Posts com Tag ‘Valentyn Vasyanovych’

Reflexão

Publicado: outubro 26, 2021 em Cinema, Mostra SP
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Vidblysk / Reflection (2021 – UCR)

Novamente em foco a Guerra Rússia-Ucrânia, se em Atlantis Valentyn Vasyanovych havia olhado para o futuro, no que sobrou e nos efeitos psicológicos, aqui ele retrata o primeiro ano. E o faz seguindo um cirurgião ucraniano, o antes, o durante e o depois de sua saída do front.

Vasyanovych mantém seu rigor em poucos planos fixos e simétricos, quase sempre amplos. Filma uma cena de adolescentes jogando paintball e soldados torturados ou um jantar solitário em casa com esse mesmo rigor. O que me soa mais impressionante é essa normalidade de vida normal, guerra e seus horrores, retornar a vida normal e lidar com seus efeitos solitariamente, ao tentar se reerguer. É a falência e hipocrisia de estado e sociedade, como se o que acontecesse na guerra ficasse por lá.

Algumas cenas são de fortes a grotescas, e seu filme também é para reinvidicar a lembrança dos comportamentos desumanos, mas essa crueldade me parece ainda mais forte no retorno à sociedade, na volta aos problemas caseiros após o horror.

Atlantis

Publicado: maio 4, 2021 em Cinema
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Atlantis (2019 – UCR)

Os conflitos e disputas territoriais entre Ucrânia e Rússia seguem frequentes (lembre-se da Criméia), aqui o diretor Valentyn Vasyanovych imagina seu país aos cacos após o possível fim de uma guerra devastadora que contaminou água, terra e realmente pouco restou. O que resta forma essa distopia desoladora narrada através de um personagem (Andriy Rymaruk) que parece completamente desprendido do mundo vivendo com seu stress pós traumático e poucos prazerers além dos treinos de tiro. Quando a fundição onde trabalhava fecha as portas, ele passa a trabalhar na busca de corpos dos soldados daquela guerra para que sejam reconhecidos e enterrados.

O filme foi o vencedor da Mostra Horizontes no Festival de Veneza de 2019, e acabou de ser lançado no streaming Reserva Imovision. O diretor foi o produtor de A Tribo, e semelhanças são facilmente notadas, principalmente estéticas. Planos longos, fixos e abertos oferecem além de um falta de intimidade, essa frieza quase documental com que se intensifica as feridas de um país arrasado, cinzento, mas que o filme curiosamente tenta traçar um mínimo de esperança.