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De Olhos Bem Fechados

Publicado: outubro 16, 2013 em Cinema
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Deolhosbemfechados_Eyes Wide Shut (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Pelo prisma de um casal, Stanley Kubrick sintetiza uma extensa análise sobre a relação humana com o sexo. Trata-se de um trabalho denso, e um desenho meticuloso de diversas variáveis resumidas em poucos personagens. Da prostituição aos desejos secretos, do mero flerte descompromissado a uma sociedade secreta de práticas sexuais não-usuais, casamentos em crise e a tentação fácil das ruas de Nova York.

Kubrick e sua narrativa instigante mergulham, em duas noites, da vida de um médico (Tom Cruise) e sua esposa (Nicole Kidman). Enquanto Cruise é colocado à prova de tentações e reage a descobertas surpreendentes de sua esposa, mantém um comportamento típico, masculino, padrão. É com Kidman que Kubrick brinca de mudar comportamentos, da garota ingênua que passou do ponto na bebida à mulher perversa, com desejos secretos, é ela que verbaliza e “testa” os comportamentos do marido. Dessa forma, o filme levanta a questão do padrão sexual masculino tão carnal e mecânico, enquanto o feminino com tantas nuances que se misturam entre prazer, amor e estabilidade.

A cena de discussão, no melhor estilo Bergman e seu Cenas de Casamento, leva o médico muito além de um mero desejo de vingança, ou ciúmes. Surge uma trama de suspense, por acaso ele mergulha num mundo fechado, impenetrável, perigoso. Kubrick deixa sua narrativa mais instigante ainda, invade salões e comtempla orgias. O cineasta está provocando a elite, como também o matrimônio e seu conservadorismo, e o faz de forma provocadora, escandalosa, e lenta, como se fosse um veneno que penetrasse lentamente pelas artérias. O veneno da libido, do desejo irracional, e da serenidade posta de lado por uma mente submersa pela cobiça

oblivionOblivion (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os projetos megalomaníacos onde Tom Cruise se mete, a inexplicável obsessão dos diretores por terem Olga Kurylenko no elenco, e a eterna sensação de ter assistido esse filme, milhares de vezes, só mudando a roupagem. A soma desses fatores lança Oblivion no mar daqueles filmes que sobrevivem sob o alicerce do universo dos efeitos especiais.

O sci-fi dirigido por Joseph Kosinski traz ao mundo do cinema uma nova série de naves e armas fantásticas, que facilmente fazem inveja à criançada, e ao nicho ficionado (aquele “helicoptero” do futuro é de deixar qualquer um louco). Porque não passa de uma colagem de várias histórias num corpo bem produzido. Salvar o mundo, sempre o tema de Hollywood, se o futuro guardasse metade do que esses roteiristas esperam, estávamos perdidos.

Rock of Ages (2012 – EUA)

Estava pronto a dizer que o filme de Adam Shankman não servia para praticamente nada, aliás dificil encontrar um filme que se salve na filmografia desse diretor. Mas não, o filme indica, por exemplo, a total decadência de Catherine Zeta-Jones. É triste olhar para aquele símbolo de beleza e elegância e se dar conta de que tipo de papel ela acabou caindo nessa altura da carreira.

Há outros nomes de peso em papéis caricatos, como Alec Baldwin e Paul Giamatti, e até a roubada de cena de Tom Cruise (que definitivamente mostra que não tem vergonha de se expor), nada que possa ser relevante e salvar essa adaptação de um musical da Broadway que tenta resgatar as bandas de rock do final dos anos 80.

Entre um hit e outro cantando pelo elenco, surge a história do astro em crise (Tom Cruise), e, do casal de protagonistas que tenta ganhar a vida na cidade grande, realizando o sonho de se tornar cantor de sucessos. Muita água com açucar, atuações pífias, o completo excesso do exagero.

Jerry Maguire (1996 – EUA)

Ele faz parte daquele grupo de filmes da pior espécime possível, praticamente um aproveitador barato das emoções alheias e de maneira desavergonhada, exagerada, um grande fanfarrão. O cineasta Cameron Crowe não teve vergonha alguma em abusar do drama barato e levar seu protagonista (Tom Cruise) ao buraco para depois atingir a redenção, e de forma deslavada, abusando de todo e qualquer tipo de clichê. E, pouco satisfeito, ainda cai matando pela comédia romântica, também sem medo nenhum de emoções gratuitas.

Mas, mesmo somando isso tudo, não é que o filme prende o público, você torce pelo jogador da NFL fiel e descontraído (Cuba Gooding Jr), pelo agente em fase de reconstrução (Cruise) e claro que pela mãe solteira ingênua que acredita no amor acima de tudo (Reneé Zellweger). Aguarde pela grande virada, aguarde pelo pedido de desculpas inflamado de amor, aguarde por tudo que você sabe que vai acontecer, e sem que haja nada de especial na maneira que foi filmado, é Cameron Crowe abusando do filme comum e assim conquistando muita gente.


acordodinheiroThe Color of Money (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Vinte e cinco anos depois, o jogador de sinuca de Desafio à Corrupção (Eddie Felson), vende bebidas em bares. Num desses, depara-se com um jovem e promissor jogador. Vincent (Tom Cruise) é quase um show-man, impossível não reparar em seus gritos e rodopiadas, enquanto encaçapa bolas sem parar, e completando o espetáculo exibicionista beijando sua namorada, Carmen (Mary Elizabeth Mastrantonio) sentada ao lado. A mesa verde é seu palco, e Eddie (Paul Newman) vê no garoto a grande chance de faturar uma boa grana no torneio de Atlantic City. Carmen é uma mulher de visão estratégica (puro eufemismo), e com Eddie formam uma equipe para transformar Vincent em seu pupilo, ensinando-lhe os macetes necessários, o momento certo de ganhar.

