Posts com Tag ‘Teodor Corban’

aferimAferim! (2015 – ROM) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta Radu Jude, que ainda não tinha explodido nesse cenário de reconhecimento mundial do cinema romeno, enfim ganha destaca numa espécie de faroeste medieval. Um agente da justiça (Teodor Corban) parte numa caçada a um cigano acusado de fornicar com a esposa do patrão. Por meio da bonita fotografia em preto e branco, o tal policial e seu filho, com seus cavalos, cruzam vilarejos farejando pistas do procurado.

É uma reconstrução de época (neste caso o século XIX) bem mais limpa do que Hard to Be a God, e bem menos contundente também. Resguardando suas críticas a costumes e tradições já para o final do filme, quando a burguesia mostra sua forma de fazer justiça e cobrar respeito. Nesse cenário atual de intolerância racial e rediscussão da geopolítica, Aferim! vem resgatar que os mesmos problemas persistem, tanto no convívio, quanto na exploração.

alestedebucaresteA Fost Sau N-A Fost? (2006 – ROM) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

De princípio a câmera é relativamente voyeur. São três os personagens focados, por entre cantos e portas entreabertas. Um professor constantemente bêbado, o dono de uma minúscula emissora de TV, e um senhor de idade. Retrata o despertar dos três, uma manhã qualquer. O professor acorda de ressaca e discutindo com a mulher (momentos engraçados). Uma briga entre pai e filha por ela não querer cobrir o reveillon na tv. Enquanto isso, o senhor de idade brigando (literalmente) com a TV.

Corneliu Porumboiu desenha ricamente a personalidade de cada um deles, ainda não sabemos aonde estes personagens irão se encontrar (ou confrontar). A segunda parte é uma, não diria crítica, e sim constatação, da realidade romena (extensível a de todos os países do extinto Segundo Mundo?). Num programa de tv, nossos três personagens encontram-se debatendo fatos que ocorreram há dezesseis anos. Teria ocorrido uma revolução nessa pequena cidade à leste de Bucareste antes da queda do ditador Nicolau Ceausesco?

Nesse instante o filme descamba, a câmera inquieta, porém não fica estática, o amadorismo do operador de camera, o tosco do cenário e do programa em si, principalmente nos debatedores. É um desfile de gargalhadas, as discussões entre os participantes da mesa redonda e os telespectadores que os desmentem por telefone, retratos de um país com falsos heróis e um povo cansado de ser enganado, iludido, e assistir a tudo calado.

Fico me coçando de vontade de descrever alguns momentos inesquecíveis, onde é impossível conter os risos. É verdade que estão muito mais ligados à peculiaridade dos personagens, do que a estrutura proposta por Porumboiu, e daí? O filme vive dessas pequenas riquezas não vão sair da memória. Por exemplo, a fila dos amigos esperando o professor receber o salário para que ele pagasse as dívidas, ou o velho fazendo barquinhos de papel em pleno programa ao vivo. Um filme de pequenos e toscos, porém grandiosos momentos.