Posts com Tag ‘Terrence Malick’

Song to Song (2017 – EUA) 

Atualmente, é possível observar que A Árvore da Vida era o prenuncio da nova fase da carreira de Terrence Malick. Fase esta que testa a paciência de seus fãs, e pouco se esforça em angariar novos. Os três filmes a seguir (Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e este novo) quase formam uma obra única, fechada nesse cinema sensorial, de narração em off com frases edificantes, enquanto a câmera baila por enquadramentos que buscam a intimidade máxima e elegante de corpos que se encontram ou que refletem o vazio.

Amor Pleno tinha o triângulo amoroso e a dor, já o Cavaleiro de Copas é ainda mais próximo que esse novo filme, ali um escritor (Christian Bale) vivia de festas luxuosas, sexo farto e grandes vazios. Malick mergulha seus personagens em Austin, o berço da cultura indie americana. Todos os personagens ligados a festival de rock, formando dois triângulos amorosos. Mesmo com a tendência de explorar a classe artística, não se nota em Malick a preocupação sua critica sobre o vazio existencial, a vida de luxos e luxúrias. Não, Malick parece mesmo sensibilizado pelo amor, pelas relações pessoais vindas do amor e do sexo. Além da separação, a dor, a reconciliação, o desprezo e a dependência. E seus filmes flutuam, sempre com as narrações em off que traduzem sentimentos, enquanto tentam ensinar (elucidar) ao público. Em todo esse contexto, surgem algumas cenas lindas, mas não deixa de ser um cinema cansado e circular.

George Washington

Publicado: setembro 10, 2013 em Cinema
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George Washington (2000 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

David Gordon Green é, declaradamente, fã de Terrence Malick. Essa adoração pode ser notada claramente em seus primeiros filmes, este, que marca a estreia do diretor, é aberto com uma narração em off, típica de Malick, enquanto a imagem acompanha diversos personagens por uma área rural e pobre da Carolina do Norte.

Num formato pretensamente simples, Gordon Green trata de tragédia e heroísmo, mexe com a cabeça daqueles garotos. Um cinema de sensações, e de observações. Garotos com seus 12 anos conversando sobre a vida, naquela fase em que estão deixando os brinquedos por outros interesses. Guardando segredos, e tratando desse mito de ser herói americano, o boom que fatos diferentes podem reagir de maneiras tão distintas na cabeça de meninos.

Gordon Green prefere amansar a questão racial, resgata a figura do primeiro presidente americano, são conexões particulares, quase poéticas: o garoto sonhador, a menina que troca de namorado, o pacto entre amigos, o calor, a representatividade da capa para identificar um ato heroico. Um rito de passagem, extremamente sensitivo, que quase se perde pelo calor que quase extrapola a tela, nas falas mansas, na pobreza inequívoca.

tothewonder• Abrindo com a interessante discussão sobre o cinema de Terrence Malick, em sua nova fase. De A Árvore da Vida e Amor Pleno (To The Wonder), que dialogam muito no estilo, mas diferem tanto na preferência do espectador. “Seu novo filme é outra obra-prima ou uma parodia de sua terrível tendência?”  [ThePlaylist]

• Noticia fresquinha é que Wagner Moura, nem lançou seu primeiro filme em Hollywood e já está acertando um segundo. Dizem que ele vai trabalhar com Stephen Daldry [AdoroCinema]

• Enquanto isso, Gus Van Sant roda cena teste com Alex Pettyfer para Cinquenta Tons de Cinza. Será ele a assumir a direção da adaptação do livro mais comentado do ano? [AdoroCinema]

homemdeferro2_2• Ontem estreiou Homem de Ferro 3 abrindo a temporada de Blockbusters de 2013. Marvel e cinema são uma parceria de sucesso. Bilheteria concorrida, basta ter filme de super-heróis da Marvel. Aproveitando o momento, bem legal esse especial Marvel 15 Anos – Super-heróis dos quadrinhos no cinema. [AdoroCinema]

