Posts com Tag ‘Tata Amaral’

Hoje

Publicado: maio 7, 2013 em Cinema
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hojeHoje (2011) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Vera (Denise Fraga) está de mudança. O tal de abrir caixas, escolher onde os móveis ficarão, encontrar pequenos problemas aqui e ali – como uma torneira que não para de pingar. Nesse turbilhão de novidades e pequenas preocupações, ela reencontra um fantasma do passado e a mudança se torna um ajuste de contas entre acusações e emoções.

Todo filmado dentro do apartamento, a diretora Tata Amaral resgata a ditatura militar (o público já cansou desse tema, só os cineastas brasileiros não perceberam) com lembranças das torturas, desaparecidos e a ferida que não cicatriza. A sensação claustrofóbica de um Quem Tem Medo de Virginia Wolf?, ou até mesmo de um Deus da Carnificina, não chega a ser projetada com a mesma eficiência.

hoje2Enquanto a tensão toma conta de Vera, dois homens carregam a mudança, praticamente sem função na trama a não ser trazê-la novamente à realidade. O desenrolar justifica o retorno ao tema, mas a total despreocupação com a existência de smartphones em 1998 (filme se passa nessa data) é apenas um exemplo da maneira carinhosa, porém nada descuidada com que o filme é todo construído.

Um Céu de Estrelas

Publicado: agosto 27, 2011 em Uncategorized
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(1996)

Aquele prefácio em preto e branco, com um bairro da Mooca operário, cinza, desesperançoso é apenas perfume perto da panela de pressão que está por vir. De baixíssimo orçamento, e inteiramente passado dentro de uma casa singela, o filme de Tata Amaral tem aquele aspecto sujo, imagem fétida, perfeita tradução de pobreza, de gente humilde. Dalva (Leona Cavalli, à época uma jovem desconhecida) está à espera da mãe em casa, quem chega é o ex-noivo, o pretexto de devolver alguns pertences. Sempre desculpa para reiniciar discussão, a busca por persuadir, a esperança de um retorno. Do amor à loucura num instante, o fim da relação vira um caso policial, a câmera treme tanto quanto o desespero de Dalva, o filme busca tensão o tempo todo, a situação é realmente caótica (e cada dia mais verídica, basta sintonizar os telejornais policiais), ainda assim o filme desfaz-se lentamente dentro de suas próprias características O claustrofóbico é maior pela situação do que pelo que o filme transmite, a cena de sexo talvez seja o mais emocional e desesperador que haja em todo o filme, enquanto isso só aguardamos que o desfecho não seja acachapante.