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FOXCATCHERFoxcatcher (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A polêmica corre solta pela internet, o lutador Mark Schultz (Channing Tatum) dispara tweets bipolares sobre o filme. Sua reação vai do ódio eterno, por sutis conotações homossexuais na história, até elogios rasgados após as indicações ao Oscar. Schultz não se controla, explode, demonstra ser o personagem que o filme expõe.

O diretor Bennett Miller vai ser tornando o homem das biografias do cinema americano moderno. Depois de Capote e Moneyball, ele volta ao mundo do esporte, dessa vez o foco na luta greco-romana. A história beira o fascinante por conta do multimilionário John du Pont (Steve Carell) e seu fascínio pelo esporte. Egocêntrico, carente, frágil, poderoso economicamente, Du Pont se torna patrocinador e líder da equipe olímpica americana. Por mais que o filme tenha predileção por Schultz, é no contido Du Pont que encontra os ingredientes do desequilíbrio emocional, da loucura, da total falta de controle.

Oposto está o irmão de Schultz, David (Mark Ruffalo) com sua personalidade sociável e amável. Os três formam os pilares do comportamento competitivo que o filme tenta preservar enquanto desenvolve a trágica história de declínio de um campeão olímpico. A força do capital, a incapacidade de se desvincilar de uma armadilha não-planejada, algo como cair na areia movediça. Porém, Miller perde tempo, gasta cenas, tem esses personagens poderosos (como era Capote), e resgardo-os excessivamente em cenas contidas. Acelera a história, demora tempo demais construindo o alicerce para ter que terminar a casa de qualquer jeito. Resta um hiato, dose sacal de distanciamento, que o próprio roteiro não dá conta de preencher.

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 Blow Up (1966 – ING) 

Fotos aparentemente insignificantes, quando ampliadas revelam um possível assassinato. A trama corre basicamente por esse ponto. Quer saber, deixe de lado toda essa história, porque ela demonstra-se insípida, evasiva, em alguns pontos até mesmo absurda. O filme não é sobre isso, não se trata de um suspense sobre quem ou por que alguém foi assassinado. Nem mesmo a possível paranóia tomando conta do fotógrafo Thomas Thomas (David Hemmings) é capaz de nos instigar.

Michelangelo Antonioni nos oferece um explosivo e estiloso retrato da década de sessenta, a relação juventude x arte. Olhadas separadamente, algumas seqüências podem parecer completamente deslocadas, mas essa década de libertação não foi assim deslocada? Festas ilimitadas, sexo livre, apresentações musicais inflamadas, pintura, fotografia. Todos esses mundos estão lá, e Thomas desfila por cada um deles. Toda seqüência da apresentação da banda The Yardbirds é Antonioni tirando uma fotografia da década.

Já de início, temos a sessão de fotos com a modelo naquele irresistível modelito preto, o fotógrafo delirando, contagiando a moça, a busca pelo melhor ângulo, no final da sessão os corpos estão um sob o outro, quase realizando o ato sexual. É um momento de tirar o fôlego. O prestigiado fotógrafo Thomas será nosso chefe de cerimônias nessa viagem pelos anos sessenta, roupas, cabelos, desejos, teremos amostras de tudo que marcou aqueles anos inesquecíveis.

Mas não podemos nos esquecer que há toda a história das ampliações, do assassinato, e ao misturar a efervescência da época, ao calor da trama, temos um dos filmes mais inventivos e flamejantes, Antonioni partindo para um caminho diferente de sua filmografia, em muitos aspectos, mas que enlouquece seu público por esse senso criativo em resumir a efervescência, através do conto escrito por Julio Cortazar.