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La Guerre est Déclarée (2011 – FRA)

E de repente, Valérie Donzelli se tornou um dos principais nomes do cinema frances em 2011. Protagonista de diversos filmes, dirigindo seu segundo longa-metragem e sendo escolhida pela França como o filme indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E logo, num filme tão pessoal, afinal ela e seu ex, o também ator Jérémie Elkaïm escreveram à quatro mãos o roteiro dessa história familiar, baseada na própria relação dos dois.

Eles são Roméo e Juliette (ok, nada poderia ser mais óbvio para retratar uma história-de-amor-de-um-casal-jovem), quando o filme prometia tratar de um relacionamento de dois jovens vivendo a loucura de uma metrópole, entre contas a pagar, casa a reformar e empregos não táo glamourosos, eis que surge o grande tema que é o tumor cerebral do filho, recém-nascido, deles. Sim, essa história aconteceu na vida real com este casal, e eles resgatam esses anos de angustia. Donzelli foge completamente do melodrama, seu filme é extretamente positivo, animado, direção moderna e ágil. Muitas vezes, esse tom, parece exagerado, querendo deixar a trama rala, em outros parece um alívio, uma maneira não clássica e bem jovem de abordar o tema, sem que o apelo às lágrimas seja utilizado. E o resultado final é esse lugar comum, entre o bem intencionado e moderninho e o pouco profundo, em uma situação tão caótica em que os pais praticamente largar suas vidas em prol de uma vida entre hospitais e radioterapias.

Belleville-Tokyo (2010 – FRA)

Seja na vida real, seja no cinema, personagens que acreditam que um “eu te amo” resolve os problemas, perdoa os erros, e ainda pode transformar em vítima aquele que declara me irritam profundamente. O filme da diretora Élise Girard é uma grande DR, Julien (Jérémie Elkaïm) é crítico de cinema, enquanto Marie (Valérie Donzelli) trabalha num pequeno cinema de rua especializado em clássicos. Ele trai, ele larga a namorada grávida, ele inicia um vai-e-vem e ainda fica agressivo. Resumindo ele é irritante, ela ama de forma tão platônica e passiva que é irritante, e o filme não cansa de mostrar essa crise de casal (pensando bem, tão comum na grande maioria dos casais), mas no fundo não passa de um filme banal.

Porquoi Tu Pleures? /Bachelor Days Are Over (2011 – FRA)

E há os que piram, suas mentes entram num estado de ebulição que transformam a reta final da data do casamento em dias de angústia, incerteza, total insegurança. A estreia na direção da atriz Katia Lewkowicz retrata os quatro dias anteriores ao casamento desse sujeito (Benjamin Biolay) com sua noiva (Valerie Donzelli) que simplesmente desapareceu. Na despedida de solteiro com os amigos ele se apaixona por uma cantora de boite (Sarah Adler) o que ajuda a mergulhá-lo numa crise de questionamentos sobre o porquê de se casar. É clichê, é óbvio, mas incrivelmente parece um mau que assola quase todos os casais. A câmera tenta ser esperta, ágil, sair dos enquadramentos óbvios e ainda se aproximar desse personagem perdido, com uma grande interrogação em suas feições.

Nesse caos pessoal segue o próprio filme e narrativa, a relação com os amigos, ou com sua mãe (Nicole Garcia) interessada apenas no status de casado do filhinho e com a irmã (Emmanuelle Devos) que guarda com ele um misto de relação entre carinho e conflito. Desses dilemas não se resolvem nem o filme, e nem seus personagens, quando Valerie Donzelli entra efetivamente em cena o filme ganha fôlego, sua presença oxigena, seu sorriso parece ter as respostas que todos procuram, se o intuito era transpor esse conflito e incerteza, o filme é certeiro em sua irregularidade, como obra não passa de um resultado repleto de imperfeições e com algum carisma (aliás, abre e fecha com depoimentos desnecessários e abstratos do grupo de amigos desse homem prestes a ser levado “à força”).