o mágico chama sua mãe para o truque das espadas na caixa. Após o truque, quando ela deveria reaparecer, ela desaparece sem vestígios. Nem o mágico, nem o público, nem o pessoal do teatro, encontram a senhora. Após alguns dias de procura, Sheldon desiste, quando de repente sua mãe aparece no céu. E a figura passa a ficar por lá, de dia e de noite, conversando com a cidade inteira, e se tornando em realidade os piores pesadelos de Sheldon, afinal, não há mais segredos em sua vida particular.

opaizaoBig Daddy (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 

Sonny Koufax (Adam Sandler) é um desleixado, um vida mansa sem limites. Vive da gorda indenização, por um atropelamento que sofreu, e trabalhar, só uma vez por semana, num pedágio. Sua namorada, Vanessa (Kristy Swanson), está cansada do seu jeito infantil e a falta de objetivos. Nessa vida de eterno adolescente, Sonny divide apartamento com seu amigo Kevin Gerrity (Jon Stewart), e adora implicar com a namorada do amigo, Corinne Maloney (Leslie Mann).

De repente, aparece um garoto de cinco anos tocando a campainha, Julian (os gêmeos Dylan e Cole Sprouse), e uma carta da mãe. Ela está doente e mandou o filho para viver com o pai (Kevin). Sonny telefona ao amigo, que está no aeroporto prestes a embarcar. Resolvem esperá-lo voltar de sua viagem de negócios para resolver o problema.

Sonny acha boa ideia ficar com o garoto por alguns dias, para impressionar Vanessa demonstrando alguma maturidade, mas era tarde, ela já estava saindo com outro cara. Com o amigo longe e sem namorada, não resta alternativas a Sonny, cuidar do garoto até o assistente social arranjar uma família para ele.

A força da comédia se faz pelas maneiras pouco ortodoxas de cuidar do garoto. Julian faz xixi na cama, Sonny cobre com jornal e recoloca-o na cama, apenas para exemplificar. Rob Schneider e Steve Buscemi são coadjuvantes de luxo para Adam Sandler brilhar com infantilidades tão absurdas, quanto divertidas.  Das comédias típicas de Sandler e do diretor Dennis Dugan, é a que apresenta algum charme, talvez pela simpatia do garoto, talvez por essa relação paternal (meio torta), por mais que caia do sentimentalismo barato ao filme-de-tribunal.