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Caniba (2017 – FRA) 

É bom conhecer o cinema da dupla Verena Paravel e Lucien Castaing-Taylor antes de posar em seu novo, e intrigante, documentário. Leviathan acompanha a pesca comercial e tornava os humanos monstros, só com o poder da imagem. Dessa vez, o retratado é o japonês canibal, réu confesso, que vive hoje de sua “fama”. Outra vez, a dupla foge do fácil, são planos tão fechados no rosto do personagem que a imagem fica mais desfocada do que nítida. Ele vive com o irmão, e a questão do canibalismo é central, porém não didática. Ela surge dos desenhos dele, ou da forma sensorial com que os diretores mergulham numa fotografia quase doentia e incomoda. Longe do brilhantismo do trabalho anterior, Caniba é outro exercício experimental e angustiante.

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

leviathanLeviathan (2012 – FRA/ING/EUA) 

A dupla de diretores Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel apostam, com veemência, no poder das imagens, e acerta em cheio. O documentário, sem falas, acompanha o processo de pesca comercial. Um grande navio, a rede recolhida com os peixes, a forma como a faca arranca cabeças, o sangue e pedaços de peixe que voltam ao mar. São momentos torturantes, você praticamente sente o cheiro e os pés molhando com a água salgada, o balanço do mar e vento da madrugada.

Impressionante o poder das imagens, com alguns enquadramentos inimagináveis, ou tão profundamente presentes que nada poderia se aproximar tão bem da sensação de presença. O monstro bíblico (Leviatã) que os homens tanto temem (como o do Lago Ness) não seria o próprio homem, que trata outros animais com tamanha crueldade? Quanto mais documentam, maior a sensação depredatória que temos de nós mesmos, a consciência que somos os monstros temidos por todos, e nem imaginamos o caminho que percorreu aquele prato chique, de um restaurante caro, para estar ali, naquele jantar.