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Out of Africa (1985 – EUA)

No cinema recente, este filme talvez tivesse outro formato. O apelo poderia ser da mulher empreendedora e corajosa, capaz de largar sua vida aristocrata na Dinamarca para administrar uma fazenda na África. Uma mulher de alguns amores, por mais que um deles tivesse sido o mais marcante. Nos anos 80, o espírito era outro, Karen Blixen (Meryl Streep) só não quer ficar para “titia” e arranja um casamento de conveniência com um amigo (Hans Blixen) para sair de casa. Vivendo na distante África, a aristocrata toma as rédeas do negócio, e descobre o amor nos braços do aventureiro inglês Denys (Robert Redford).

A estrutura clássica impera, Sydney Pollack cria o que poderíamos chamar de melo-romântico, dividindo-se entre pelas paisagens quenianas, o jeito carinhoso de Karen com os negros da tribo que trabalha como empregados em suas terras, e o romance doce e encantador entre Karen e Denys. À beira de um rio, ela está sentada numa cadeira e ele lava seus cabelos, com uma jarra toma cuidado para não deixar escorrer água em seus olhos, essa cena resume bem o espírito desse amor. Ainda que, conflitos e decepções, antagonismo em pontos de vista de um relacionamento e outros percalços tornem-se esse mais um amor de carne e osso, a forma como Pollack conduz esse enredo quase piegas diz tudo sobre o cinema da época do filme e a maneira mais pura de se tratar o amor.

FIRM, THE, Wilford Brimley, Tom Cruise, 1993

The Firm (1993 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Houve uma época de uma febre de filmes baseados nos livros de suspense policial, envolvendo advogados e júris, do escritor John Grisham. Sob a direção de Sydney Pollack, o best-seller sobre ética profissional não passa de um típico produto do cinema de Hollywood da década de 90, quando este tipo de suspense criou astros e marcou grandes bilheterias. A previsibilidade do roteiro, desfechso mirabolantes, sempre conectados com narrativas de prender a atenção marcaram o gênero na época e Pollack não conseguiu desvencilhar-se desse movimento.

Quando dois advogados morrem, misteriosamente, em um acidente com um barco em Cayman, é que o promissor récem-formado advogado, Mitch McDeere (Tom Cruise), descobre as verdadeiras facetas da firma (câmeras os observando, telefones grampeados, chantagem) que parecia preocupar-se tanto com o bem estar de seus funcionário, pregando a estabilidade, apoiando os casais a terem filhos, e mantendo a inabalável estatística de nenhum funcionário divorciado.

O FBI investigando os donos da firma, acusados de lavagem de dinheiro. Mitch é forçado a roubar provas, em troca de sua proteção, e da liberação de seu irmão que está preso por homicídio. Entra em cena a discussão da ética, do juramento de advogado, frente a própria sobrevivência. A dúvida ética é logo substituída pelo thriller de ação e perseguição, tão presentes nos livros de Grisham.

maridoseesposasHusbands and Wives (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Woody Allen apresenta um formato diferente de seus filmes, um falso documentário sobre matrimônios, apontando problemas mais reais dos casamentos atuais. As inseguranças expostas sem julgamentos, os fatos são contados sem a busca pelo dono da razão. Maridos e esposas é divertido por ser tão real. E essa sensação de veracidade é intensificada pela câmera na mão, as tomadas tremidas. Dizem as más línguas que muitas das situações narradas foram vividas por Woody Allen, em seu casamento com Mia Farrow.

O filme começa com um longo plano-sequencia, câmera na mão, a imagem é mio suja e os personagens e objetos atrapalham um pouco a cena. Nessa cena estão os casais Gabe Roth (Woody Allen) e Judy Roth (Mia Farrow), e Jack (Sydney Pollack) e Sally (Judy Davis). São muito próximos, mas aquele encontro é para informar que Jack e Sally estão em processo de divórcio. A informação pega o outro casal de surpresa, causa estranheza.

A partir daí, o filme é narrado por depoimentos dos quatro, respondendo perguntas de um entrevistador, relembrando fatos. Tais depoimentos servem para resgatar todos os tipos de problemas comuns em matrimônios, como crises entre os casais, a atração dos homens por mulheres mais jovens, a busca de mulheres por outros amores, a briga entre ex-casados. Tudo tratado de maneira simples, em diálogos bem elaborados. E como na vida, o vai e vem leva cada um destes personagens ao seu rumo, cada qual com suas características e diferenças em personalidades. E seguem rumos que muitas vezes ninguém imaginaria. Traições, flertes, vidas amorosas expostas num belo filme de Woody Allen.