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Happy End (2017 – AUS) 

O novo retrato de Michael Haneke da sociedade europeia, através de uma família disfuncional burguesa, não apresenta nenhum avanço em sua filmografia. O título (um sacarmo sintomático para quem conhece sua obra) carrega a ironia básica que sempre ousou pela ousadia com que provoca o estômago do público. Dessa vez, cai no cansaço de uma fórmula de personagens problemáticos e provocações mordazes.

No centro uma garota que precisa passar um tempo com o pai, encontra uma famila que só permanece pelas aparenças. Haneke tenta se adaptar às novas tecnologias, há presença forte das redes sociais, tela na vertical para imitar um celular, e outras artimanhas. Mas, o problema do filme está mesmo nessas relações ácidas e no sabor, pretensamente amargo, com que Haneke tenta enxergar toda a sociedade europeia capitalista. Beirando quase a ingenuidade, Haneke está anos luz além de toda sua filmografia.


Festival: Cannes

Mostra: Competição Principal

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ocontodoscontosIl Racconto Dei Racconti / A Tale of Tales (2015 – ITA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Em seus últimos filmes, Matteo Garrone não se contenta com assuntos pequenos. Do retrato da máfia italina (Gomorra), ao mundo italianos dos reality shows (Reality), o cineasta parte agora mais profundamente em grandiosidade. São três contos do período das grandes monarquias, sempre cercado de fantasia, e o título já deixa bem expressada essa grandiosidade “O Conto dos Contos”.

Sim, Garrone quer realizar o filme definitivo, ele vem tentando, e passa cada vez mais longe. Este aqui carrega a pompa da idade média, três reinados e suas historias que sobrevivem desse quê de conto de fadas. Do rei que tem uma pulga gigante de estimação e por sua promessa acaba entregando a filha a um ogro, ao rei mulherengo que se encanta por uma voz de uma velha que consegue se tornar jovem, ou então a rainha que não mede esforços e consequências pela possibilidade de ser mãe. São apenas contos, tolos, interessantes, mas que jamais representam a eloquência que Garrone permanece em busca. Contos de fadas para adultos, envergonhados na sexualidade, e que buscam na estranheza a sua forma de se expressar moralmente.

berberiansoundstudioBerberian Sound Studio (2012 – ING) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Para o cineasta Peter Strickland é muito mais a criação de uma atmosfera do que o simples desenrolar de uma trama. O mote de levar um técnico de som britânico (Toby Jones), para trabalhar num filme de terror italiano, é apenas artifício. Strickland estava realmente interessado nas possibilidades de criar um suspense instigante, tendo como estrutura o som e seus efeitos.

Para isso, o diretor transporta o britânico a um estudio, um tanto estranho, na Itália. E dessa estranheza faz desenhar o universo em que o técnico de som confunde realidade e fantasia, o que é o filme, e o que são seus problemas. Essa coisa meio terror psicológico, com estrangeiro que não fala sua língua, e ambientes marrons tão calmos (exceto pelos arrombos italianos), e a presença forte dos ruidos e sonidos que constituem, verdadeiramente, o fio condutor dessa história, remetem ao clima que o som destacado consegue unir tão bem. Por mais que o filme seja pouco além disso.