• Esse link sobre a Paleta de Cores dos Filmes também é bem interessante, filmes de Scorsese, Hitchcock, Kubrick, Paul Thomas Anderson, Irmão Coen e Tarantino estão lá. [lol, hehehe]

tothewonderTo the Wonder (2012– EUA) 

Se o filme anterior de Terrence Malick recebeu muitas críticas, principalmente de seus fãs mais fervorosos, é de esperar a estranheza que virá com esse novo passo, dentro do caminho que Malick está trilhando em sua carreira. A proposta narrativa diferente veio para ficar, o cineasta busca o sensorial, ao invés do puro e simples “contar uma história”. Indo além nessa linha, seu filme é todo compostos de diálogos raros, substituidos por reflexões dos personagens que funcionam como instrumento duplo: pontuar o público e expressar os sentimentos, como se pudêssemos ler pensamentos.

A história narra um amor (Ben Affleck e Olga Kyrylenko) que surgiu na França. O namoro à distancia, as dificuldades da vida à dois, separação, paixão (no romance com Rachel McAdams). Por meio de fragmentos, Malick propõe o jogo da intimidade. Filma mãos, corpos, cabelos contra o vento, momentos vagos entre quartos e janelas. Há outra forma de amor abordada, como o padre (Javier Bardem) em dúvidas em sua fé. Malick se converteu a estudar o amor, mas busca formas de trancá-lo numa garrafa e gravar em imagens. Nessa linha tênue entre o lírico e o abstrato, seus riscos de erro são grandes, e dessa vez fatais.

No domingo a decepção (ou, pelo menos, divergência de opiniões) com o filme de Terrence Malick, ‘To The Wonder’ conta no elenco com Ben Affleck, Javier Bardem e Rachel McAdams. Amor, filosofia e religião aparecem novamente como temas, dessa vez narrando todas as fases de um amor (do nascimento ao fim do relacionamento), com a gradiosidade e o detalhe nas pequenas coisas (como em Arvore da Vida, seu filme anterior).

Críticas: In-ContentionEl PaísCine-Vue

Termômetro: de olho

Susanne Bier está de volta com ‘Love is All Your Need’, dessa vez com uma comédia romântica, estrelada por Pierce Brosnan e Trine Dyrholm, e foi exibido fora da competição. A trama trata de um relacionamento maduro, o surgimento do amor, as dificuldades em se enfrentar um câncer.

Críticas: Screen DailyEl PaísÚltimo Segundo

Termômetro: morno

Na competição, ‘Fill the Void’, do diretor Rama Burshtein, dividiu opiniões. A história traz novamente a vida de Judeus Ortodoxos, uma jovem animada com seu casamento arranjado até que a comunidade decide trocar o noivo por um recém-viuvo com filho pequeno. O confronto com sua vontade de ser a primeira esposa, casar-se com alguém da sua idade, a luta pela felicidade.

Críticas: Screen DailyEl PaísHollywood Reporter

Termômetro: morno

The Tree of Life (2011 – EUA) 

Uma ode à vida, um filme-testamento, a dor humana em seu estado latente. Apenas fragmentos conectados a alguma cronologia de uma história familiar não linear. Aspectos da vida de um pai, versos soltos sobre a tarefa do viver. Difícil definir o resultado dessa realização de Terrence Malick, melhor, não pede definição, não há necessidade. Verdadeiramente, trata-se de uma experiência, e uma experiência sensorial, auditiva, sensitiva e intuitiva (só para ficar em alguns termos). “ame cada folha, ame cada raio de sol” pode soar como autoajuda, um desses workshops ou Powerpoints, retocados pela pretensão absurda de um realizador que conecta a vida de uma família de pai opressor à formação do planeta, à existência dos dinossauros.