A fumaça de um cigarro, o pano verde da mesa e a voz de Martin Scorsese servindo como abre-alas. Paul Newman, um monstro em cena, porém a figura principal do filme é Scorsese, e quando o diretor rouba a cena, algo parece está destoando. O talento do diretor significa ao filme cenas magistrais, principalmente quando a câmera acompanha as bolinhas de perto, ou quando temos uma visão panorâmica da mesa, são seqüências de se tirar o fôlego, um deleite. O confronto pessoal entre mestre e pupilo deveria ser a tônica do filme, o roteiro preparou toda a armadilha para isso, com pequenas surpresas que não deixam espaço para o clichê, mas faltou transpor aos acontecimentos a tensão. Quando a rixa entre o garotão Vincent e o experiente Eddie começa a ser desenhada, Vincent sai de cena por um tempo e o filme fica se torna a redenção de Eddie.

Outra peça crucial que não funciona como deveria é Carmen, sua posição chave de manipulação de Vincent é posta de lado, mas a apagada Mary Elizabeth Mastrantonio (que até tem seu momento numa cena insinuante no quarto de hotel) não consegue galgar a importância que sua personagem deveria ter, a dissimulada torna-se mera interesseira. A Cor do Dinheiro beira a aventura, com humor, boa trilha sonora e um clima que demora a chegar ao drama.

colateralCollateral (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tom Cruise, e seu visual prateado, bastante futurista, combina, perfeitamente, com o estilo despojado de Michael Mann. As cenas noturnas são um deslumbre, a fotografia leva o filme a um patamar além dos thrillers policiais, afinal este é um filme de Michael Mann e o estilo vai à frente do simples cinema de ação. Tudo é ousado, desde os enquadramentos, até tem a sensação constante de suntuoso, como se a noite fosse determinante nos comportamentos, principalmente do assassino profissional (Cruise) com a missão de eliminar cinco alvos, naquela fatídica noite.

A trama é simples, o assassino profissional não pode perder tempo, por isso reserva a noite toda de um taxista (Jamie Foxx). A complicação vem no primeiro assassinato, cuja vítima cai pela janela, bem em cima do táxi, e o que era um acordo vantajoso entre os dois torna-se um seqüestro. Vincente é de uma frieza calculista, seu assassino é compenetrado e observador, quase um psiquiatra no banco de trás.

Os planos fechados buscam as consistentes interpretações, os diálogos tramados dentro do táxi fogem do trivial, como se cada um tentasse desvendar o rival. A edição eficiente tem muito do segredo de sucesso em Colateral, mas é a fotografia o grande diferencial arrebatador. O taxista de Jamie Foxx é clichê dos pés à cabeça, não por culpa do ator, do que lhe foi oferecido, ele faz maravilhas. Traz sensações na medida certa, sejam elas insegurança, medo, pavor, fúria, timidez. Ao final, nos resta a discussão entre Vincent e Max, quando Max percebe estar mentindo a si mesmo assim, como muitos de nós fazemos, acreditando que estamos nos preparando para realizar sonhos quando apenas nos ludibriamos com a possibilidade de realizá-los.

FIRM, THE, Wilford Brimley, Tom Cruise, 1993

The Firm (1993 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Houve uma época de uma febre de filmes baseados nos livros de suspense policial, envolvendo advogados e júris, do escritor John Grisham. Sob a direção de Sydney Pollack, o best-seller sobre ética profissional não passa de um típico produto do cinema de Hollywood da década de 90, quando este tipo de suspense criou astros e marcou grandes bilheterias. A previsibilidade do roteiro, desfechso mirabolantes, sempre conectados com narrativas de prender a atenção marcaram o gênero na época e Pollack não conseguiu desvencilhar-se desse movimento.

Quando dois advogados morrem, misteriosamente, em um acidente com um barco em Cayman, é que o promissor récem-formado advogado, Mitch McDeere (Tom Cruise), descobre as verdadeiras facetas da firma (câmeras os observando, telefones grampeados, chantagem) que parecia preocupar-se tanto com o bem estar de seus funcionário, pregando a estabilidade, apoiando os casais a terem filhos, e mantendo a inabalável estatística de nenhum funcionário divorciado.

O FBI investigando os donos da firma, acusados de lavagem de dinheiro. Mitch é forçado a roubar provas, em troca de sua proteção, e da liberação de seu irmão que está preso por homicídio. Entra em cena a discussão da ética, do juramento de advogado, frente a própria sobrevivência. A dúvida ética é logo substituída pelo thriller de ação e perseguição, tão presentes nos livros de Grisham.