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Tinker, Tailor, Soldier, Spy (2011 – ING)

Pelas mãos do cineasta Tomas Alfredson nasce um filme elegante sobre espionagem na Guerra Fria. Não que os britânicos fossem neutros no jogo de guerra velada entre capitalismo americano e comunismo soviético, mas eles eram um terceiro, que até flertavam com um lado, mesmo estando sempre mais propensos a outro. Nessa perspectivas de inexistencia (estrutural) de vilões, se desenvolve nova adaptação do livro escrito por John Le Carré (em 1979 fora uma mini-série da tv com Alec Guinness no elenco).

Primeira palavra a vir a mente é timing, Alfredson o estabelece e imprime em cada um dos fotogramas, há unidade, um compasso que segue sereno, harmonico. E o timing se estabelece também com a figura central da trama, o agente aposentado (Gary Oldman) após uma missão fracassada na Hungria, e que volta à tona para investigar e descobrir quem é o espião duplo entre a mais alta cupula da Inteligência Britânica.

 É bem verdade que falta ao roteiro um desenvolvimento dos personagens (principalmente dos suspeitos), são apenas tipos britânicos que desconfiamos e aguardamos descobrir qual deles é o vilão, sem que tenhamos perfis psicológicos, ou interesses mais explícitos (as subtramas até se encaixam no desfecho, ainda assim pouco relevantes). O filme é todo de Alfredson (sua escolha pelo mínimo de detalhes, oferecendo maior nuance aos atores, e isso não falta a Gary Oldman), destacando-se o virtuosismo que ele evoca ao todo, um desfilar sobre nossos olhos de maestria (por exemplo, numa cena, a câmera foca a nuca de Smiley, ele vira o rosto levemente, e só no movimento das sobrancelhas percebemos o ar de decepção).

 Momentos de tensão, de dúvida, sempre num tom calmo e sereno, em tons cinza e nebulosos. E a promiscuidade das relações , colocadas sempre de forma sutil, é daqueles filmes em que “o como” vale muito mais que o “o que”, engenhoso na trama e na forma de se contar, Alfredson se estabelece como um cineasta que merece todas as atenções. E aquele desfecho então, a canção francesa, os personagens em suas novas perspectivas, nenhuma fala, um charme.