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A Garota Dinamarquesa

Publicado: fevereiro 11, 2016 em Cinema
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agarotadinamarquesaThe Danish Girl (2015 – RU) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O acadêmico Tom Hooper vai colecionando filmes chatos e abjetos. Dessa vez segue a história de um casal de artistas (Alicia Vinkander e Eddie Redmayne), a qual nele desperta a feminilidade a ponto de desejar a mudança de sexo. Trata-se de um dos primeiros casos da história, mas nas mãos de Hooper o filme excede a delicadeza causando artifiacialidade onde deveria surgir leveza. Assim como em O Discurso do rei, o tom solene joga contra, a pompa de época perde espaços para esses excessos evidentes que culminam no fracasso completo pela narrativa estenuatemente monótona. Resta um Eddie Redmayne caricato, e o brilho ofuscado pelo próprio filme de Alicia Vikander.

osmiseraveisLes Misérables (2012 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O poder da visão crítica de Victor Hugo sobre a diferença entre classes sociais, na França do século XIX, passou longe, mas muito longe. A direção de Tom Hooper apenas se apodera da fama do musical que fez sucesso estrondoso no teatro, mundo afora. De forma irregular, alongada, melodramática e cansativa. A primeira hora só não é totalmente entediante por duas cenas, a da fábrica e a apresentação da população miserável, de resto apenas a ladainha do início da caça, de uma vida.

O inspetor de Russel Crowe (pior cantor do planeta?) passa anos na captura do assaltante faminto (Hugh Jackman), Hooper desperdiça a miséria, privilegia a richa. Por essa disputa passam outros personagens, da vida execrável à novos vultos da Revolução Francesa, o amor jovem e pueril e aproveitadores baratos. São duas horas desperdiçadas entre canções pouco empolgantes (destaque para o solo de Anne Hathaway que lhe valerá o Oscar), até a chegada da questão política, os rebeldes civis lutando contra o governo.

Nesse ponto se apresenta , mesmo que timidamente, o conteúdo que Victor Hugo trouxe ao mundo, o desfile de coadjuvantes doando sua vida à uma causa, lutar por ideais. Mas o sofrimento é tão árduo para chegar nessa parte (tão regular), que o esforço nem vale a pena.

The King’s Speech (2010 – ING)

Em pleno início do século XX, com o advento do rádio, microfone e aparelhos de som, ter um rei que gagueja a cada discurso ou conversa mais incisiva, é, sem dúvida, algo além do pitoresco. Um líder que não seja bom orador está fadado à falta de credibilidade ou de autoridade? Pensar que essa é a história de George VI (o pai da rainha Elizabeth). O filme de Tom Hooper conta a história de transição de poder na primeira metade do século passado, e a dificuldade do futuro rei em fazer um pronunciamento sem passar vexame. Não estamos mais nos tempos em que tramas e traições eram planejadas minuciosamente para se assumir o poder, longe disso, a trama se torna mais envolvente por mostrar o distanciamento, o grau de solidão (poderia ser um personagem de Sofia Coppola), a falta de uma amizade para expor seus dramas e problemas.

Do outro lado está o especialista (Geoffrey Rush) que tenta aliviar o problema do rei (Colin Firth admirável), muitos consideram que seja um filme sobre a amizade dos dois, e sem dúvida ela nasce, mesmo que de uma forma tão desproporcional, mas o filme é sobre um rei se desprendendo de algumas amarras, recorrendo ao que está fora do protocolo para assumir seu posto com dignidade. Filme classudo, imponente sem se fazer de grandioso, são momentos de arrombo contido enquanto se apresenta tecnicamente bem cuidado.