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Entre os dias 27 de Setembro e 6 de Outubro, o Rio de Janeiro terá a oportunidade de assistir a muitos dos principais filmes do ano, em mais uma daquelas maratonas cinéfilas que enlouquecem os fãs da Sétima Arte.

Mesmo não podendo estar presente ao evento, separo abaixo alguns links de filmes que fazem parte da seleção do Festival e que já foram comentados por esse blog:

Another Year, de Mike Leigh ****

César Deve Morrer, de Paolo e Vittorio Taviani ***

Elefante Branco, de Pablo Trapero **1/2

Elena, de Andrei Zvyagintsev ***1/2

Hemingway & Gellhorn, de Philip Kaufman **

Hysteria, de Tanya Wexler **

Parada em Pleno Curso, de Andreas Dresen ***

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Histeria

Publicado: julho 10, 2012 em Cinema
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Hysteria (2011 – EUA/ING/LUX/FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Você já conhece a velha frase do “Baseado em fatos reais.” abrindo os créditos iniciais dos filmes. A ênfase com o “realmente”, logo após a informação de história verídica, dá esse tom fofo de diversão despretensiosa. E essa é a tônica, os figurinos de época retratando a Londres do século XIX, e a rebuscada maneira nos tratos sociais são apenas a camada frágil revestindo o filme, que pouco (ou nada) ousa, além do tema inusitado. Afinal, relatar como foi inventado o vibrador, não deixa de ser bastante inusitado.

Curioso que naquela época julgava-se pela medicina a “histeria” feminina como uma doença acometendo 50% das mulheres. O tratamento seria uma espécie de massagem pelas regiões íntimas, no intuito de se buscar alívio, e alguma tranquilidade para as que apresentasse esses sintomas de ansiedade, inquietude, até comportamentos mais agressivos. E os médicos acreditavam piamente (segundo o roteiro) que aquilo não oferecia prazer às mulheres, a ingenuidade masculina vem mesmo de longa data.

Enfeitar um assunto polêmico até que estivesse palatável a “quase” toda a família é a forma como a cineasta Tanya Wexler resolveu enquadrar seu filme de época. O tom de comédia vem bem a calhar, até mesmo na superficialidade de seus personagens. Há a moça de família preparada com as qualificações para gerir uma casa, o dócil e polido cavalheiro de futuro profissional promissor, o pai preocupado com a etiqueta e os melhores arranjos sociais e a mulher rebelde e feminista, instável e humana.

Esse conjunto de estereótipos de filme de época está longe de ser tratado com o requinte de um Orgulho e Preconceito, ou, ao menos, capazes de transmitir as emoções do romance que se sugere ou da humanidade explosiva a qual Maggie Gyllenhaal e Hugh Dancy gostariam de imprimir a seus personagens.