Não é bem isso, mais próximo está de uma espécie de ensaio, a leitura da mente de personagens angustiados, Malick traduz suas maiores ambições num conjunto de sequencias onde o importante é o nos fazer sentir. E como ele nos faz sentir. Seja a dor da relação pai-filho, seja a perda, ou a solidão. Malick deixa espalhadas pequenas percepções, como se semeasse na mente do público, sem nunca perder as obsessões de sua “pegada” autoral.

A felicidade (e um pedido de atenção) nas pequenas coisas, nas pequenas belezas. O amor como necessidade humana, e a solidão que infelizmente aflige a praticamente todos. Um filme sobre a vida, e sobre as relações humanas, cenas lentas, repletas de narração em off que mais embaralham do que explicam. Seria uma forma de poesia? Talvez, sim, talvez não, Malick propõe um jogo. A vida, a morte, a fé, os sentimentos incorrigíveis que se acumulam, que afastam as pessoas. Tudo isso refletindo essa experiência grandiosa. Não se trata de um filme fácil, porque devemos captar esse universo simultaneamente macro e minimalista. Malick vai ao grandioso, mas quer tratar do minúsculo, e fere, nos faz sentir o vazio que não está entre os corpos num abraço paterno, mas entre as almas que habitam o mesmo lar e ainda assim tão desconectadas.

The Thin Red Line (1998 – EUA) 

E Terrence Malick visita a guerra. Um hall gigante de estrelas de Hollywood incorpora membros das tropas americanas no período da Segunda Guerra. Porém, Malick segue fiel às suas origens e obsessões, e foge do filme de geurra convencional, como era de se esperar. Em seu início, privilegiando alguns diálogos, com personagens mais burocráticos, é a forma como o cineasta questiona valores do exército. É no fogo cruzado que o filme realmente mostra sua força.

Pense num filme de guerra onde não importa quem está lutando, onde a vitória na batalha está ali sem que heroísmos sejam foco, e sim a sensação de se estar ali entre as vibrações da natureza, o medo e sua presença fundamental. Resumindo, onde o que se sente dentro da alma e não dentro da mente, Malick consegue aqui o que talvez seja o seu grande filme. Um trabalho intuitivo, que pode estar permeado do dia a dia de um pelotão, mas está totalmente focado nas relações dos soldados com seus momentos, com seus temores, com a dor da perda, ali ao seu lado. Ou a saudade de casa, mas, sobretudo com o ambiente que os cerca, onde o inimigo está presente, ali escondido e pronto para o bote.

A Árvore da Vida é o tão aguardado novo filme de Terrence Malick, os festivais disputam a tapa seu filme, já fora prometido para Cannes em 2010, parece que dessa vez entra na seleção oficial. Sean Penn e Brad Pitt estão no elenco.

Days of Heaven (1978 – EUA) 

Você fica olhando aqueles campos de trigo, eles quase hipnotizam. A relação de Terrence Malick com a natureza, tão presente em seus filmes. A força que ela surge como personagem, como uma voz ativa dentro de sua obra. E a trilha de Ennio Morricone, e a fotografia de Nestor Almendros, captando tudo, em raios de luz do sol, que quase atingem nossos olhos, parece que podem nos cegar. Realmente o cinema contemplativo tem tudo para atrair fãs incondicionais.

Aqui, a história resgata um triângulo amoroso, uma discussão moral, um casal de trabalhadores braçais fingindo serem irmãos até caírem na tentação da paixão do fazendeiro. Sob a ótica de uma adolescente, a história transcorre trágica, suntuosa. Faltam sorrisos, e sobra a beleza da natureza presente a cada fotograma, num filme que encanta muito mais os olhos que a mente. Mesmo o embate entre Richard Gere e Sam Shepard fica no contemplativo, fugindo do melodramático, assim como do crucial.

