Posts com Tag ‘Timothée Chalamet’

Beatiful Boy (2018 – EUA)

Despois do destaque que conseguiu com Alabama Monroe, o cineasta Felix Van Groeningen ganha espaço e astros em Hollywood, e merecia melhor destaque do que uma estreia esprimida no final da temporada do Oscar, que sem indicações o renega ao quase esquecimento. É fato que não há nada de novo em tratar os traumas de uma família lutando contra o vicio de drogas do filho, afinal, os caminhos de roteiro são bem delineados (recaídas, família em frangalhos, desespero, internações e etc), mas há algo de emocionamente íntegro que tem méritos.

Um dos pilares é Steve Carrel, assumindo o personagem do pai carinho que não acredita que seu filho (aquele querido menino do título) se tornou um viciado químico. Talvez seja essa abordagem que o filme seja, minimamente, diferente dos demais, a incredualidade de um pai em aceitar que tanta dedicação tenha sido corrompida pelas drogas. É dolorido, o peso da culpa, a impossibilidade de resolver porque a situação foge completamente do seu controle. Nesse aspecto, o filme fortalece tanto essa abordagem que usa a mãe do garoto à distância (em ligações telefônicas, imagem sempre ausente), pois se trata da visão paterna e masculina dessa dor.

Obviamente que há asa cenas em que o drama do garoto é o foco, está lá Timothée Chalamet chorando ou se drogando compulsivamente, mas elas parecem apenas utilizadas para intensificar a situação, e logo a seguir voltar às reações do pai, ou da madrasta, e novamente o quão crível pode ser para um pai de um lar estável.

Lady Bird (2017 – EUA) 

Chega como um dos filmes mais badalados da corrida do Oscar, estreia na direção de uma das atrizes queridinhas do indie americano (Greta Gerwig, eternizada como Frances Ha e a musa do Mumblecore). Surpreende os mais tradicionalistas por tanto destaque para um típico coming-of-age, que se coloca como representante do início desse século, num mundo pré-smartphone.

Saiorse Ronan é Lady Bird, a garota intensa que sonha em ser artista e vive em pé de guerra com sua mãe durona (Laurie Mecalf). E ela é realmente a luz, o brilho, por sua capacidade de externar todos os anseios, inseguranças, explosividade e melancolia de uma jovem intensa, corajosa e cheia de si. Bem possível que o grande sucesso do filme esteja em sua interpretação tão capaz de causar empatia imediata.

O sucesso da estreia de Greta parece ser a sinceridade com que dirige, é possível notar algo parecido com suas interpretações, mas ela não nega que há muito de autobiográfico (além de ser a mesma cidade onde ela cresceu, ter estudado num colégio católico e ser filha de uma enfermeira), é quase a adolescência de Frances Ha, uma prequel espiritual.

Alguns diálogos de impacto, quase sempre calcados do desequilíbrio comportamental, na velocidade de mudança de humor. A garota prestes a florescer, a eclodir, por mais que tenha que magoar, passar por cima, e em outros momentos, ser tão doce. O cinema pede filmes femininos, conduzidos por mulheres, e ao preencher essa lacuna, o filme talvez esteja ocupando mais espaço do que mereceria, por outro lado, é tão raro o tema ser levado mais “a sério”, e não apenas, visto como outra comédia só para divertir. Greta traduz a idade, a seu modo, mas não o faz gratuitamente, e a simplicidade aparente é apenas a camada superficial de uma cebola que merece ser descascada e descoberta.

Call Me By Your Name (2017 – EUA) 

Com I Am Love e A Bigger Splash, o diretor Luca Guadagnino já vinha capturando a burguesia com olhos nem tão críticos, aproveitando de sua beleza para desenvolver histórias e personagens. Podem ter sido bons laboratórios para o que veria a seguir, já que seu novo filme tem arrebatado plateias, causado comoção numa forma identificação imediata com anseios e expectativas que só mesmo o cinema consegue corresponder.

Verão de 1983 na Itália, uma família de intelectuais recebe um visitante acadêmico americano, Oliver (Armie Hammer). O foco central está sob o filho de 17 anos, Elio (Timothée Chalamet), que se relaciona com amigos da região, descobre o sexo, enquanto desperta uma forte atração pelo visitante. Guadagnino estabelece os laços afetivos sem nenhuma preocupação com preconceito, são pessoas livres, que se apaixonam pelo sexo oposto ou não, com naturalidade. Talvez seja a principal fortaleza do filme, o amor, sem se preocupar com convenções.

O verão transcorre entre passeios de bicicleta, livros à beira da piscina, festas no vilarejo, e o simples florescer de Elio transcorrendo a nossa frente, de maneira fascinante. O desejo, o sexo, são o combustível dessa história tão sensível, de joguinhos amorosos, de libido latente. E a complexidade em dar espaço a tantos personagens e interrelacionamentos, e em buscar permear com a rotina culturamente rica da família. Alegria e sofrimento, descobertas e experimentações, tudo condensado no momento-chave, numa conversa pai e filho que é de uma sensibilidade e compreensão indescritíveis. E que venha o Oscar.


Festival: Sundance

Mostra: Premières