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Super 8 (2011 – EUA)

Tenha em mente um filme que não possui nada de novo, uma coleção de colagens de filmes de sucesso de bilheteria, recheado de efeitos especiais impressionantes. O diretor J. J. Abrams (contando com a produção de Spielberg) realiza um trabalho de costureiro, remenda ideias, um artesão nato em aglutinar todos esses sucessos testados num novo exemplar, encorpado e cativante. Começamos com um típico filme adolescente dos anos oitenta, um grupo de amigos brincando escondido de fazer um filme de zumbis. No meio das filmagens se deparam com um estrondoso acidente de trem que desencadeia uma ação militar que causa tremor na pequena cidade.

Voce não está só numa mistura de Goonies com ET, temos os militares canastrões dos filmes do Rambo e Parque dos Dinossauros, até coisas recentes como Distrito 9 ou Harry Potter. Praticamente o blockbuster do blockbuster, sem grandes astros. Há, na verdade, uma grande divisão no filme, como se fosse água e vinho e nunca se misturassem. De um lado todo o mistério envolvindo o que realmente de tanto valor estava naquele trem (e nesse ponto temos todos os inverossímeis e terríveis exageros do cinema Americano como sobreviventes milagrosos, heroísmos imensuráveis e coisas do gênero). De outro, temos o núcleo dos adolescentes brincando de cineastas, pequenas paixões, o vislumbre das novidades, e algumas atuações notáveis (Elle Fanning dá um banho). Lembra John Hughes, e fascina quem sempre se divertiu com esses filmes de jovens aventureiros, de longe o melhor do filme. Nas mãos de Abrams essa mistura de ação de adulto e aventuras pueris funciona melhor do que a encomenda, e de quebra somos agraciados com o super 8 dos créditos finais realizado pelos “prodígios” (não vá embora sem assistir).

 

 

Os Goonies

Publicado: maio 31, 2011 em Uncategorized
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The Goonies (1985 – EUA)

A palavra Goonies virou saudosista, quando pronunciada traz uma lembrança automática, um sorriso no rosto, uma sensação de aventura juvenil. Aquele que não gosta do filme, favor se identificar, porque toda unanimidade é burra e temos logo que canonizar esse marco dos anos 80. Esse bando de garotos que encontrou um mapa no sótão de casa, onde o pai guardava quinquilharias do museu. E partirão numa aventura alucinante e ingênua para encontrar o tesouro e assim garantir que não tenham que mudar-se de suas casas, enfrentando bandidões, armadilhas, piratas e passagens secretas, formaram um grupo que causou inveja em milhares de crianças, e permitiram ao imaginário infantil ir longe, divagar.

Tudo culpa de Steven Spielberg (que dividiu o roteiro com Chris Columbus) e do diretor Richard Donner, juntos transformaram em algo palpável todos os sonhos que apenas eram representados nos desenhos animados. Personagens inesquecíveis, atrapalhados, corajosos, simpáticos, os Goonies representam a liberdade de sonhar, e será filme obrigatório para as minhas crianças, para as suas crianças, eternamente atemporal.

ET – The Extra-Terrestrial (1982 – EUA)

Haveria outro filme com tamanha força de magia, uma presença praticamente hipnótica no imaginário do público? Provavelmente não. Steven Spielberg nos lança no dia-a-dia de uma família cuja figura paterna é ausente. O cotidiano de ir a escola, briga entre irmãos, a presença dos amigos, o mais novo que deseja se misturar com os mais velhos. De repente, no quintal de casa, um ET, estranho, feio, fofo. Quando teremos provas mais factíveis da presença de vida fora do nosso planeta ou algum contato estabelecido? Tantos anos passados e os questionamentos e crenças permanecem vivos. É na maneira dócil e em todo o encantamento que o ET causa que nos deliciamos com a preocupação das crianças em protegê-lo dos perigos e experimentos governamentais. Se pensarmos bem, talvez seja o blockbuster mais lento do cinema americano, é um filme todo focado nos olhos do encantamento, do vislumbre, mesmo as cenas de “ação” são na velocidade de bicicletas. A parte final exagera na dramaticidade, ainda assim momentos como “et phone home” ou as bicicletas voando ficaram marcados eternamente no imaginário de adultos e crianças.

Jaws (1975 – EUA)

Dois dias após ler o capítulo que fala exatamente desse filme, do livro Como a Geração Sexo, Drogas e Rock N’ Roll Salvou Hollywood (aliás nos próximos dias outros filmes citados nesse livro surgirão), dou de cara com a obra de Steven Spielberg que inventou os blockbusters. E que filme monumental! Tendo as informações fresquinhas na mente então, podendo analisar as dificuldades da filmagem e as escolhas na tela, o trabalho dos atores, deixando o espetáculo ainda mais incrível. Tubarão não é só um marco do cinema americano, mas principalmente uma obra de suspense preciso, de eloquência equiparável aos ataques fulminantes dessa fera marítima, e acima de tudo, uma obra de terror completa capaz de deixar qualquer um arrepiado.

A pequena cidade praiana que depende dos turistas nas férias para sobreviver e por isso a prefeitura prefere correr riscos a tomar atitudes necessárias de proibir os banhistas, não é só de uma realidade brutal, como também cruel. A cada novo ataque, a cada mancha vermelha de sangue chegando á praia, a cada novo perigo que marinheiros ou banhistas correm, Spielberg apresenta malabarismos aterrorizantes, capazes de hipnotizar olhares diretamente para aqueles dentes que teimam em destruir gaiolas ou derrubar barcos, em nos fazer joguetes nas mãos de um diretor habilidoso que não cansa de nos amedrontar.

