Posts com Tag ‘Thiago Mendonça’

somostaojovensSomos Tão Jovens (2013) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quem assiste cinema nacional está acostumado aos inúmeros patrocinadores antes dos créditos iniciais, mas essa foi a primeira vez que senti o corpo arrepiar enquanto nomes de empresas surgiam à tela, culpa da introdução discreta de Tempo Perdido, prestes a mergulhar um pouco na vida daquele que marcou uma geração.

Inofensivo. Essa palavra resume bem o filme sobre a juventude de Renato Russo. O diretor Antonio Carlos de Fontoura leva aos cinemas um episódio alongado de Malhação. De abordagem light para temas tabus (homossexualismo, drogas), de total incapacidade de compreender parte das questões e dilemas que atormentavam Renato naquele período em que ele descobria a musica, a vontade de ser rock star.

Mesmo com um Thiago Mendonça iluminado, interpretando trejeitos e tom de voz perfeitamente, o filme prefere utilizar a figura idolatrada transformando-o apenas num jovem meio solitário e incompreendido (coisas que também ele era), que escreve musicas do nada. A preferencia do roteiro é de criar ganchos que supostamente estão ligados a algumas de suas músicas e focar numa relação umbilical com uma grande amiga (na verdade essa amiga nunca existiu).

somostaojovens2Fontoura não vai além de contar alguns acontecimentos célebres como a criação do Aborto Elétrico, a Turma da Colina, o primeiro show da Legião Urbana em Patos de Minas, a entrevista com o irmão de Hebert Vianna. Enfim, unificar fatos, inventar outros, tudo para deixar palatável a um público, que ao contrário dos fãs da banda, não conhecem músicas de protesto, artistas capazes de mobilizar a juventude a abrir os olhos a questões importantes, a era do pasteurizado. Queremos mesmo é um documentário, bem feito, sobre Renato.

2filhosdefrancisco2 Filhos de Francisco (2005) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O diretor estreante Breno Silveira chega com cinemão popular. Drama, romance, comédia, sem grandes excessos e com apuro técnico invejável. Traz algo que faltava ultimamente nas superproduções de apelo mais popular: fazer cinema e não novela na tela grande. Com narrativa forte, é filme para todos os públicos, aliás, vai além disso, levando às salas um público que não está habituado a freqüentá-las. O interesse do público é ainda mais incentivado pela quantidade de fãs da dupla sertaneja biografada e pela ampla campanha publicitária.

E realmente os maiores méritos são da narrativa firme conduzida por Breno Silveira. Sem deslizes, nem invenções, peca pelo sensacionalismo sentimental apenas na parte final quando Zezé di Camargo e Luciano já estão adultos, e morando em São Paulo. Mas, essa parte é a menos importante do filme. Nessa fase, é como se o filme desprendesse de seu intuito principal, sai de foco o sonho obsessivo de um pai, e surge a figura da dificuldade de se vencer na cidade grande.

Francisco Camargo (Ângelo Antonio) foi acusado de louco. Trocou toda o dinheiro da colheita por instrumentos musicais para dois de seus filhos, vislumbrou o sucesso deles na música. Largou tudo para trás, e partiu para Goiânia, levando a esposa (Dira Paes) e a cambada de filhos pequenos. É uma história brasileiríssima, mas também enganosa, raríssimas são as exceções dos que vindos da fome, e acreditando unicamente em seus sonhos, conseguiram sucesso. Mas, essa é a história deles, ninguém pode tirar-lhes cada momento de alegria e felicidade, cada sofrimento vivido, doenças graves, mortes, miséria, fome.

Se o resultado final da vida desses sertanejos foi o sucesso, a trajetória deles é o resumo de uma grande parcela da população brasileira. A ingenuidade, a falta de estudos, a simplicidade, o carinho e a união familiar, características marcantes de tantos. O que se vê nas telas é o sonho brasileiro de sair do nada e conquistar a fama, talento e sorte é para poucos. Resta a nós divertir-nos com essa aventura, e apreciar uma atuação memorável de Ângelo Antonio. Se alguém pensa que o filme é de Zezé di Camargo está enganado, Ângelo Antonio dá show, faz rir e chorar com seu trabalho simplório e minimalista, quando você for se lembrar do filme, deverá ter sempre a imagem dele com seu chapéu e sorriso.