Posts com Tag ‘Tim Burton’

Os filmes, a exposição, as marcas registradas: o cinema de Tim Burton é o tema principal da edição desta semana. Não sem alguns desafios para a equipe do podcast. Michel Simões tirou o cineasta de sua lista negra e fez uma maratona de longas do diretor. O esforço valeu: o trio comenta a filmografia COMPLETA do americano, que lançou na semana passada o trailer de seu próximo projeto, “O Lar das Crianças Peculiares”. Uma longa história, portanto: puxe uma cadeira e desça no buraco do coelho. Além disso, Chico Fireman dá uma geral na exposição em homenagem a Burton, em cartaz no MIS. Na segunda parte do programa, o Tiago Faria vibra, sem disfarçar, porque o assunto é “Cemitério do Esplendor”, novo objeto não-identificado do tailandês Apichatpong Weerasethakul, que venceu a Palma de Ouro em Cannes por “Tio Boonmee” graças a… Tim Burton, que presidia o júri. Bom podcast!

Sempre bom lembrar que o jeito mais fácil de acompanhar as atualizações é nos seguir nas Redes Sociais, ou assinar no Itunes ou no Feed.

afantasticafabricadechocolateCharlie and the Chocolate’s Factory (2005 – EUA/ING) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A refilmagem de Tim Burton do inesquecível clássico dos anos 70 não poderia ser pior. Além do diretor conseguir despediçar parte da magia infantil na maratona desenfreada pelo ingresso dourado (fica tudo tão banal, a comoção narrada nunca é sentida, afinal Burton é o cineasta do “sem-graça”), ele e seu comparsa (Johnny Deep) transforma Willy Wonka num Michael Jackson, com sua Neverland fabricando chocolates.

Aliás, chocolate é das raridades encontradas por lá, exceto o rio e a cachoeira, o chocolate é substituido por outros doces, sempre muito coloridos, porque Burton precisa de sua estética visual em cada detalhe, em cada doce. O roteiro desiste da busca pela ingeuidade da criança-de-coração-puro, para resgatar flashbacks de onde surgiram os Oompa Loompas, ou criar uma relação problemática de Wonka com o pai (que se torna o verdadeiro mote do filme).

Essa alteração drástica torna tudo um melodrama banal da necessidade de filhos serem reconhecidos pelos pais. As apresentações musicais não surgem naturais, apenas a coisa sombria dos ataques às crianças fica mais “Tim Burton”, o que condiz com a linguagem do cinema atual. O novo Willy Wonka é um desastre.

Se domingo é dia de clássicos e filmes mais antigos aqui na Toca do Cinéfilo, sábado agora é dia de relaxar, e pegar aquele resumão da semana com os links mais interessantes, noticiasa, trailers e etc. Ao final do comentário vem o link e o site para referência.

61st Annual DGA Awards - Arrivals• Começando com a tristeza da semana, a morte do crítico Roger Ebert que deixa muitos orfãos de seus textos longos e sua visão particular de cinema. Seu blog no Chicago Sun-Times deve continuar no ar, até porque ainda há textos inéditos por vir. “Roger Ebert loved movies. Except for those he hated.” Não só um crítico e cinéfilo inveterado, Ebert tem uma história de vida, no mínimo, interessante. Sun-Times

• E pelo trailer, Baz Luhrman, destruiu mais um filme. O Grande Gatsby é um dos filmes mais falados e aguardados, será o responsável pela abertura da próxima edição do Festival de Cannes, mas… pelo que se pode ver… sei não. Novamente muita pompa. [AdoroCinema]

Mad_Men_Lane_Punches_Pete• Já de Mad Men, adoramos!!! Sem dúvida um dos melhores seriados da atualidade. E enquanto a contagem regressiva, para a nova temporada, já foi dada e a ansiedade prevalece, vai esse interessante link sobre momentos polêmicos/mais falados da temporada 5, que novamente surpreendeu bastante. [Hollywood Reporter]

• Esse blog tem uma lista de diretores abandonados, aqueles que você simplesmente já fez tentativas, e não adianta, não gosta e pronto. Tim Burton é um deles, já deve ter passado uma década de lançamentos sem que fossem conferidos. Portanto, já que não se comenta dele aqui, não se espera grande coisa desse novo projeto: Big Eyes [AdoroCinema]

carrieaestranha• Fechando com um resumão. Trailer da versão atualizada de Carrie – A Estranha, que me deixou animado [AdoroCinema].  As primeiras imagens do vilão de Wagner Moura (torcendo para que ele mande bem) em Hollywood, no filme Elysium [AdoroCinema]. E Matthew McConaughey entrando para o elenco de Interstellar, novo filme de Christopher Nolan [AdoroCinema]

Edward Mãos de Tesoura

Publicado: maio 31, 2011 em Cinema
Tags:,

Edward Scissorhands (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os mais próximos sabem que cortei os filmes de Tim Burton há alguns anos. Perdi a paciência, simplesmente não gosto. Há também outros diretores com filmes que eu posso até adorar, e ainda assim foram limados da minha lista, após uma série de fiascos retumbantes (Shyamalan, Kim Ki-Duk, Park Chan-wook e outros), mas foi Tim Burton o primeiro a encabeçar essa lista tão particular. E, sinceramente, convivo muito bem sem seus lançamentos, posso ficar deslocado, mas seus filmes não me fazem falta alguma. Ainda assim, há 2 filmes de Burton que me agradam, me remetem a boas lembranças do passado. Ed Wood, e Edward Mãos de Tesoura, e suas tantas reprises na tv, boas lembranças de um tempo em que não imaginava chegar a esse grau de cinefilia atual. Com exceção destes 2 (rever Batman também pode ajudar, muitos insistem que Peixe Grande seria uma grata surpresa), a grife Tim Burton quase me causa calafrios. Pois bem, por tudo que resolvi embarcar numa revisão de Edward.

