Posts com Tag ‘Thomas Vinterberg’

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A ideia vem da esposa (Trine Dyrolm), viver na grande casa onde o marido (Ulrich Thomsen) cresceu, com a filha adolescente, e convidar um grupo para uma vida em comunidade. Anos 70 na Dinamarca, mas a ideia nem é tanto pelo lado hippie de amor livre, e sim pela possibilidade de casa cheia, de trocar experiências. Thomas Vinterberg demonstra pouco interesse pela vida em comunidade, a turma da casa não passa de coadjuvantes como amigos próximos da família.

O cineasta dinamarquês persegue a desconstrução familiar, o casamento em ruínas, que apenas em parte é potencializado pela vida em comunidade. Forma assim um encaixe estranho ao roteiro, cuja comunidade permite exagerar na miséria humana em sequencias à mesa bem semelhantes ao filme que colocou Vinterberg na mira do cinema internacional (Festa de Familia).

36mostraSP2012_bannerJá abri um post apenas sobre o festival, seus problemas que parecem nunca se solucionar, as decepções que diminuem a vontade da maratona, e o ineditismo que diminui sensivelmente a quantidade de filmes que prometem ser os principais do ano. A verdade é que meu pacote de 40 sobrou este ano, para o ano que vem um pacote de 20 talvez esteja de bom tamanho.

Por isso, o post se concentra especificamente nos filmes, mas antes a constatação da diminuição do público que frequento essa edição. As filas intermináveis não foram tão intermináveis, poucos filmes se esgotaram. E com o ineditismo, restou ao festival grandes filmes que estão comprados e por isso poderiam ser deixados de lado para que os que nunca chegarão aqui fossem privilegiados, mas a lista desses filmes era pouco animadora.

Encerro a Mostra com 37 filmes vistos entre os que estavam selecionados, um se destaca dos demais, há 3 outros que mereceriam estar na lista dos “melhores”.

Depois disso uma lista enorme de filmes ok, e uma imensa maioria de filmes muito ruins. A qualidade foi desanimadora, os filmes que chamaram atenção nos festivais de 2012 decepcionaram, é uma pena, o ano não parece ter sido tão bom quanto parecia. Pensei seriamente em afrouxar o rigor e trazer uma lista um pouco maior, mas não, temos que privilegiar os bons filmes e deixar os divertidos e razoáveis em seu verdadeiro espaço.

Cada vez mais, a impossível obrigatoriedade de acompanhar o Indie, Festival do Rio e a Mostra SP para se ter uma apanha geral se faz necessário.

O Filme

  • Tabu, de Miguel Gomes

Os Melhores

  • A Copa Esquecida, de Lorenzo Garzella e Filippo Macelloni
  • O Som Ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
  • A Caça, de Thomas Vinterberg

A Caça

Publicado: outubro 9, 2012 em Cinema, Mostra SP
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Jagten / The Hunt (2012 – DIN)

Não me lembro de um filme de Thomas Vinterberg capaz de fazer o público se colocar tanto numa situação, imaginar que aquele “absurdo” poderia se passar com qualquer um, e, principalmente, as consequencias dos julgamentos e pré-julgamentos. Um professor de jardim da infância (Mads Mikkelsen) acusado de abuso sexual de menores, como se livrar do estigma que a acusação traz? É possível ser inocentado, mesmo que seja inocente?

Vinterberg, com uma direção bastante sóbria, oferece um filme tão convencional quanto realista. O foco acaba se sedimentando nas relações, antes a comunidade harmonica, e depois o grau de envolvimento e revolta de cada um. A desconfiança de quem, até então, era amigo íntimo. A destruição familiar por uma “simples” acusação, Vinterberg explora esse lado humano de destruir sem estar seguro, promove a carnificina social gerada pela revolta da desconfiança.

A caça ao homem é de julgamento tão dúbio quanto fazer acreditar que uma bobagem de criança é a mais pura verdade irrefutável. O pré julgar, a reação exacerbada de alguns, o absurdo está presente na sensação do público que está enxergando a veracidade dos fatos, Vinterberg deixa espaço para extrapolar e se colocar também no lugar dos que julgam, horrorizados, os atos de um homem, tão presente naquela sociedade. Estamos sempre sendo julgados, essa é a verdade.

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Submarino (2010 – DIN)

Duas crianças vestidas de camisetas em tons pastéis, um lençol branco como cabana para um bebê, o fundo todo branco, Thomas Vinterberg abre seu filme com delicadeza entre os personagens e um aspecto visual impactante. A seguir descobrimos que são eles três irmãos, vivendo com a mãe desequilibrada, alcoólatra. Depois da tragédia o filme pula anos adiante, dois dos irmãos há muito não convivem juntos, um pai solteiro, o outro bebe demais e permite-se a violência. Os dois vivem sob reflexo daquele ambiente familiar, duas vidas sob o caos, perdidos por caminhos que escolheram por falta de discernimento, falta de estrutura familiar. Vinterberg não tem dó de seus personagens, joga-os sarjeta abaixo, e faz isso com alguns diálogos pobres e cenas que tentam captar pelo silêncio algum ranço de sentimento que possa existir dentro deles. Não é um filme honesto, não é um filme surpreendente, é só mais uma história de pessoas perdidas, desesperadas, em busca de atalhos para seus objetivos, pelo menos já é bem melhor do que o cineasta tem feito ultimamente.