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umdiaperfeitoA Perfect Day (2015 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Agentes humanitários tem a missão de tirar um corpo, de um poço, para manter o abastecimento de água na região. A tarefa, aparentemente simples, ganha complexidades inimagináveis numa zona de conflitos nos Balcãs. Fernando León de Aranoa trata a guerra com humor, brinca com os absurdos, enquanto os dramas locais ecoam por todos os lados. O cineasta espanhol prefere flertar com o pop, claramente interessado num alcance maior de público. Estrelas de Hollywood, e esse humor “maroto” permitem a narrativa mais palatável.

Risco de minas por todos os lados, a vida miserável dos que não se envolveram nas guerras entre muçulmanos e sérvios. Partindo do horror, o filme provoca as burocracias militares internacionais, expõe injustiças e desrespeitos aos acordos internacionais. Mas, Aranoa prefere dar mais foco a seus personagens, e casos amorosos deles, do que manter as atenções sobre o conflito e seus estragos. Por isso, briguinhas de ex-namorados se misturam com o anseio dos agentes em ajudar aquelas pessoas.

O Jogador

Publicado: outubro 1, 2012 em Cinema
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The Player (1992 – EUA)

Com um engenhoso plano-sequencia de oito minutos, onde inúmeros personagens, entram e saem de cena, o cineasta Robert Altman praticamente entrega um corrosivo resumo da história que está apenas começando a narrar. E seu filme se resume no virtuosismo estilístico de sua direção e por um prazer sarcástico em expor as vaidades do mundo de Hollywood.

A trama é simples, embebedada pelo thriller coloca um executivo (Tim Robbins) de um grande estúdio envolvido com o assassinato de um roteirista. A labareda cáustica estará calcada na forma como Altman relaciona seus personagens em diálogos ácidos, relações corrosivas onde a vaidade e fama formam o dia-a-dia dos bastidores dessa indústria.

O diretor é minucioso em transformar o protagonista num crápula, e mesmo em crise e apaixonado nunca permite que se insinue relação afetuosa com o público. Dinheiro ou crimes, cinema e glamour, no fundo tudo parece um grande jogo de tabuleiro e cada personagem movimenta suas peças como jogadores ardilosos de xadrez.

La Vida Secreta de Las Palabras (2005 – ESP)

Boa parte do filme transcorre num quarto, um homem se recuperando de um incêndio, o corpo todo queimado, nem enxergar ele consegue. E a enfermeira (Sarah Polley) que o está tratando, pacata, silenciosa, ausência total de qualquer traço de felicidade. O momento se repete inúmeras vezes, o remédio, a refeição, uma nova atadura, ele sempre puxando papo e ela dentro de sua frieza. A cada nova cena a câmera muda de enquadramento dentro daquele quarto, o homem, a cama, a enfermeira, são filmados de diversos pontos, trazendo um dinamismo que não está presente nas relações humanas. Nos sentimos mais presentes no ambiente, captamos melhor nuances, olhares, gestos. A história se desenvolve, certo grau de intimidade traz os dramas de cada um deles, e nisso Isabel Coixet é dura, vai buscar crueldade e um passado marcante, opta por traumas irreversíveis, sempre com um admirável tom de leveza. Só que, a recuperação do sujeito (Tim Robbins) transcorre bem, ele consegue andar, e desse ponto em diante o filme degringola, e de um jeito que não tem concerto. Lá se foi a admirável e irretocável condução daqueles dramas, a narração em off marca o momento loser e descartável.

altafidelidadeHigh Fidelity (2000 – RU/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Praticamente a bandeira de uma geração. Tamanha representação vem do livro de Nick Hornby, a qual o filme de Stephen Frears foi baseado. A mistura dessa cultura pop com a rotina jovem, onde tudo se resume a músicas, ou cinema e demais referências. E os relacionamentos se criam por base nessas referências, e quem não compactua com essas experiências, quem parece não estar antenado nesse universo, acaba tratado como um extraterrestre cultural. São personagens de fácil identificação com parte do público, um deleite aos consumidores de cultura pop (principalmente britânica).

A trama em si não passa de um triângulo amoroso, que ocasiona numa crise existencial do eterno adolescente Rob Gordon (John Cusack). Ele é dono de uma loja de discos, e mora com sua namorada, a advogada Laura (Iben Hjejle). Os estranhos Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso) trabalham com Rob na loja, que é especializada em discos antigos e tem um pequeno público cativo. De cara a narrativa começa quando Laura decide terminar tudo com Rob, pois está interessada no antigo vizinho, do andar de cima, Ian (Tim Robbins).

Sempre falando com a câmera de maneira natural, tonando assim o público cúmplice dos seus dramas e esquisitices, um amigo a quem ele pode analisar seus erros, falar de seus desejos e manias. Rob decide nos contar sobre os cinco melhores casos de sua vida, e procurar o motivo por nenhum deles ter dado certo, ao mesmo tempo que tenta reconquistar Laura (uma das grandes sacadas são as listas de top 5 para qualquer coisa, feitas a todos os momentos).

Dessa forma, o filme consegue resumir perfeitamente essa geração, embalando com excelente (e muito presente) trilha sonora esses dramas amorosos em tom bem humorado. Se não escada da fórmula de comédia romântica, o filme cativa por seus personagens vibrantes e charmosos, como o divertidíssimo de Jack Black, e por essa capacidade de tornar o pop quase o combustível de vida dessa geração. Um clássico cult.