Terra de Ninguém

Publicado: fevereiro 7, 2011 em Cinema
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Muita gente aguarda o novo filme de Terrence Malick, aliás alguns já consideram o filme do ano. Isso que o filme já está sendo adiado há mais de um ano, aproveitando a ocasião inicio hoje uma série com 3 posts de filme desse homem que trata como poucos a relação natureza x alma.

Badlands (1973 – EUA) 

 

Lá pelo fim da década de cinqüenta, Kit (Michael Sheen) ganhava a vida como lixeiro, mais bisbilhotando os lixos dos outros do que qualquer outra coisa, enquanto fazia o estilo James Dean, com sua jaqueta jeans e cabelo estiloso. Caminhando pela rua conhece a adolescente, dez anos mais jovem, Holly (Sissy Spacek). Eles simplesmente conversam, dividem momentos junto. Ele não é um ás intelectual, e ela, naquela idade, de apaixonar-se por homens atraentes, suspirando sem enxergar além. O pai conservador não gosta da aproximação, tudo isso seria clichê se Terrence Malick não estivesse baseado numa história verídica de um assassino inconseqüente.

Como Bonnie e Clyde, os dois fogem após Kit atirar no pai de Holly. Estranho como a jovem simplesmente aceita partir com o assassino do seu pai? Veja o filme para entender, eles não são maníacos, porém não são pessoas normais. Entre momentos românticos, no melhor estilo Lagoa Azul (com toda a presença obsessiva da natureza que Malick tanto impõe em seus filmes), cineasta e atores captam a estranheza do comportamento de ambos, a praticidade e imediatismo de Kit. E, principalmente, o aceite de que sempre um homem está ali para regular seu destino, por parte de Holly.

Eles buscavam apenas a tranqüilidade, tal qual quando caminhavam pelas ruas conversando, antes do pai conter a relação dos dois, só que as conseqüências do enfrentamento sempre levavam a outras ainda maiores e eles apenas lidavam com as ferramentas (armas) que estavam nas mãos. Kit, quando preso, é simpático e atencioso, ele não planejava, não desejava o mal, mas o fazia quando se sentia ameaçado como um animal, e Malick expõe esse instinto de forma livre e constante, guardamos assim o grande trunfo de sua estréia.

The New World (2005 – EUA) 

O melhor do filme de Terrence Malick está no primitivo. Ninguém melhor do que ele soube dar ao público a sensação de descoberta, de invadir a mata virgem e selvagem. E o público totalmente desprevenido do que os olhos irão avistar. Longos planos pela paisagem, sobre rios e lagos, dentro da floresta intacta. São momentos contemplativos, imagens a se admirar, um espetáculo fabuloso de cores, formas e sensações. Chegamos ao novo mundo.

Uma expedição aporta em 1606 em Virginia, a fim de povoar o lugar. Confronto com os nativos, falta de mantimentos, a proliferação de doenças, brigas internas pelo poder, são inúmeros os problemas enfrentados pelos homens enviados pela monarquia britânica. O Cap. Smith é capturado pelos nativos, e ao invés de ser sacrificado passa a viver com os índios e aprender seus costumes, a filha preferida do cacique apaixona-se por ele. Temos aí a lendária história de Pocahontas.

Esse mistério sobre o incógnito, promovido por Malick, instiga o efeito de nos fazer viajar pela imaginação. Deixemos um pouco de lado a idéia de reconstituir fatos e celebrar nomes, e passemos a saborear o prazer de se embrenhar pelo desconhecido, vislumbrar a natureza em sua forma mais pura. O cinema de Malick mostra-se muito mais forte por sua forma do que pelo contexto, aliás, quando o filme perde um pouco dessa contemplação da natureza e passa a concentrar-se na história desse amor desfragmentado é que tudo passa a ser levemente maçante. Mesmo mantendo sua forma, os olhos não se interessam tanto por aqueles sentimentos patinando, o romantismo escorrendo, o bom-mocismo, e as vozes em off que teimam em tentar explicar desnecessariamente a alma de seus personagens.