A história em tom de fábula, do pequeno Frankenstein, que recebeu de seu criador, tesouras no lugar de mãos, possui forte apelo de critica social ao americano médio. Aquele sujeito vivendo numa cidade pequena, casas coloridas, sem muros separando a casa do vizinho, filhos, e uma esposa dedicada aos afazeres domésticos. Brincadeira crítica ao american way of life, vai fundo na rede de intrigas e fofocas da cidade, e alcança seu ápice com a curiosa chegada do hóspede estranho, que rapidamente encanta a todos com sua habilidade e ingenuidade. Está na forma de olhar de Johnny Deep toda a magia a qual Edward adentrou ao imaginário do público e conquistou os personagens. O jeito esquisitão, e, ao mesmo tempo, que pede colo e se apaixona pela mocinha, nos faz sentir as fragilidades das relações humanas e assim dar colo a esse coitadinho. Entretanto, a guinada para uma perseguição policial, inimizades ciumentas, e todas as reações daquele vilarejo, quase se aproximam do que Lars von Trier faria em Dogville, sem a mesma habilidade de conduzir o público. Fica tudo muito bonitinho, sempre aquele jeito meio gótico de Burton e a insistência em levar Edward às últimas consequências.

alendadocavaleirosemcabecaSleepy Hollow (1999 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Famoso conto folclórico americano sobre um cavaleiro sem cabeça que fica vagando pelos bosques e decapitando pessoas na procura de sua própria cabeça. Nas mãos do diretor Tim Burton o filme ganha o correto estilo dark e sombrio que já lhe é particular.

Em 1799, num pequeno vilarejo nos EUA, diversas pessoas tem aparecido mortas, com suas cabeças cortadas. A população está aterrorizada. Para tentar solucionar o caso é enviado o detetive Ichabod Crane (Johnny Deep) decide inovar com novos métodos de investigação. Enquanto as mortes persistem e o se apaixona pela jovem misteriosa Katrina Van Tassel (Christina Ricci), Crane suspeita de algum tipo de conspiração envolvendo as figuras mais importantes do vilarejo como o reverendo, o juiz e outros.

Como de costume nos trabalhos de Burton, é tecnicamente impecável: figurino e direção de arte (inclusive ganhou o Oscar). O que falta é suspense. O clima sombrio por si só não consegue dar vazão às expectartivas sobre quem é o verdadeiro vilão da história. O personagem de Deep é caricato demais, desengonçado, e Ricci, ao meu ver, ainda não conseguiu desprender-se do seu personagem da Família Adams. Christopher Walken faz duas ou três caretas e só, e a lenda do cavaleiro sem cabeça fica se resume num filme decepcionante.

ed_woodEd Wood (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Que figura sensacional foi Ed Wood (Johnny Deep), e, sem dúvida, nenhum outro cineasta tem uma carreira onde uma cinebiografia, sobre o pior cineasta do mundo, se encaixaria de maneira tão homogênea. Terror B, filmes realizados de qualquer jeito, chega a ser impressionante como Ed Wood conseguia dinheiro para financiar seus filmes, tamanho o descuidado que tinha com os detalhes. Transformava, sem o menor pudor, um lençol num polvo gigante, como se o cinema fosse um teatrinho de escola.  Seu jeito de dirigir filmes, de escrever, por si valeriam esse estudo, mas a figura de Ed Wood era ainda mais complexa, à época, e já tinha manias de usar roupas de mulher, um escândalo e ainda tão carismático.

A trama parte de Ed Wood como um aspirante de cineasta, namorando com Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker), uma atriz sem sucesso. Ele faz de tudo para conseguir transformar suas idéias estapafúrdias em filmes, e após um encontro casual, com o antigo astro de filmes de terror, e agora decadente Bela Lugosi, finalmente consegue produzir seu primeiro trabalho. O primeiro fracasso não o deteve, aproveitando-se de Lugosi, ele continua se esforçando para conseguir patrocínios.

Em sua opinião tudo sempre estava perfeito (essa é uma frase muito usada por ele). De maneira amadora e improvisada, porém com entusiasmo contagiante, ele cativava as pessoas. E assim conquistou sua nova namorada, Kathy O’Hara (Patricia Arquette), e construiu sua carreira louca e improvável. Pelas mãos de Tim Burton, e sua atmosfera macabra, alicerçada na linda fotografia em preto e branco, nasce essa bela homenagem a Ed Wood e Bela Lugosi. Mas, é a interpretação de Johnny Deep e de Martin Landau, os grandes trunfos que transformam este, no grande acerto da carreira de Burton, quem diria, logo o filme sobre o cineasta dos erros.