Posts com Tag ‘Tilda Swinton’

Okja (2017 – COR/EUA) 

O cinema de Bong Joon-Ho se mistura entre muito humor, doses de critica social, proximidade com a fantasia e uma narrativa que adora o frenético. A arte de contar histórias é um dos pontos fortes do cineasta coreano, ainda que seus filmes guardem a mania de tornar personagens infantiloides ao extremo. Dentro dessas características, seu novo filme, que já chega com toda a polêmica entre Cannes x Netflix, é um exemplar perfeito de sua filmografia.

Inicialmente Okja flerta com o lúdico, os super-porco como xodó de uma garotinha, até que os vilões da indústria de alimentos querem tirar o porco da garota, sempre visando lucros. Sim, a maneira como Bong trata sua critica social (justa) é didática, explicita, e ate ingênua. Acertar o tom do filme seria o crucial, e Bong não o faz. Okja é  histérico e caricato, e guarda esse prazer pelo caótico, entre tanto ativismo e proteção animal, capitalismo sustentável, e a fofura do amor de uma criança que pode mover montanhas. Bem mais interessante como proposta, do que o resultado caricato que o filme entrega.

expressdodoamanhaSnowpiercer (2013 – COR/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Pense no futuro a Arca de Noé, e a substitua por um trem. Nele espaço e tecnologia para manter vivos todos os sobreviventes (humanos, animais e plantas) de um fenômeno que congelou toda o planeta Terra. Coprodução entre sul-coreanos e americanos, sob direção de Bong Joon-ho, é mais um filme de ação apocalíptico. Com heróis desbravadores (Chris Evans, Octaviana Spencer, John Hurt e Jamie Bell), lutando contra a terrível minoria que controla o trem (Tilda Swinton, Ed Harris).

Influencias de campos de concentração nazistas não devem ser tratadas como mera coincidência. Joon-ho não consegue ir muito além de sua proposta, cria suas próprias regras para manter vivos os personagens que interessam ao roteiro, enquanto a locomotiva cruza o planeta congelado. Vilões canastrões, lutas inimagináveis, tudo dentro dos espaços pequenos de vagões, sejam eles ecossistemas completos ou a represetanção de aquários fabulosos. Muita ideia para pouco resultado prático.

ograndehotelbudapesteThe Grand Budapest Hotel (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A patifaria de sempre de Wes Anderson, só que dessa vez travestida da década de 30, o Nazismo e o período entre as duas Grandes Guerras. De um lado o fino, o elegante, um luxuoso hotel e seu consierge (Ralph Fiennes) alcançando o cumulo da sofisticação. De outro lado a estrutura estéreo, imersa em cores berrantes (elevador vermelho e uniformes roxos), dos filmes de Wes Anderson. No meio disso uma intricada trama com direito a roubo de quadro, e vilões patifes (Willem Dafoe, Adrien Brody).

É mais uma aventura para unir atores famosos, e eternos colaboradores de Wes Anderson. Assim, Bill Murray e Owen Wilson aparecem em pequenas pontas, enquanto personagens esboçam humor por meio das sequenciais ágeis e picotadas de Anderson. Ele simplesmente traz seu universo para uma época específica, troca os losers da classe média pela alta aristocracia europeia versus um charmoso gerente de um hotel. Com direito a fuga da cadeia e outras patifarias, Wes Anderson é incorrigível.

only-lovers-left-aliveOnly Lovers Left Alive (2013 – EUA/ING/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O sempre hipnótico Jim Jarmusch vem com sua versão de romance entre vampiros. Algo mais platônico e contemplativo que o hype pop atual, um oceano separando o casal (Tom Hiddleston e Tilda Swinton). Eles dormem durante o dia e à noite falam pela internet, bebem sangue e admiram aspectos culturais humanos. A distância, a eternidade, o tempo é fatal a eles e essencial ao filme.

Jarmusch analisa comportamentos, dos mais equilibrados que buscam harmonia com a humanidade (com depressões e pensamentos suicidas) até a inconsequência da juventude (Mia Wasikowska). O amor é belo, a cumplicidade legítima. Jarmusch penetra na eternidade quase a tornando um martírio infernal que consome e desgasta, cujo amor parece ser a única salvação frente o tédio secular

oslimitesdocontroleThe Limits of Control (2009 – ING) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Que delicia de enigma é esse trabalho de Jim Jarmusch. Isaach De Bankolé é esse homem solitário que bebe duas xícaras de café, ao mesmo tempo, enquanto espera seus contatos para realizar seu serviço. Está claro que ele realiza algo fora-da-lei (trafico? Roubos? assassinato? Não sabemos). Enquanto segue as instruções, e ouve monólogos imprevisíveis e misteriosos.

A caixa de fósforos com mensagens codificadas, os ternos brilhosos, as visitas ao museu, e a eterna pergunta se o protagonista fala espanhol, tudo faz parte do conceito estético de Jarmusch. Há muito mais ali do que a câmera está captando, aproximam-se do homem solitário os mais diversos tipos de pessoas falando em filosofias de vida, em assuntos abstratos. Cultura, violência, estilo, cada frame é puro estilo. A sensualidade das curvas de Paz de la Huerta, o onírico da fantasia de Tilda Swinton, os instrumentos de corda que carregam John Hurt e Luis Tosar. Talvez nada tenha uma explicação, apenas façam parte da alegoria de uma trama misteriosa, de uma falsa passividade, de um primor de condução do espectador por Jarmusch.

APraiaThe Beach (2000 – ING/EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Danny Boyle e Leonardo DiCaprio vão em busca da alma mochileira, a coisa da aventura acima de tudo, desbravar o desconhecido, o que seus conhecidos nunca visitaram. Não deixa de ser um lado dos que se aventuram com uma mochila na costa e um destino mal traçado. As novas amizades, as bebedeiras com aqueles que desconhecidas passam a melhor amigo.

Só que as extravagâncias faziam parte do livro adaptado por Boyle, e de jovens viajantes, o filme vai parar numa comunidade isolada do mundo. Nada contra a proposta, mas não, as questões não são bem tratadas, as relações pouco fundamentadas, e A Praia quer ser tudo, menos aquilo que se propunha a ser. Um thriller com tubarões, um thriller contra traficantes cultivadores de maconha, uma descoberta existencialista, o amor arrebatador. Temas demais, loucura demais, filme de menos.

We Need to Talk About Kevin (2011 – EUA)

Qual o grau de relevancia do drama de vida da mãe de um desses estudantes-serial-killers-de escolas? Tendo em vista o filme dirigido por Lynne Ramsay, nenhum. Num paralelo entre vida atual e a reconstituição dos fatos (desde o casamento e nascimento do filho, até a situação vigente), tudo o que Ramsay faz é justificar um comportamento demoníaco do garoto, desde criança. Algo totalmente fora de propósito, impossível, a maldade desde bebe não condiz com qualquer realidade.

A mãe (Tilda Swinton) tenta reconstruir sua vida, abafada pelo escandalo, a vergonha, e o repúdio da sociedade. Ao seu lado, personagens fétidos, como se a reconstrução fosse impossível desde as relações sociais (quando os problemas deveriam ser muito mais intrínsecos, do que a dificil relação com novos colegas de trabalho). Impressionante como Ezra Muller consegue fugir do tom do filme, e apresentar uma atuação até contida, dentro de todo o demoníaco personagem apresentado.