Posts com Tag ‘Tom Sizemore’

fogocontrafogoHeat (1995 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Tenho essa leitura de que o gênero “filme policial” veio ocupar a lacuna deixada pelo Western. Espécie de atualização do gênero para esse novo ambiente urbano que se formou com o desenvolvimento. Eles continuam durões, empunhando armas, normalmente em caçadas entre vilões e o mocinho. Nesse critério de western atualizado, Fogo Contra Fogo nasceu clássico. Michael demorou anos entre o primeiro roteiro que escreveu, e finalmente filmá-lo a contento. Tentou que outro diretor encabeçasse o projeto (quando seu nome ainda não tinha o peso), tentou tranformá-lo numa série de tv (dessa ideia saiu L.A Takedown), e finalmente voltou ao proeto, com orçamento e dois dos maiores astros: Al Pacino e Rober DeNiro.

A trama foi baseada numa história real, um policial de Chicago, nos anos 60, que viveu uma caçada contra um criminoso meticuloso. Em quase três horas, Michael Mann é meticuloso em construir a relação de rivalidade/admiração entre policial (Pacino) e chefe da quadrilha (DeNiro). Lados opostos, personagens que se assemelham, seja na solidão, seja na adrenalina de perigo que os contamina, ou na integridade de sua integridade.

fogocontrafogo2Como uma panela com água no fogo, a fervura com que o policial aproxima-se na caçada de seu alvo torna o filme um labirinto que encurrala a quadrilha, enquanto isso, suas vidas seguem. Cada um deles tem seus laços afetivos: mulheres, filhos, família. As vidas não param no tempo, seguem simultaneamente, e Mann dá cabo dessa teia de relações complexas e problemática com alguns destes personagens. Dessa forma desenvolve frentes, constrói camadas e mais camadas, são mágoas e frustrações. Casamentos se acabando, outros em crise, amores surgindo. A vida náo para, as inventigações seguem, os planos de um novo assalto também.

A elegância com que filma a cidade: noturna, as luzes. A explosão que o policial carrega em sua vida (a cena em que ele leva a tv embora, por exemplo), são pequenos peticos deixados por Mann, enquanto prepara o público para as grandes cenas, tiroteios e perseguições em que o cineasta destila seu estilo, alucina com essa elegância transformada numa violência romântica. Cenas de tirar o fôlego, e ainda tão plasticamente bem planejadas, O embate num café, o plano e contra-plano, cada um desvendando seu oponente, o assalto ao banco e as perseguição nos minutos finais. O novo western, um clássico desde sua concepção.

falcaonegroemperigoBlack Hawk Down (2001 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Ridley Scott parte para o cinema verdade. O exército americano intervindo durante a Guerra Civil na Somália. Uma operação preparada para prender dois líderes da guerrilha, toda a operação não deveria durar mais que uma hora. A resistência acaba sendo mais eficiente do que se esperava, dois helicópteros são abatidos e a luta para salvar os soldados dura mais de quinze horas pelas ruas da cidade. Saldo de dezenove americanos e centenas de somalis mortos. Scott gravou seu filme como um documentário in loco, acompanhando a guerra real. As cenas são duras e sangrentas, a fotografia escura e os uniformes confundem um pouco os soldados, o ritmo alucinante vem da câmera na mão, tremendo sem parar. Pequenos becos, o medo do ataque inimigo.

Há os toques de sentimentalismo e patriotismo americano, afinal é um filme de Ridley Scott. O elenco, uma constelação de promissores astros (Eric Bana, Josh Hartnett, Ewan McGregor, Orlando Bloom). Soldados encurralados enquanto os somalis lutam por um pouco de comida, pela situação tão precária de seu país. Os três soldados perdidos até trazem um ar cômico, mas o ritmo é mesmo de metralhadoras disparando, e ferimentos que doem no público de tão “reais”.

odiabovesteazulDevil in a Blue Dress (1995 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Ezekiel Rawlins (Denzel Washington) é um ex-combatente de guerra que anda desempregado. Dewitt Albright (Tom Sizemore) faz-lhe uma proposta para que ele procure a namorada de um figurão candidato a prefeito, Daphne Monet (Jennifer Beals). A tarefa que parecia fácil para Rawlins, investigar o paradeiro de uma garota, prova-se bem mais complicada mergulhando Rawlins numa baita confusão.

A trama do filme envolve escândalo político, envolvimento com a máfia e discriminação racial. Rawlins só queria arrumar um emprego para pagar suas contas, acaba acusado de assassinato e precisa limpar sua ficha para não ser preso. Cheio de clichês e artimanhas do gênero, o diretor Carl Franklin leva no piloto automático. Nada que não se tenha visto zilhões de vezes em outros filmes. Atração, como sempre, fica com a presença de Denzel Washington e a pequena participação cômica de Don Cheadle.