Posts com Tag ‘Val Kilmer’

Song to Song (2017 – EUA) 

Atualmente, é possível observar que A Árvore da Vida era o prenuncio da nova fase da carreira de Terrence Malick. Fase esta que testa a paciência de seus fãs, e pouco se esforça em angariar novos. Os três filmes a seguir (Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e este novo) quase formam uma obra única, fechada nesse cinema sensorial, de narração em off com frases edificantes, enquanto a câmera baila por enquadramentos que buscam a intimidade máxima e elegante de corpos que se encontram ou que refletem o vazio.

Amor Pleno tinha o triângulo amoroso e a dor, já o Cavaleiro de Copas é ainda mais próximo que esse novo filme, ali um escritor (Christian Bale) vivia de festas luxuosas, sexo farto e grandes vazios. Malick mergulha seus personagens em Austin, o berço da cultura indie americana. Todos os personagens ligados a festival de rock, formando dois triângulos amorosos. Mesmo com a tendência de explorar a classe artística, não se nota em Malick a preocupação sua critica sobre o vazio existencial, a vida de luxos e luxúrias. Não, Malick parece mesmo sensibilizado pelo amor, pelas relações pessoais vindas do amor e do sexo. Além da separação, a dor, a reconciliação, o desprezo e a dependência. E seus filmes flutuam, sempre com as narrações em off que traduzem sentimentos, enquanto tentam ensinar (elucidar) ao público. Em todo esse contexto, surgem algumas cenas lindas, mas não deixa de ser um cinema cansado e circular.

fogocontrafogoHeat (1995 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Tenho essa leitura de que o gênero “filme policial” veio ocupar a lacuna deixada pelo Western. Espécie de atualização do gênero para esse novo ambiente urbano que se formou com o desenvolvimento. Eles continuam durões, empunhando armas, normalmente em caçadas entre vilões e o mocinho. Nesse critério de western atualizado, Fogo Contra Fogo nasceu clássico. Michael demorou anos entre o primeiro roteiro que escreveu, e finalmente filmá-lo a contento. Tentou que outro diretor encabeçasse o projeto (quando seu nome ainda não tinha o peso), tentou tranformá-lo numa série de tv (dessa ideia saiu L.A Takedown), e finalmente voltou ao proeto, com orçamento e dois dos maiores astros: Al Pacino e Rober DeNiro.

A trama foi baseada numa história real, um policial de Chicago, nos anos 60, que viveu uma caçada contra um criminoso meticuloso. Em quase três horas, Michael Mann é meticuloso em construir a relação de rivalidade/admiração entre policial (Pacino) e chefe da quadrilha (DeNiro). Lados opostos, personagens que se assemelham, seja na solidão, seja na adrenalina de perigo que os contamina, ou na integridade de sua integridade.

fogocontrafogo2Como uma panela com água no fogo, a fervura com que o policial aproxima-se na caçada de seu alvo torna o filme um labirinto que encurrala a quadrilha, enquanto isso, suas vidas seguem. Cada um deles tem seus laços afetivos: mulheres, filhos, família. As vidas não param no tempo, seguem simultaneamente, e Mann dá cabo dessa teia de relações complexas e problemática com alguns destes personagens. Dessa forma desenvolve frentes, constrói camadas e mais camadas, são mágoas e frustrações. Casamentos se acabando, outros em crise, amores surgindo. A vida náo para, as inventigações seguem, os planos de um novo assalto também.

A elegância com que filma a cidade: noturna, as luzes. A explosão que o policial carrega em sua vida (a cena em que ele leva a tv embora, por exemplo), são pequenos peticos deixados por Mann, enquanto prepara o público para as grandes cenas, tiroteios e perseguições em que o cineasta destila seu estilo, alucina com essa elegância transformada numa violência romântica. Cenas de tirar o fôlego, e ainda tão plasticamente bem planejadas, O embate num café, o plano e contra-plano, cada um desvendando seu oponente, o assalto ao banco e as perseguição nos minutos finais. O novo western, um clássico desde sua concepção.

virginiaTwixt (2011 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A cada novo filme, Francis Ford Coppola parece provar que desaprendeu a fazer cinema. Há anos vem numa fase de pequenos trabalhos, que deveriam representar um cineasta cansado dos grandes estúdios, orçamentos milionários, filmes grandiosos e eloquentes. Mas não: a sensação é de que ele perdeu a mão mesmo e procura se reencontrar, como se sofresse de uma espécie de amnésia criativa. Seu nome, prestígio, amizade, seja o que for, ainda conseguem atrair atores de destaque (ou que buscam a redenção, caso do protagonista Val Kilmer), porém suas histórias vagam entre o confuso e o desinteressante.

O roteiro é daqueles “para boi dormir”. Um escritor de livros sobre bruxas (Kilmer) vai parar numa cidade macabra, com vampiros e um inexplicado assassinato em série de crianças, além de um xerife doido para ser escritor. Desse mote para um envolvimento com a própria história trágica do escritor é um pulinho.

Utilizando sua própria fazenda para as filmagens, Coppola parece ter descoberto a câmera HD só agora, e as imagens são tão mal-acabadas que mais parecem uma daquelas produções terror B que inundam a programação da tv a cabo nas madrugadas. Ainda há Edgar Allan Poe (coitado dele) explanando sobre a escrita, atuando como uma espécie de narrador para o próprio escritor entender tudo que se passa. Há também a mistura de sonho e realidade, uma parafernália narrativa para tentar resolver o que parece sem solução: o resultado final que não vale muita coisa.

thedoorsThe Doors (1991 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A vida de um dos maiores astros do rock mundial contada por Oliver Stone. Jim Morrison (Val Kilmer), e seu ar de poeta da geração que transgrediu o mundo entre sexo, drogas e rock n’ roll, no estado mais letárgico possível. O roteiro é vago, repleto de lacunas, sem o menor esforço de compreender o biografado. Mais preocupado em agradar o público médio, dessa forma prende-se aos shows, viagens causadas pelo consumo de drogas, e a perversão sexual. Excêntrico e inteligente, Jim é retratado como um drogado contínuo cujas músicas fluíam com enorme facilidade.

O filme começa com Jim Morrison ainda garoto, e vê um acidente de carro, que marcou sua vida, a morte dos pais Um salto no tempo até a fase em que ele tem a ideia de formar uma banda com Ray Manzareck (Kyle MacLachlan). O relacionamento conturbado com Pamela Courson (Meg Ryan), o caso com a jornalista Patrícia Kennealy (Kathleen Quinlan), até a misteriosa morte numa banheira em Paris.

O temperamento explosivo, misturado com a fotografia de cores estourados, a todo momento Oliver Stone tenta captar indícios da sensação do Lagarto Rei sob as coisas, porém utiliza apenas o aspecto visual, concentrando em shows e acontecimentos mais conhecidos, sem nunca absorver realmente o personagem. Enquanto a abordagem é rala, a interpretação de Val  Kilmer é bárbara, incorporando totalmente o personagem, cantando bem, uma impressionante personificação do mito