Posts com Tag ‘Tom Wilkinson’

snowdenSnowden (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine tudo que você já sabe sobre Snowden e suas polêmicas acusações de espionagem e controle da vida particular de qualquer um, pelo governo americano. Agora, encene toda essa história com atores famosos, sem acrescentar nada, esperando que qualquer reflexão surja do material que já é tão conhecido do público. O resultado do trabalho de Oliver Stone é exatamente este. Se conhece as matérias publicadas pelo The Guardian e etc, e pior, se já viu o documentário Citizenfour, você não terá nada novo a absorver aqui.

Stone até flerta com o thriller de espionagem, mas constrói mesmo um drama político com viés romântico importante. Quer escancarar os desmandos do governo americano e suas agências de inteligência. O discurso é didático, a denuncia antiga. Aguardem a paranoia crescer em desavisados, estes irão creditar a Oliver Stone uma poderosa denuncia, não passam de desavisados lendo noticia velha.

Joseph Gordon-Lewitt vai se tornando um especialista em sotaques, percebe-se claramente a grande preocupação do ator em compor características que se assemelhem ao personagem. É um esforço justificado, afinal, todo mundo já viu parte do vídeo onde Edward Snowden faz suas denuncias. Porém, é esse pouco quando um material tão poderoso fica a mercê de uma direção tão insípida e incapaz de colocar qualquer ponto de vista particular. Incrivel como nesse universo de informações ultra-sigilosos, o que possa se descartar é a discussão entre jornalistas para que se conseguisse publicar a matéria, um jogo de bastidores e medos que poucos filmes retrataram. Stone entrega entretenimento puro e simples, faz jus à sua filmografia.

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SELMASelma (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Martin Luther King, a citação de seu nome traz à mente o ícone da luta contra segregação racial, é de se esperar um filme que faça jus à lenda criada (principalmente depois de seu fim trágico). O recorte aqui é curto, na trajetória de King (David Oyelowo), parte da entrega do prêmio Nobel da Paz, vai até os fatos decisivos para uma das mais importantes vitórias que ele, e seu grupo, obtiveram: a luta pelo direito dos negros votarem. Envolvidos estão o presidente, governantes e xerifes, e a população que, pouco-a-pouco, não pode permanecer indiferente a quase guerra civil que se instala.

Encontros com governantes, reuniões de militantes, ações ativistas, detalhes da vida particular. Mos que de  forma elegante, Ava Duvernay demonstra tamanha irregularidade nos diferentes aspectos da vida de King, que o resultado é esse libelo da luta, mas que tenta tranformá-lo numa figura tão cristalina e encorpada que o mito beira o galã. A trilha sonora no momento certo, a câmera lenta nas cenas de violência durante os protestos, as discussões com quê heroico/afetado (mocinhos e vilões bem claros) nos bastidores da política. E, obviamente, os grandes discursos de King, frente a milhares, personificando ainda mais a figura do mártir.

A direção de Ava Duvernay é acadêmica, clássica, parece realmente voltada para as premiações da corrida do Oscar, caso contrário poderia ser um telefilme (bem mais barato e com resultados semelhantes). Neste ponto, o filme carrega um pouco de azar por ser lançado exatamente um ano após a vitória de 12 Anos de Escravidão, outro filme sobre a questão racial, as injustiças e etc, porque havia os elementos básicos para o triunfo das premiações da indústria. Acabou de lado, tal qual sua própria irregularidade de não escapar da necessidade dos discursos pomposos, a cada cena, da proximidade envergonhada com a vida particular de King, com a necessidade de chocar, via violência, mas sempre via timidez. Seu melhor está nas poucas cenas de violência seca, quando a polícia ataca idosos, sem piedade, tamanha a cegueira pela segregação racial.

Batman Begins (2005 – EUA) 

Christopher Nolan reinicia a saga de Batman no cinema, pautando a história sob o medo, conduzindo o super-herói pelo processo de desmistificação de seus pesadelos. A lenga-lenga (para alguns) do início, que compreende a morte dos pais e a fase em que Bruce Wayne aprende artes marciais, e principalmente o processo de autoconhecimento, por mais bem colocada no contexto, chega a ser aborrecedora. Muito da culpa é do próprio Christian Bale, e sua face de canastrão. O rapaz equilibra-se entre o preciso e o não convincente, além de algumas das razões de seu personagem serem inconsistentes. Outra opção de Nolan foi a descentralização do vilão, temos três em níveis diferentes, o Espantalho, que deveria ser o principal, perde terreno para o carismático personagem de Liam Neeson, e por mais aterrorizante que possa parecer deixa o embate derradeiro para o líder da Liga das Sombras na cena do metrô.

A preocupação em rechear o filme com coadjuvantes de luxo tem acertos e exageros, Ken Watanabe entra apenas com seu nome, enquanto Michael Caine esbanja desenvoltura, e um típico humor britânico impagável (que não funciona com outros atores). Katie Holmes é um poço de graciosidade, porém em momento algum o romance com Wayne decola (não por culpa da moça). São essas pequenas coisas que diminuem o impacto do filme que promete reiniciar com sucesso a história cinematográfica do homem-morcego.

