Posts com Tag ‘Steven Soderbergh’

sex_lies_and_videotape_im_impotent Sex, Lies and Videotape (1989 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Era criança, mas lembro, bem, de um desses seminários de escola e um grupo da minha classe trouxe os 10 filmes mais alugados nas videolocadoras do mês anterior. No fim da lista estava o filme de um tal de Steven Soderbergh, o título com palavras fortes e intrigantes me deixava ainda mais curioso. Muitos anos e filmes de Soderbergh se passaram, e só agora fui descobrir seu premiado primeiro trabalho, importante também como um dos expoentes do cinema independente americano que surgia.

Pode-se notar nele uma oxigenação, alguém fugindo da cartilha que todos seguiam. Não exatamente com vibração, mas uma forma de tratar a imagem que penetrava nos personagens, que os aproximavam do público com angulações de câmera inusitadas, planos fechados e uma tensão latente.

Por outro lado, uma ingenuidade infinita em tratar o tema. A infidelidade entre casais, e pessoas movidas pelo desejo sexual de um lado, convivendo com puritanos ou losers presos à romances adolescentes que sofrem pela ingenuidade. O intrigante de Soderbergh está nas fitas, em seus conteúdos, na maneira como cada um lida com uma câmera fixa tentando falar abertamente de sexo. Essa coisa tão datada anos 80, essa repressão sexual que ficou tão ultrapassada, a comparação atual apenas acentua as imperfeições do estreante (que acabou enveredando pelo cinema dos estúdios e hoje filma qualquer roteiro e sai dizendo que esse será o último filme porque vai se aposentar).

terapiaderiscosSide Effects (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Estava até aceitando quando a ideia parecia de mais um filme acusando a industria farmacêutica de colocar os lucros à frente da saude pública. Parecia ser outro thriller crítico, nos moldes de Jardineiro Fiel, atacando a industria da tarja-preta, os medicamentos receitados por terapeutas.

Não era, Steven Soderbergh (que promete, mas nunca se aposenta) só queria filmar outro filme sobre um-crime-perfeito. Não adianta ter Jude Law e Catherine Zeta-Jones, e uma história cheia de segredinhos, ninguém mais compra só isso. Terapia de Risco cai na mesmice de um diretor que aceita tudo quanto é tipo de projeto, e trabalha com o piloto-automático há tempos (e não percebe). A injeção de animo que ele acreditar impor, só está no ritmo, não na criatividade.

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Michael Douglas chorando ao lembrar do câncer na garganta curado recentemente, Matt Damon dizendo que tem algo em comum com Sharon Stone e Demi Moore (ter beijado Douglas), fora Soderbergh voltando a falar em aposentadoria que promete a cada novo filme, coletiva de imprensa deve ter sido animada.

Outro filme com sua presença questionada na competição principal foi o de Valeria Bruna-Tedeschi, enquanto a ausencia de Claire Denis e Hany Abu-Assad, todo ano essa história, incompreensível em muitos casos.

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BEHIND THE CANDELABRA

behindthecameraSteven Soderbergh está em Cannes, com um filme produzido pela HBO, contando a vida do extravagante musico americano Liberace que escondeu sua luta contra a AIDS até o fim de seus dias. Michael Douglas encarna o pianista, enquanto Matt Damon assume o papel de namorado. Cenas de beijos e sexo entre os astros não vão faltar, Douglas cotado para o prêmio de melhor ator.

Críticas: Cine-VueTwitchUOL Cinema

Termômetro: morno

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LA GRANDE BELLEZZA

lagrandebellezzaChegou a vez de Paolo Sorrentino entrar na competição, muitos elogios (desconfio) para sua revisão do clássico A Doce Vida, de Fellini Novamente contando com Toni Servillo no personagem principal, dessa vez o cineasta italiano vislumbra a história da Itália, até sua decadência. Sabrina Ferilli surge como postulante ao prêmio de melhor atriz.

Críticas: Revista Continente – VarietyO Globo

Termômetro: morno

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UN CHATEAU EN ITALIE

un-chateau-en-italieO filme anterior de Valeria Bruni-Tedeschi foi Atrizes, e pelos comentários seu cinema segue a linha da “força nas interpretações”. No elenco Louis Garrel, Silvio Orlando, Filippo Timi e Xavier Beauvois. A própria diretora assume papel de uma atriz pertencente a uma familia de posses detentora de um castelo na Itália, cuja herança está sendo repartida, mas um dos familiares é contra o processo.