The Terminal (2004 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A inusitada história do iraniano que mora há dezesseis anos no aeroporto Charles de Gaulle em Paris (sem entrar ou sair do aeroporto), serviu de inspiração para Steven Spielberg dar vida a Viktor Navorski (Tom Hanks). Um país do leste europeu (o fictício Krakozhia) entrar em guerra civil, com queda do governo por parte dos revolucionários, e sofrer sanções internacionais (como bloqueio de passaportes) não parece uma situação tão impossível de acontecer.

Dessa forma que Viktor fica preso no aeroporto de Nova York, sem liberação para entrar nos EUA e sem qualquer possibilidade de voltar a sua terra natal, em plena guerra. Um cidadão sem Nação. Durante seis meses ele passa a viver, literalmente, dentro do aeroporto, andando de roupão por saguões e encontrando maneiras de sobreviver. Tempos de globalização, de acordos internacionais, causando hiatos como esse em que não há diplomacia capaz de resolver.

Spielberg alicerça a narrativa entre a comédia romântica e o pastelão, Viktor faz o gênero meio bobalhão, não fala inglês, é todo atrapalhado e muito querido por todos. Dessa forma, Spielberg transforma essa situação emblemática num filme para a família, foge de questões como a controversa maneira com que os americanos tratam os passageiros aéreos, ou a paranoia com terrorismo. Quer mesmo divertir, com sentimentalismo exacerbado, humor simplório, e aquele ar de conto de fadas.

acorpurpuraThe Color Purple (1985 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Daquela época em quer Steven Spielberg ainda não havia ganho o Oscar, este filme entrou para a história como um dos maiores perdedores do prêmio. Afinal, foram 11 indicações e nenhuma estatueta. Particlarmente, não sou dos que se comovem como melodramas, mas este, de alguma forma, toca de um jeito diferente, por mais que não tenha envelhecido sob o gosto da maioria. Sensível e humano, resgata a história de uma comunidade negra no sul dos EUA. Início do século XX, Celie (Whoopi Goldberg) e sua irmã Nettie (Akosua Busia) moram com o pai, que abusa sexualmente de Celie, ao ponto de engravidá-la duas vezes, os bebes vendidos.

O Sr Albert (Danny Glover) se encanta por Nettie, pede sua mão em casamento, porém, por ser mais jovem, o pai não permite que ela se case antes de Celie. Albert é viúvo, precisa de alguém para cuidar da casa, e de seus filhos, e aceita a garota. Celie passa a viver como uma escrava, apenas a servir o marido, e por isso não tem nenhum tipo de sentimento por ele. Seu pai tenta abusar de Nettie que foge para a casa da irmã, o marido Albert aceita recebê-la. Depois de um tempo Albert tenta abusar de Nettie, e como não consegue expulsa a moça de sua casa. O amor das suas irmãs é o único que Celie já sentiu na vida e separar-se dela é como tirar-lhe um pedaço. Albert é apaixonado há anos por Shug Avery (Margarert Avery), uma cantora de cabaret. E sempre que ela está na cidade, ele corre para vê-la. A cantora fica doente e Albert leva-a para sua casa, onde cria  grande amizade com Celie.

A amizade das duas levanta a auto-estima de Celie, entre tanta violência e histórico de abusos machistas, surge naquela mulher sinais da existência de um ser humano, ainda que carregada de rancor e desconsolo. A essência principal dessa história é o amor, e suas diversas formas de manifestação, por mais complicado ou distante que se possa estar, a chama nunca morre. Spielberg dá foco em detalhes preciosos, gestos e sorrisos, dando assim outro tom ao filme, desviando a dureza de vida daqueles personagens. Whoopi Goldberg está fabulosa, principalmente na memorável cena da separação das irmãs. Mas, a cena mais marcante é q Shug canta Miss Celie’s Blues pela primeira vez.

 

parquedosdinossaurosJurassic Park (1993 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Steven Spielberg é sem dúvida nenhuma um idealista. Inova sem medo de errar, e nos projetos mais inventivos dificilmente erra. É um mestre do cinema comercial, um hipnótico do entretenimento. Raros os casos dos que conseguem obter sucessos estrondosos, repetidas vezes, no mundo do cinema. Dessa vez foram os dinossauros o instrumento de fascinação coletiva utilizada por Spielberg, e novamente emplacando uma das maiores bilheterias da história do cinema.

John Hammond (Richard Attenbourgh) é um milionário que decidiu investir em um parque de diversões, onde as atrações são dinossauros, em carne e osso. Seus cientistas conseguiram trazer à vida diversas espécies, e com um grande esquema de segurança John transforma uma ilha num parque temático. Os investidores têm inúmeros receios, exigem um parecer de segurança, de alguns cientistas especializados, para tocar o proejto em frentes.

Dr. Alan Grant (Sam Neill) e sua namorada, Dra. Ellie Sattler (Laura Dern), juntamente com o Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum) foram os encarregados em inspecionar a ilha. Dennis Nedry (Wayne Knight), responsável pelos sistemas de computação da ilha, tem planos ambiciosos. O vilão nerd conseguiu alguns compradores interessados em embriões de dinossauro, e para roubá-los ele desliga os sistemas de segurança, no momento em que os especialistas estão inspencionando o parque. Dinossauros à solta, pânico está instaurado.

Baseado no best-seller de Michael Crichton, Spielberg realiza outra aventura alucinante. Calcado nos ótimos efeitos especiais que trazem enorme veracidade aos dinossauros, o cineasta marca época novamente. Mesmo com atuações caricatas e nada além do regular, o filme recria personagens perdidos, constrói um universo perfeito para mais uma aventura inesquecível do mago do cinema de sonhos aventureiros.