No quesito ação, não há nada a se queixar de Nolan. O diretor oferece esse lado extremamente humano de Batman, essa ausência de superpoderes que é substituída por armas mirabolantes, tornando assim o personagem mais próximo do público, quase algo crível. O batmóvel aparece para arrepiar os fãs, com um estilo bem diferente daquele usual, quase um tanque de guerra. As lutas têm cortes bruscos demais, mesmo assim funcionam com precisão milimétrica na arte de entreter. Nolan se notabilizar por ums dos maiores criadoes de entretenimento do cinema atual. O clima dark de toda a narrativa oferece aos morcegos função  chave para o surgimento de Batman, mas pode representar o tom dessa criação autoral de Nolan.

brilhoeternodeumamentesemlembrancasEternal Sunshine of the Spotless Mind (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Definitivamente ele está na moda, foi rápido que Charlie Kaufman se tornou um dos nomes mais bem quistos no momento. Com seus roteiros inventivos, originais e que transformam um filme num complicado jogo de quebra-cabeças para o público, caiu nas graças de uma indústria que pouco espaço dá a quem foge da cartilha. Suas amalucadas histórias, escapando das fórmulas prontas, são a nova vedete do público fã de ser guiado (conduzido) por roteiros cheios de sacadas. Aqui, o roteirista volta a trabalhar com o diretor Michel Gondry em mais uma trama com suas marcas registradas.

A trama vem do romance envolvendo o introvertido Joel (Jim Carey) e a espevitada e impulsiva Clementine (Kate Winslet), que como ela mesmo gosta de dizer, muda de personalidade ao mudar a cor do cabelo. A clínica Lacuna descobriu uma maneira de apagar lembranças indesejáveis das pessoas. Desapontada com o andamento de seu relacionamento, Clementine decide apagar Joel de sua memória. Ao descobrir, um Joel amargurado se propõe a fazer o mesmo, mas no meio do processo arrepende-se. Para que Clementine não seja apagada, Joel tenta encontrar um lugar em sua mente para escondê-la, uma corrida frenética dentro de sua memória.

Entre tantas artimanhas, Kaufman quase tenta esconder que se trata de uma comédia romântica. Nos momentos cruciais, nas cenas em que o puro sentimento (o amor, eterno combustível do gênero) precisa ser evidenciado, a história naufraga. Falta o essencial e sobram dois atores competentes em seus personagens. Na eterna tentativa de fugir dos clichês, o roteiro derrapa em suas invenções e nas esquecíveis histórias de seus coadjuvantes. Grande parte do problema está no própria dupla direção-roteiro, que, se por um lado mostra suas armas antes do tempo e não consegue embalar no apelo amoroso, por outro encontra inusitadas e deliciosas saídas para completar sua história de maneira divertida. É um filme de uma ideia linda, amplamente romântica, e que funciona perfeitamente bem em separado ao todo. Mas, o peso de carregar com humor, de ter uma grande sacada a cada nova sequencia, é sempre um fardo que a abundância criativa quer dar conta e se distancia do harmônico. Será que Kaufman traz um prestígio parecido ao que Woody Allen oferecia no passado? Afinal tantos coadjuvantes de luxo que parece que todos querem trabalhar num filme dele.

entrequatroparedesIn The Bedroom (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dr. Matt Fowler (o competente Tom Wilkinson) é casado com a professora de canto Ruth (Sissy Spacek). O filho do casal, Frank (Nick Stahl) está na faculdade, e vem passar as férias de verão com a família. No meio das férias, ele inicia relacionamento com Natalia Strout (Marisa Tomei), mais velha e com dois filhos, e está em processo de separação do marido violento, Richard Strout (William Mapother). A panela de pressão começa a ferver quando Richard passa a estragar a paz do casal, por exemplo agredindo Frank, e todos preferem abafar o caso para não assustar as crianças. A pressão prossegue, até o inevitável e fatídico assassinato de Frank, por Richard, na casa de Natalie.

Começa o sofrimento do casal Fowler, que perde seu único filho, e cada um deles enclausura-se em seus sentimentos e culpas. Eles sofrem calados ,passem apenas a tolerar-se, a culpar pela perda é dolorosa, não consegue olhar para frente e nem enxergar seus próprios erros. A situação chega ao insustentável com a proximidade do julgamento, e os encontros, pela cidade, com o assassino que saiu sob fiança. Estreia precisa na direção de Todd Field, os momentos mais emblemáticos não são mostrados ao público, que apenas subentende o que está ocorrendo, como no momento da agressão ou no da morte de Frank.

Tom Wilkinson é quem mais brilha no filme, sua atuação é contundente, Sissy Spacek trabalha bem, mas sua atuação não mereceu todo o alarde que alcançou. Enquanto que Marisa Tomei está muito bem, na primeira parte do filme, depois é esquecida desaparece da história (o que é um erro, poderia ter sido melhor explorada). O desfecho é surpreendente sob a ótica da vulnerabilidade humana em momentos de fúria.