Críticas: Roger Ebert.com – El País – RTP-Cinemax

Termômetro: pé atrás

Traffic

Publicado: abril 28, 2012 em Uncategorized
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Traffic (2000 – EUA)

Nem parece o Steven Soderbergh dos filminhos de assalto de cassino ou outras produções pop com sua turma de amigos. Naquele que talvez seja o filme mais completo sobre o mundo das drogas, o cineasta começa inovando na fotografia completamente diferente entre os segmentos do filme. Um amarelo granulado para o lado mexicano em que se desenvolve a história de dois policiais (destaque para Benicio del Toro excelente) e o combate ao tráfico de drogas, o rumo já sabemos que são os EUA. No tom azulado e sombrio o lado político do homem responsável pela prevenção e combate das drogas pelo governo americano, sofrendo com o vício fora de controle de sua própria filha.

Por último, num tom mais vivo de cores, um traficante aceitando delatar todo o esquema de tráfico a fim de garantir imunidade, uma esposa descobrindo a verdade sobre os negócios do marido, os policiais que se entregam ao ofício. Traffic é vibrante e extremamente técnico (o que parece impossível, impecável e pesado, sem que a emoção seja realmente explosiva). Claro que todas as histórias se tornam apenas uma, porque afinal Soderbergh está aqui apontando todas as facetas do mundo das drogas. Nada escapa dos olhos dessa história, da produção e comercialização, até o combate e os pontos de vendas. O mundo micro e macro desse universo que enriquece alguns e enlouquece outros pelo vício desenfreado. Soderbergh realizou aqui o seu Os Bons Companheiros, deixando de lado o romantismo da máfia para examinar como um todo os que estão direta ou indiretamente ligados. 

Contágio

Publicado: dezembro 18, 2011 em Uncategorized
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Contagion (2011 – EUA)

Deveria ser um thriller eletrizante, abordando uma corrida desenfreada da ciência em estudar, e encontrar uma forma, de parar um virus letal, que se espalha pelo planeta rapidamente. Essa corrida existe, ainda assim, não há nada de eletrizante. O filme de Steven Soderbergh está mais preocupado em declarações à imprensa com novos numeros de casos x mortos, em retratar pequenos dramas pessoais, e, tentar montar, o quebra-cabeças da pesquisa científica.

Lembranças e comparações com Ensaio sobre a Cegueira são automáticas, os limites éticos do ser humano colocados à prova, o ponto em que nos tornamos animais em busca de comida, e/ou, abrigo. Contágio é um filme sem vibração, um elenco cheio de estrelas, um jornalista-blogueiro atrevido, e um tosse-tosse causando mortes ao redor do mundo, enquanto encontra-se uma explicação para demonstrar a fragilidade absurd a que estamos expostos diariamente.

 

The Limey (1999 – EUA) 

Steven Soderbergh é esse nome que saiu do sucesso imediato nos festivais, à popularidade instantânea com suas indicações ao Oscar. Figura de cinema inquieto, capaz de ir do popular ao indie, entre um filme e outro. Veremos o que essa fama, e quase unanimidade, fará dele nos próximos filmes. Entre um Erin Brockoviche e um Traffic, ele lança um filme menor, folhetinesco, cuja a forma de contar a história é muito mais interessante do que seu simples desenrolar.

Wilson (Terence Stamp) é o criminoso profissional inglês, que após sair da cadeia, viaja a Los Angeles em busca de vingança. Há um mês, sua filha morreu em um acidente de carro. Ele acredita que foi assassinato e vai atrás dos culpados. Num ritmo narrativo lento, com idas e vindas temporais, entendemos mais desse tipo estranho que é Wilson, homem sombrio, objetivo e sem medo ou pudor. Nitidamente,é perceptível a mão de Soderbergh na direção, a forma estética, o jogo de câmeras, fotografia, tudo lembra muito os filmes mais consagrados do diretor. O roteiro é bem fraco mesmo, o charme está em Terence Stamp e nessa forma, longe do mainstream, que Soderbergh conduz seu filme, como, por exemplo, nas cenas em flashback de Wilson, que são cenas retiradas de outro filme, A Lágrima Secreta de 1967), e encaixam-se perfeitamente ao todo.